Circuito construído sobre um relevo natural, num terreno pantanoso que faz com que o asfalto se apresente pleno de irregularidades (independentemente do trabalho feito pelos organizadores), o Autódromo José Carlos Pace costuma proporcionar-nos corridas emocionantes, porque mesmo na sua versão encurtada – longe do glorioso traçado de quase oito quilómetros que marcou a década de setenta no Mundial de F1 – tem duas secções completamente distintas: da Junção, passando pela reta da meta, S do Senna e até às duas curvas no final do Retão, trata-se dum circuito de alta velocidade com duas fortes travagens; daí para a frente e até à entrada da subida para a meta, é uma sucessão infindável de curvas, que requerem travagens em apoio e constantes mudanças de direção.
Para carros completos
É por isso que é necessário um monolugar sem pontos fracos para se vencer em Interlagos, pois é preciso ter carga e eficiência aerodinâmica, equilíbrio em travagem, boa tração mecânica e também velocidade de ponta. Pelo que se tem visto este ano o Red Bull RB6 é o carro a bater, o que faz com que Webber e Vettel partam para São Paulo na posição de favoritos.
Mas tanto a Ferrari como até a McLaren também já mostraram que em condições de corrida são capazes de colocar os pilotos da Red Bull sob pressão, o que nos faz antever uma boa luta a seis pelas primeiras posições, não sendo também de excluir que Robert Kubica – um pouco abaixo das expectativas na Coreia – consiga imiscuir-se nesta guerra, mesmo sendo improvável que tenha carro para entrar na luta pelo pódio.
Para Vettel, Hamilton e Button só a vitória interessa – apesar de para o Campeão do Mundo em título o triunfo poder ser a forma de se despedir da sua coroa – enquanto Webber e Alonso vão fazer uma corrida de marcação direta, com o australiano a necessitar por todos os meios de bater o espanhol, enquanto para este serve terminar imediatamente atrás do seu rival, exceto se o piloto da Red Bull vencer.
Por isso, para além da emoção que se espera na pista vamos ter muita gente a fazer cálculos volta a volta, pois com 50 pontos ainda por distribuir, a mais pequena alteração de posições pode ter consequências importantes na definição do resultado final do Mundial.
Luís Vasconcelos










