Em declarações relativas à nova temporada do Campeonato Portugal de Ralis, Armindo Araújo mostra-se satisfeito por conseguir manter o seu projeto com a TRF pelo quinto ano consecutivo, apesar das crescentes dificuldades em encontrar apoios.
Embora reconheça o elevado nível competitivo da prova este ano, com a presença de pilotos estrangeiros de nível mundial, critica a situação regulamentar que permite a estes pontuarem para um campeonato onde legalmente não podem ser campeões, gerando disputas jurídicas que “ensombram” a competição.

Armindo, os testes correram bem? Já conheces o carro, estás adaptado e estás, acho eu, bem entusiasmado este ano…
“Sim, estou sempre motivado e acima de tudo muito contente por poder estar à partida de mais um campeonato. Está cada vez mais difícil montar projetos desta envergadura em Portugal, uma vez que é cada vez mais complicado encontrar apoios. Portanto, só isso já foi uma grande vitória podermos estar à partida.
Em segundo lugar, estou contente por manter a minha equipa e continuar a trabalhar com a TRF (ndr, The Racing Factory). Trabalhamos juntos desde 2020 e, quando conseguimos essa continuidade, facilita o trabalho. É muito bom termos conseguido este acordo.
Relativamente ao campeonato, nós sabemos que vai ser extremamente competitivo. Temos agora dois pilotos estrangeiros de nível mundial, portanto o desafio ainda é maior. Estamos contentes por podermos lutar e por competirmos com estes pilotos e com mais pilotos portugueses que fizeram investimentos também avultados para terem bons carros e boas estruturas.
Apesar das dificuldades, Portugal está com um bom parque em termos de Rally2 e diria que a luta pelos 10 primeiros será muito interessante. Acho que vai ser um bom campeonato.”
“Continuamos, no entanto, e na minha opinião, com o problema de os estrangeiros pontuarem para o campeonato nacional, quando há uma lei que diz que não podem ser campeões.
A FPAK tem uma ferramenta para resolver isso, que outras federações não têm: o CPR tem uma pré-inscrição no campeonato, com uma caução que valida a possibilidade de pontuarmos para Campeonato Nacional.
Sou completamente a favor que façam as provas, mas não deveriam poder se inscreverem para pontuar.
Depois no final do ano entram as ‘jogadas’ jurídicas, com a entrada de uma Providência Cautelar para receber um título à condição e agora com o TAD a dizer que o Artigo em causa do Regime Jurídico das Federações Desportivas é inconstitucional, numa decisão que não foi unânime.
Acho que tudo isto ensombra muito o campeonato e voltamos a arrancar para mais uma temporada com as mesmas dúvidas.
Apesar desta recente decisão, a lei não mudou nem vai mudar e vamos andar a lutar na estrada e depois nos tribunais. Eu este ano, se for o primeiro português, também posso entrar nesse jogo e colocar tudo em tribunal. Todos sabemos o que foi argumentado e é possível contra-argumentar tudo isso.
Note-se que tivemos um caso idêntico no Drift e, como não havia nenhuma Providência Cautelar, esse piloto, não foi declarado campeão.
Eu sou um crítico muito grande desta situação, sobretudo pela dúvida que tudo isto cria em torno de um campeonato. Compreendo que não concordem com a lei, que haja até, como vimos, decisão contrária à mesma, mas não podemos andar nesta troca de argumentos jurídicos todos os anos.
Volto a dizer que a FPAK tem na mão uma ferramenta que resolvia esta questão. Os pilotos estrangeiros fazem as provas, mas não se podiam inscrever no campeonato.

Mas achas que a permanência do Kris Meeke e a vinda do Dani Sordo pode trazer mais atenção de eventuais empresas que até aqui pudessem não estar não estar ligadas. Achas que podem começar a olhar um bocado mais para o CPR? És de opinião que todos ganham um bocado mais com tudo isto?
“Há muitas formas de ver isso! Eu só pergunto de forma muito factual: há algum investimento estrangeiro novo com a vinda destes dois pilotos para o nosso campeonato? A resposta é simples: Zero!
Eu acho que sermos falados, é sempre bom, é extremamente positivo. Eu não sou contra o facto de eles virem para cá, pelo contrário, quantos mais melhor, pois temos, sem dúvida, mais competitividade. A minha opinião é simples: Eu só não sou a favor de eles pontuarem para um campeonato onde há uma lei que diz que não podem ser campeões. Iniciamos a temporada de 2025 com a mesma situação: se um estrangeiro terminar em primeiro, voltará a ter de recorrer aos tribunais para que esta situação seja resolvida. Esta decisão do TAD não fez nem faz com que a lei mude.










Eu não vejo nenhum problema de um estrangeiro ser campeão de Portugal, já o Armindo parece com um pouco de medo, se não tem unhas para lutar com eles de o lugar a outro.
Bem… não iria ao ponto de dizer que o Armindo parece com (mesmo) um pouco de medo: Vou dar-lhe o beneficio da dúvida, e presumir que ele ’tá a restringir-se apenas á questão jurídica…
Também não acho que a participação de estrageiros não acrescentará interesse para alem do publico, acredito que nenhuma empresa vai apostar mais no campeonato por este pilotos estrangeiros, acho que poderá até ser o contrario. Um campeão nacional tem de ser um piloto nacional, penso que a razão de ser um campeonato nacional destina-se a pilotos nacionais, para os internacionais existem os campeonatos mundiais e europeus ou então deixa de ser um campeonato nacional, para mim é muito simples. Quanto ao valor dos que vem não o questiono, mas também sei que os nacionais nunca estão em igualdade de circunstancias,… Ler mais »
Por um lado, compreendo alguns argumentos que só um piloto nacional deveria ser “Campeão”… mas p’ra isso, a FIA é que teria que aplicar essa norma em todos os países do mundo, coisa que não acontece. Eu não era piloto de “topo”, longe disso, mas no passado chegaram a recusar-me um grande patrocínio para fazer um troféu por ser estrangeiro… vai um pouco ao encontro do que o “crosa” referiu… (Dito na cara, embora amavelmente e diplomaticamente… uma marca de refrigerantes) Sou britânico, e mesmo ter vivido aqui desde os anos sessenta… não ficaria chocado se eventualmente não pudesse ser… Ler mais »
Claro que o Armindo é muito bom piloto. Os carros não andam sozinhos. Mas custa-me admitir este tipo de posição de alguém que sempre que foi campeão também dispunha dos melhores meios. Desde que começou nos rallyes. Como se costuma dizer até pode ser o melhor da rua dele, mas quando sai dela afinal pode não ser. Na minha opinião há outros fatores. O capítulo financeiro. Ganha-se muito dinheiro nas provas de automobilismo. Não é de agora. Mas muitas vezes ninguém liga muito a isso. Quando se projeta uma época , fazem-se muitas contas e elaboram-se muitos cenários. E em… Ler mais »
Nunca pensei que um piloto que já foi campeão do mundo de Grupo N, tivesse esse tipo de mentalidade fechada. Nós portugueses infelizmente temos muitos preconceitos na nossa cabeça. Recordo que o campeonato britânico de ralis já teve vários campeões sem serem britânicos, em 2023, um tal de Adrien Fourmaux. Temos duas equipas oficiais portuguesas, que ainda bem, apostaram em dois grandes pilotos, para gáudio dos aficionados portugueses e espanhóis. Isto de termos sempre os mesmos candidatos ao título, tem de acabar, para o bem dos ralis em Portugal. Vamos ter um grande campeonato, que vença o melhor, seja português… Ler mais »
Já estavas bem era calado.. ridículo .
Democracia…
Para um diretor de uma empresa nacional ou multinacional, que tenha que tomar decisões onde investir uma determinada verba anual em Marketing, tem como objetivo o retorno que esse mesmo projeto vai dar, seja ele qual for, seja um desportista nacional ou estrangeiro, seja uma marca nacional ou multinacional, custa a perceber a mentalidade mesquinha de um piloto mediano, que não ganhou nada que o diferencie de muitos outros de craveira mundial, tantas foram as oportunidade que este mesmo desportista teve, não vamos falar do Grupo N da sua geração, campeonato sem qualquer tipo de valor ou reconhecimento dos grandes… Ler mais »