Existe uma clara divisão de opiniões entre os pilotos de Fórmula 1 após a ronda de abertura da temporada de 2026, na Austrália. Enquanto uns criticam a natureza “artificial” das novas regras, outros defendem que o espetáculo melhorou. É muito curiosa esta disparidade, que provavelmente espelha também o que pensam os adeptos.
As principais críticas centram-se na natureza “artificial” das corridas. Quanto à dependência da bateria, pilotos como Ollie Bearman e Lando Norris criticam o facto de a gestão da bateria ditar o ritmo. Bearman descreveu como “ridículo” o diferencial de velocidade ao usar o botão de boost, comparando a dinâmica à Fórmula E.
Como se pode perceber, esse boost, causa uma vulnerabilidade imediata, que antes só sucedia nas retas quando um adversário chegava de DRS aberto. Esteban Ocon e Pierre Gasly lamentam que, ao usar a energia para ultrapassar, o piloto fica imediatamente vulnerável na reta seguinte devido à necessidade de “colher” (harvest) energia, tornando as ultrapassagens inconsequentes.
Por outro lado, há quem fale em falta de diversão: Sergio Perez afirmou que os carros são “muito menos divertidos” de pilotar e que as variações súbitas de velocidade (até 30 km/h de diferença dependendo do uso do acelerador) são difíceis de compreender.
Há mesmo quem insista em preocupações com a segurança devido aos diferenciais de velocidade que podem ser perigosos: Lando Norris alertou para o risco de acidentes graves devido à diferença de velocidade (30 a 50 km/h) quando um carro fica subitamente sem bateria perante outro que vem em pleno ‘deployment’ de energia.
Por outro lado, outra novidade é os monolugares deste ano terem menos aerodinâmica, que agora é ativa e há quem a ache “instável”: Carlos Sainz (representante da GPDA) classificou o uso do ‘Straightline Mode’ (SLM) como “perigoso”, especialmente na primeira volta e em curvas rápidas, onde é difícil controlar o carro no cone de aspiração. Para o espanhol, a aerodinâmica ativa é apenas um “penso rápido” para esconder as limitações de uma fórmula de motores que, por si só, não tem potência suficiente para garantir boas corridas.
Os defensores das mudanças
Mas há também algum otimismo: George Russell (vencedor e piloto da Mercedes) defendeu as regras, sugerindo que as críticas de Lando Norris se devem mais à falta de competitividade da McLaren do que ao regulamento. Russell pede que se dê tempo ao novo formato.
Lewis Hamilton mostrou-se também entusiasta, afirmando que adorou a corrida e que o carro é divertido de conduzir, destacando as batalhas constantes em pista.
Como se percebe, o otimismo ou pessimismo tende a seguir a hierarquia competitiva: pilotos da Mercedes, Ferrari e Audi (marcas com projetos fortes para 2026) são os mais positivos.
No fundo, Charles Leclerc resumiu bem a nova realidade: as ultrapassagens deixaram de ser apenas sobre quem trava mais tarde para passarem a ser um jogo estratégico de “xadrez”, onde cada ativação do botão de boost tem um custo elevado que deve ser calculado com antecedência.
Neste momento, na nossa sondagem, o “Sim, quero ver mais disto” e “Não, isto não parece Fórmula 1” têm sensivelmente a mesma percentagem, sendo que “Ainda estou na dúvida” e “A corrida foi boa, mas os carros não convencem” têm cerca de metade dos votos das duas primeiras opções e percentagens também semelhantes.
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