Em entrevista concedida ao AutoSport, há algumas semanas atrás, Nicha Cabral tem uma afirmação muito curiosa, onde refere que o talento de Lewis Hamilton foi “preparado”. Na verdade, a média de idades que cada pilotos ascende à Fórmula 1 tendo a descer de ano para ano, e há casos, em que os degraus de acesso são cumpridos em velocidade cruzeiro. Saiba o que pensa Luís Vasconcelos relativamente à forma como se “fabrica” um piloto potencial campeão em dez anos.
«Como acontece na maior parte das vezes em que fala da Fórmula actual, Nicha Cabral mostrou estar atento ao que se passa dentro e fora das pistas. Hamilton foi, de facto, o primeiro piloto “programado” para ser Campeão do Mundo, pois há mais de dez anos que integra a família McLaren e foi sempre acompanhado a nível físico, técnico e psicológico por gente de créditos firmados, ligados à McLaren e à Mercedes.»
«É evidente que sem um enorme talento de base, nem com todo o apoio do mundo o inglês teria, sequer, chegado à Fórmula 1, quanto mais a vencer quatro Grande Prémios no seu ano de estreia, mas é também indesmentível que os resultados vistos este ano são fruto do muito trabalho de preparação levado a cabo pela McLaren.»
«Ao longo da sua carreira, no karting, na Fórmula Renault, na Fórmula 3 e na GP2, Hamilton dispôs sempre dos melhores meios, correndo pelas melhores equipas e sem nunca ter problemas financeiros, o que lhe permitiu testar o máximo que era permitido pelo regulamento, garantir sempre ao máximo a fiabilidade dos seus monolugares e estar sempre no lugar certo, no momento certo.»
«Nestas circunstâncias, e sendo integrado progressivamente no programa de Fórmula 1 da McLaren, Hamilton foi tendo acesso ao simulador da equipa inglesa, aprendeu pistas, acertos, alterações do comportamento do chassis e tudo o mais que se pode aprender naquele verdadeiro banco de ensaios para pilotos, o que lhe permitiu chegar a Melbourne melhor preparado do que qualquer outro estreante na história da Fórmula 1. Mas sem o seu enorme talento, repito, toda a preparação feita de pouco ou nada teria servido. Por isso, a “programação” deu certo, mas o “projecto de base” também já era bastante bom!»









