Fernando Alonso continua discreto em pista e a dar nas vistas sempre que dá uma entrevista. Este fim-de-semana na Rússia até obteve o melhor resultado do ano da McLaren, com um positivo sexto posto. Mas antes veio a público reconhecer que poderia ter assinado pela Red Bull antes do início da etapa dourada da equipa sediada em Milton Keynes.
Apesar de se encontrar muito satisfeito com a sua carreira de piloto e não se arrepender de nenhuma decisão da sua vida desportiva, o espanhol da McLaren reconheceu com tristeza que poderia ter assinado pela Red Bull antes desta vencer quatro títulos mundiais de pilotos e construtores de forma consecutiva.
“Fiz sempre o que considerei correto em cada momento. Se tivesse tomado outras decisões não seria a mesma pessoa. Pilotei para a Renault, McLaren-Mercedes, Ferrari e McLaren-Honda. Quantos pilotos podem orgulhar-se de uma carreira assim? É verdade que poderia ter assinado pela Red Bull quando esta era apenas uma bebida, mas ninguém tem uma bola de cristal”, reconheceu Alonso aos italianos da ‘Gazetta dello Sport’.

“Desde que me fui embora, a Renault ainda não ganhou. Saí da McLaren e, depois do êxito do Hamilton, no ano seguinte, ninguém mais ganhou aqui. E a Ferrari todavia ainda não trouxe nenhum título para casa.” O asturiano voltou a dizer que deixou a Ferrari porque já não era feliz na equipa italiana. “A Ferrari é especial e estará sempre no meu coração. Tenho os seus carros no meu museu e na garagem. Mas permanecer na Ferrari sem ganhar é stressante porque há muita pressão. Após cinco anos, a perspetiva de sete temporadas sem um título era algo que não me fazia feliz”, confirmou.

Nos cinco anos que esteve na Ferrari, Fernando Alonso chegou em três ocasiões à última prova do campeonato com possibilidade de ser campeão. Com base nesse facto, o piloto da McLaren-Honda diz que não vê “nenhum progresso” nesse sentido. “Na Ferrari vivi momentos fantásticos, com amigos e um grande ambiente. O meu sonho era pilotar um Ferrari e consegui realizá-lo, mas chegou o momento de ir-me embora. Pedi a Montezemolo para cortar a nossa relação porque já não me divertia em ser segundo. O ano passado foram terceiros e agora são terceiros”, insistiu.
O espanhol não crê que necessita de ganhar outro mundial para demonstrar que é um campeão: “Entre os meios de comunicação prevalece a lógica do futebol em que só és um campeão se conquistas um título. Gostaria de ter mais troféus, mas não trocaria um único dia da minha carreira. Estou muito feliz assim. Noto ainda que depois da minha passagem pela Ferrari gozo de um respeito maior dentro e fora do paddock, e isso deixa-me muito satisfeito.”
Sobre a segunda passagem pela McLaren, Alonso assegura que muito mudou desde 2007, um ano marcado por uma relação fraturante com Ron Dennis: “Estamos mais calmos e analisamos as coisas de uma forma mais inteligente. Tem agora um papel diferente, mas é um lutador e tem uma pressa desesperada, como eu. É o homem adequado para levar a McLaren e a Honda para a frente, dedicada cada segundo a esse objetivo. Não vai descansar enquanto não tiver êxito. E estarei feliz de ganhar junto a ele.” Alonso termina revelando que continua a confiar no projeto: “Preparo cada corrida como se devesse ganhá-la, esforçando-me em acreditar que é possível”, concluiu.









