CPR, Jorge Carvalho: “repensar alguns pontos, melhorar para que o público não ponha em causa os ralis”
CPR, Jorge Carvalho,
Já muito se disse e escreveu sobre a questão dos tempos nominais, atribuídos no Rallye Casinos do Algarve. Um dos mais diretamente afetados pela decisão tomada pelo Diretor de Prova, Jorge Carvalho, navegador de Miguel Correia, publicou um texto nas redes sociais, em que dá mais alguma luz sobre o assunto e deixa ainda mais claro que o que foi decidido, podia tê-lo sido melhor: “Nesta prova conseguimos demonstrar um excelente ritmo que nos podia ter permitido lutar pela vitória, não fosse uma má decisão tomada na atribuição dos tempos da especial 2, especial essa onde tivemos que parar para prestar auxílio a um concorrente acidentado e após esse acidente começou uma série de situações que levaram ao desfecho menos positivo desta prova.
A atribuição do tempo aos concorrentes que não completaram a especial, porque pararam para prestar auxílio, baseado numa melhoria média da primeira para a segunda passagem de alguns concorrentes da classe RC2 de 27 segundos (melhoria essa que em condições normais nunca aconteceria, numa especial de 14 km o que se passou foi que a maior parte desses registos foram prejudicados pelo pó que os concorrentes apanharam na primeira passagem partindo de um em um minuto e na segunda passagem todos os concorrente partiram com dois minutos de intervalo.
Outra questão é o facto de segundo quem tomou a decisão de atribuição de tempos alegar que um concorrente que não acaba a especial, não pode ganhar a mesma, e se aqui até posso concordar, cai por terra quando nas 2RM acontece exactamente o mesmo e um piloto que não arranca para a especial acabou por ter o melhor tempo nessa especial entre as 2RM.
Quando dizem que até poderia ter acontecido algo no restante da classificativa e até poderíamos não a acabar ou perder tempo até ao final dela, também tem que pôr em hipótese que podia acontecer o contrário e ganharmos mais do que os 5,5 segundos que estávamos a ganhar no parcial (parciais esses que não servem para nada no nosso campeonato).
Também quem alega que não tivemos desgaste de pneus e mecânica nos 2 ou 3 km que faltavam da especial, tem que se lembrar que nos outros 11 km tivemos esse desgaste e no final perdemos tempo nada condizente com o nosso andamento até ao momento da paragem.
Posto tudo isto afastaram nos da luta pela vitória, e retiraram a verdade desportiva no que à luta pela vitória diz respeito, como refere nos regulamentos, que se deve ter sempre em conta.
Nada é certo nas corridas, e se até posso concordar em parte que não fossemos beneficiados porque não acabamos a especial, também não merecíamos ter sido prejudicados quando paramos para ajudar um concorrente nosso que estava a precisar de ajuda médica, outro ponto que deve ser repensado é o tempo que demorou a chegar essa ajuda médica, felizmente tudo não passou de um susto e a equipa está a recuperar bem.
É preciso repensar alguns pontos e tentar melhorar as coisas para o futuro, para que o público não ponha em causa este desporto.
Deixo o desejo de melhoras para o Bernardo Sousa e para a Inês Veiga.
E os meus parabéns ao Ricardo Teodósio e ao José Teixeira pela vitória e que são alheios a toda esta situação, garantidamente que preferiam ver mais justiça no tempo que nos atribuíram e ter luta até ao final da prova. Até ao próximo rali”, escreveu Jorge Carvalho.
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5 Abril, 2023 at 23:58
Muito bem! Falando desta prova em particular e com muito respeito por todos os intervenientes desde equipas ao clube organizador, este é um bom caso para estudo, por vários motivos. Todos nos sabemos que só erra quem decide e em determinadas circunstancias não é fácil. Mas partindo de um em um minuto… este é logo de partida um erro que não tem justificação, depois foi a “Lei de Murphy”.
Este desporto é brutal, com um potencial tremendo por explorar, mas as regras têm que ser muito claras para todos os intervenientes sem exceção. Sendo a FPAK. quem tutela os campeonatos de ralis em Portugal, compete-lhe definir os regulamentos tendo em consideração todos os cenários e variáveis possíveis quando se projeta o campeonato, principalmente quando extrapolamos para um rali único, que infelizmente e tal como esperado, tomaram proporções nada simpáticas. Infelizmente é por estas e por muitas outras que os Ralis em Portugal têm uma notoriedade muito baixa e por muito que algumas equipas tentem dar o seu contributo de forma construtiva para que haja uma evolução positiva, provas como esta mancham a reputação deste desporto, que nos tempos que correm não é aceitável.