A FIA reforçou o enquadramento técnico e regulamentar do desporto motorizado histórico, sublinhando o papel de “guardiã da herança” da modalidade e anunciando a abertura a uma nova janela cronológica de veículos até ao ano 2000. A atualização do Apêndice K, que regula a participação de carros históricos em competição, passa a incluir o chamado período K, entre 1991 e 2000, enquanto nos ralis históricos essa integração começa em 1993, numa aposta que a federação considera já validada pelo forte interesse registado nas primeiras provas.
Arquivos e certificação no centro do modelo
A mensagem foi explicada por Mathias Doutreleau, responsável pelos campeonatos históricos da FIA, que enquadrou a função da federação como central na preservação da autenticidade técnica dos carros. Segundo o dirigente, a FIA consegue certificar a conformidade dos veículos com base no acesso aos arquivos e homologações originais, evitando desvios face ao que os carros realmente foram no seu tempo.
Na leitura da federação, esse controlo é essencial não apenas por razões patrimoniais, mas também competitivas.
Se um carro histórico entrar em prova com uma configuração que não corresponda à sua especificação de época, isso altera o desempenho e compromete a justiça desportiva, ao mesmo tempo que distorce a memória técnica da modalidade.
Nova geração impulsiona interesse pelo período 1990
A principal novidade passa pela abertura a uma nova geração de carros históricos. A FIA considera que o novo período responde à procura de colecionadores e entusiastas mais jovens, que cresceram a ver estes carros competir e que hoje os procuram recuperar e devolver à pista.
Esse movimento, segundo Mathias Doutreleau, já se fez sentir na primeira ronda disputada em Rally Costa Brava, onde o interesse por esta nova fase cronológica foi descrito como muito significativo. A federação mostra-se, por isso, confiante no arranque do novo campeonato pré-2000, que entende estar a crescer depressa e com intensidade competitiva desde o início.
Passaporte técnico mantém-se obrigatório
Para competir, o primeiro passo continua a ser a obtenção do HTP, o passaporte técnico histórico. O documento, pedido através da autoridade desportiva nacional de cada país, obriga ao preenchimento de um dossier de 27 páginas com fotografias e dados técnicos, depois validado pela FIA.
A federação sublinha que este processo é decisivo porque certifica que o carro respeita a especificação exacta do período em que competiu. A nuance é relevante: um carro de 1965 pode ter diferenças importantes face à versão de 1966, e essa distinção deve ser preservada se o objetivo for manter rigor histórico e equilíbrio desportivo.
Segurança moderna para carros de outra era
Apesar da exigência de autenticidade, a FIA deixa claro que os carros históricos não devem competir com os padrões de segurança do passado. A estratégia passa por encontrar um equilíbrio entre preservação e protecção, introduzindo equipamento de segurança moderno de forma compatível com a natureza destes veículos.
Doutreleau sustenta que esse é hoje um ponto essencial da política da federação. A recomendação aos concorrentes é clara: seguir os padrões atuais e as boas práticas definidas para o desporto motorizado histórico, numa tentativa de garantir que a memória da modalidade continue viva sem ignorar as exigências contemporâneas de segurança.
FOTO McKlein













Acho muito bem que os carros tenham as especificações da época.
Por exemplo, um Escort MkI ou MkII c/ caixa sequencial e 320 ou mais cavalos não é um Escort Histórico…
Ter que investir num roll-bar, baquets e cintos recentemente homologados, sistema automático de extinção e utilização obrigatória do Hans já era de esperar…
Concordo com você quando disse que um Escort com caixa sequencial não é um Escort, como os Opel tb