Alex Zanardi, antigo piloto de Fórmula 1, bicampeão da CART e campeão paralímpico, morreu aos 59 anos. O italiano era “um dos competidores mais admirados do desporto” e um símbolo duradouro de coragem e determinação absoluta.
Nascido em Bolonha a 23 de outubro de 1966, Zanardi construiu uma carreira rara no desporto mundial, primeiro no automobilismo e depois no paraciclismo, depois de sobreviver ao grave acidente de 2001 em Lausitzring, no qual perdeu ambas as pernas.
Da Fórmula 3000 à Fórmula 1
Zanardi começou no karting ainda adolescente e afirmou-se nos monolugares italianos antes de se destacar na Fórmula 3000, onde venceu na estreia em 1991 e terminou o campeonato no segundo lugar. Nesse mesmo ano fez a estreia na Fórmula 1 com a Jordan, substituindo Michael Schumacher no Grande Prémio de Espanha, iniciando uma passagem pela categoria que incluiria também Minardi, Lotus e Williams.
No total, disputou 41 Grandes Prémios e ganhou reputação pela sensibilidade técnica, capacidade de resistência e entusiasmo contagiante pelo automobilismo. Apesar disso, foi nos Estados Unidos que encontrou o período mais vitorioso da carreira.
O auge na CART e o acidente de 2001
Ao serviço da Chip Ganassi Racing, Zanardi impôs-se rapidamente na CART, venceu três corridas na época de estreia em 1996, foi Rookie of the Year e conquistou depois os títulos de 1997 e 1998, somando 15 vitórias na categoria. O sucesso valeu-lhe o regresso à Fórmula 1 com a Williams em 1999, mas a segunda passagem pela categoria terminou sem pontos.
De volta à CART em 2001, a carreira sofreu uma rutura dramática a 15 de setembro, quando um acidente devastador no Lausitzring lhe causou a amputação das duas pernas e quase lhe custou a vida. O que se seguiu transformou a sua história num caso excecional de superação.
Regresso às pistas e ouro paralímpico
Menos de dois anos depois, Zanardi regressou simbolicamente a Lausitzring para completar as 13 voltas que tinham ficado por cumprir em 2001, um momento que se tornou central na construção pública da sua lenda. Regressou depois à competição automóvel com carros adaptados, primeiro no Europeu de Turismos e depois no WTCC, onde conquistou vitórias marcantes, incluindo um triunfo emotivo em Oschersleben, em 2005.
A segunda grande reinvenção surgiu no paraciclismo. Nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, venceu duas medalhas de ouro e uma de prata; no Rio 2016 voltou a subir ao topo com mais ouro e nova prata, reforçando um percurso que o Comité Paralímpico Internacional e várias entidades desportivas passaram a tratar como exemplar.
Uma figura maior do desporto
Em 2020, Zanardi sofreu novo acidente grave, desta vez durante uma prova de handbike na Toscânia, iniciando mais um longo período de reabilitação após lesões severas na cabeça. A FIA sublinhou agora que essa mesma determinação, já visível no pós-2001, voltou a marcar os seus anos finais.
A morte de Alex Zanardi encerra uma vida desportiva incomum, feita de velocidade, perda, reinvenção e regresso. Poucos atletas conseguiram, em modalidades tão diferentes, unir com semelhante força o talento competitivo e a dimensão humana.
O destino tirou-lhe o chão, mas ele devolveu o horizonte a muita gente com o seu exemplo.
Descansa em paz, campeão de todas as estradas, as que se correm com rodas e as que se vencem com a alma.











