CPR 2026, quando a experiência enfrenta a ambição, motores manhã de manhã cedo…

Por a 16 Abril 2026 21:26

O Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) 2026 arranca com um duelo eletrizante entre a herança dos “velhos lobos” e a irreverência de uma nova geração sedenta de glória. Entre o regresso nostálgico da mítica Lancia pelas mãos de José Pedro Fontes e a aposta renovada de veteranos como Armindo Araújo e Ricardo Teodósio, o asfalto e a terra do CPR 2026 preparam-se para um embate geracional sem precedentes.

Enquanto Ruben Rodrigues chega galvanizado pelo bom ‘teste’ do Rali da Cabreira, jovens talentos como Gonçalo Henriques, Hugo Lopes, Pedro Almeida e Rafael Rêgo procuram o seu espaço entre a elite, prometendo uma temporada onde a experiência será posta à prova pela ambição de quem não tem medo de “afiar as garras” perante os grandes nomes da modalidade.

Armindo Araújo, José Pedro Fontes e Ricardo Teodósio arrancam para mais uma época que lhes vai dar um gozo imenso, ainda mais Zé Pedro Fontes com a estreia do Lancia. Para todos, é bem diferente correr contra pilotos ‘mundialistas’, sabendo à partida que só podiam ficar com as ‘sobras’, mas agora têm pela frente um desafio bem diferente, pois “os velhos lobos” ainda guardam muitos segredos na manga, e os “jovens leões” terão de derramar sangue e suor para lhes roubar a coroa…

Para Armindo Araújo, o tempo de espera foi demasiado: “Estamos a começar da melhor forma, com um espetáculo fantástico e uma moldura humana enorme. Fomos muito bem recebidos aqui em Amarante. Espera-se um fim de semana de grande competitividade; os troços estão muito bem tratados e acredito que assistiremos a um excelente espetáculo. Temos vários candidatos à vitória, diversas marcas, equipas e muitos pilotos. Creio que, para ganhar, será preciso lutar muito, acreditar e ter a “estrelinha” da sorte”, começou por dizer o piloto de Santo Tirso, que gosta do esquema da prova: “agrada-me este regresso a um registo de troços mais extensos, de resistência e não apenas de sprint. Assim, a gestão do carro e dos pneus será fundamental, o que talvez faça sobressair a experiência. Estou muito satisfeito com o modelo apresentado pelo Clube Automóvel de Amarante; as condições do rali são muito atrativas para as equipas, para o público e para os pilotos”, disse, terminando com a renovação geracional: “Estamos perante o futuro dos ralis em Portugal. Estes confrontos geracionais fazem parte da nossa história; eu próprio já estive do outro lado da barricada. Conheço a vontade e a fome de vitória que eles sentem, e sei que tentarão surpreender a qualquer momento. Cada um terá o seu trabalho para traduzir em bons resultados nas especiais e no final do rali. Agora é “cada um por si”. Vou focar-me no que me trouxe aqui: uma boa preparação e uma equipa sólida para garantir um bom resultado”, concluiu.

Já para José Pedro Fontes, a estreia no Campeonato de Portugal de Ralis com o novo Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale é motivo de grande emoção: “Sim, com certeza. A Lancia é mágica. Eu estive sempre ligado à marca; aos 18 anos, o carro que queria era um Integrale. É uma honra confiarem-nos (à Sports & You) uma das primeiras unidades. Será a primeira vez que o carro fará um rali de terra num campeonato nacional. Mais do que responsabilidade, sinto emoção e motivação”, disse Fontes, que depois de oito anos com a Citroën, está motivado para esta nova etapa: “É impressionante sentir o carinho do público. Mesmo estando fora do mercado e dos ralis durante tantos anos, a marca continua a emocionar as pessoas. Recebo muitas mensagens de quem quer ver o Lancia de perto. Isso é excelente para a modalidade. Quanto à competitividade, o carro já provou o seu valor em asfalto no estrangeiro, mas a dúvida é como se comportará em terra. As primeiras sensações na Cabreira foram bastante boas. O Ruben Rodrigues andou muito bem no ano passado e é uma boa referência. Estamos ansiosos por ver onde nos situamos”, disse.

Ricardo Teodósio é outro dos pilotos que muda em 2026. Corria com o Toyota e agora tem um Citroën estacionado em Amarante, ao lado do Lancia de Zé Pedro Fontes: “A Stellantis aproveitou a base excelente do C3 para o projeto Lancia. Nós vamos dar o nosso melhor com o C3. Queremos vencer, mas é apenas o início do campeonato. Os troços estão espetaculares, o tempo ajuda e esta sessão de autógrafos com música dá um ritmo diferente ao início do ano”, começou por dizer Teodósio, que espera muita e boa competição: “Será intensa. Amanhã começa a luta. Eu gosto de todos os ralis e creio que temos condições para lutar pelos lugares cimeiros. Apesar de ter feito poucos quilómetros com o carro, conto com a minha experiência. Já corri com quase todas as marcas; a única que me falta é a Renault, que é a minha marca de eleição, mas agora estamos na Citroën e vamos dar o máximo”, disse Teodósio, que está do lado dos ‘velhos lobos’: “Acho muito positivo ter vindo sangue novo. São jovens com 20 ou 30 anos, enquanto nós já somos veteranos. Temos os novos talentos, como o meu afilhado, Rafael Rego, que corre pela Toyota. Espero que ele tenha um bom ano de aprendizagem, mas que me deixe descansar este ano para eu tentar ser campeão novamente…”

Ruben Rodrigues manteve toda a estrutura e carro de 2025 e, com um ano de experiência, as ambições crescem: “O ano passado foi excelente para aprender. Este ano já não temos terrenos desconhecidos e começámos bem com a nossa máquina (ndr, vitória no Rali Serra da Cabreira). Temos tudo para ser mais competitivos. No ano passado, o objetivo era terminar todas as corridas para consolidar o projeto; este ano, queremos ter uma palavra a dizer. Fizemos um bom pré-aquecimento e estamos prontos. O Rali Serra da Cabreira foi um excelente teste. Começámos com um ritmo muito forte. Estamos cada vez mais integrados com a equipa ARC Sport, que tem feito um trabalho excelente e nos dá muita confiança. O carro recebeu as últimas evoluções da marca e está praticamente “a zeros”. Estamos a postos para lutar por um grande resultado”.

Dois dos nomes mais em foco para 2026 são os dois jovens do Team Hyundai Portugal.

Gonçalo Henriques regressa com um projeto a tempo inteiro, mas com os pés bem assentes: “Ainda há muito para aprender, o campeonato é longo. No ano passado só fizemos três provas. Ainda não conhecemos totalmente o comportamento do carro em todas as condições, por isso o caminho é longo. Queremos lutar pelo título, mas mantendo a nossa melhor versão. O objetivo é ser consistente. Os resultados do ano passado foram excelentes indicadores, mas não podemos facilitar. Temos de trabalhar muito para fazer sempre mais e melhor.” Quanto à prova que tem pela frente, está preparado: “Sentimo-nos confortáveis. O carro é incrível, o melhor que já guiei; dá um prazer de condução fenomenal. Os troços estão muito bem preparados e estão reunidas todas as condições para um grande rali e uma luta intensa.”

Hugo Lopes, seu colega de equipa, parte também para a época com muita vontade de correr atrás do sonho, e velocidade não lhe falta para isso. Tal como Gonçalo Henriques, este ano faz o campeonato inteiro: “É uma oportunidade para projetar o nosso valor. O campeonato é uma prova de regularidade e é importante pontuar sempre, mas estamos com muita ‘fome’ de competição após vários meses de paragem. Estou muito positivo. Logo no primeiro contacto com o carro em terra senti-me muito confortável, algo que não aconteceu no ano passado. Sinto-me rápido e confiante”, disse. E quanto a objetivos: “Queremos entrar da melhor forma. Fizemos ralis de preparação no ‘regional’ onde fomos melhorando. Vamos ver onde nos situamos. O carro é muito mais agradável de conduzir, mas ainda estamos no período de habituação. Ganhar este fim de semana não seria realista dado o nível e a experiência dos meus adversários. Não queremos cometer loucuras; queremos evoluir o nosso ritmo, sabendo que chegar ao topo leva o seu tempo. Se o pódio vier, será uma excelente surpresa.”

Do lado da Toyota, um jovem ‘feito’ Pedro Almeida, e outro, muito jovem, com grande potencial, Rafael Rêgo.

Pedro Almeida foi uma escolha surpresa, mas segura, da Toyota Gazoo Racing Portugal e o seu objetivo é lutar pelo título: “A ideia é exatamente essa. Se seremos capazes ou não, é outra questão. O facto é que nos estamos a dedicar seriamente, a preparar bem as provas com o intuito de fazer o melhor resultado possível logo desde o primeiro rali. O Toyota GR Yaris Rally2 é um carro magnífico, mas muito exigente. Exige muito do piloto e, por isso, precisará de um período de adaptação. No entanto, não vou para o rali com a mentalidade de apenas me adaptar; vou para tentar ser o mais rápido possível, embora tenha noção de que há muito para explorar neste carro.”

Por fim, Rafael Rêgo, que dá os seus primeiros passos nos Rally2, sabendo que o tempo está do seu lado: “Esta será uma temporada de aprendizagem, não de vitórias imediatas. Vou dar o meu melhor, mas o foco da equipa é que eu seja um piloto constante e rápido, dando visibilidade aos patrocinadores. É o meu primeiro ano com o Toyota; quero observar os mais experientes e tentar chegar ao nível deles, mas com calma e sem riscos, para terminar todas as provas.”

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