A decisão está tomada, Nico Rosberg recebeu o prémio de Campeão do Mundo de Fórmula 1 na gala da FIA que hoje se realiza em Viena e… pôs-se na alheta. Anunciou o fim da sua carreira. Sai em grande, com o título de Campeão, numa decisão que todos estranham neste momento. Mas que é brilhante! Nico Rosberg anda há uma data de anos a “levar na pá” de Lewis Hamilton, ganhou-lhe este ano, com tanto mérito seu, quanto sorte, porque quer queiramos quer não, Hamilton teve problemas a mais para quem quer ser Campeão, e o filho de Keke Rosberg aproveitou bem. Agora, sai em grande, sai no topo, nunca mais ninguém vai poder dizer como seria daqui para a frente, nunca mais vai ganhar um campeonato a Lewis Hamilton (ou a outro qualquer) mas também nunca mais vai perder. É uma decisão, que só por si, vai escrever um capítulo inteiro da rica história da F1, que nos seus 67 anos de história não tem nada, sequer, parecido.
Mas porquê, Nico? Ele explicou, em mensagem deixada no seu Facebook, mas nós e muitos mais acham que tudo isto é muito mais profundo do que parece: “Durante 25 anos de corridas sempre foi meu sonho, o meu único grande objetivo, tornar-me Campeão do Mundo de a Fórmula 1. Tive que sacrificar muito para isso, mas está cumprido, escalei a montanha, cheguei no topo, sinto-me bem. Mas para lá chegar, dei tudo como um louco, não ficou pedra sobre pedra, mas isso teve impacto na minha família, que eu amo muito, foi um esforço enorme para todos nós. Depois da corrida em Suzuka, o título ficou a partir desse momento nas minhas mãos, a pressão aumentou e eu comecei a pensar em abandonar se fosse Campeão do Mundo. De repente, ficou muito claro e a decisão tomei-a logo na 2ª Feira. Agora sinto um grande alívio e depois disto tudo vou abrir o próximo capítulo na minha vida. Vamos ver o que há na loja para mim… ”
Não é fácil interpretar o furacão de emoções por que pode ter levado a um desfecho destes, mas se calhar as coisas são bem mais simples do que parece. Basta olharmos para Fernando Alonso, que há muito colocou como objetivo ser tricampeão e cada vez está mais longe do ser. Provavelmente não serão poucos os pilotos que ao olharem para o que foram as suas carreiras, sentem que deviam ter saído bem mais cedo. Veja-se o caso de Schumacher, o que ele ganhou com o regresso – que se compreende – à Mercedes, depois de anos tão bons com a Ferrari? Ao fim ao cabo Nico Rosberg sai na mó de cima, como Campeão, nunca mais vai sofrer o que sofreu nas ‘mãos’ de Hamilton nos últimos anos, nunca mais vai perder. E convém não esquecer que está na sua 11ª época na F1 e daqui para a frente, sabendo-se que Hamilton é melhor, o mais certo era “não tocar mais na chincha” e por isso, agora, agarrou na “chincha”, e levou-a consigo para casa. Ninguém mais brinca! Covardia? Talvez não, basicamente, sai com um “pássaro na mão” e não mais permitirá “dois no céu a voar”. Voltamos a dizer, é uma decisão brilhante, porque o que se vai falar é do “Campeão que ganhou e disse adeus”.
Nada teve a ver com o que fez Alain Prost, que saiu Campeão em 1993, mas avisou bem antes que assim seria. São bem mais os pilotos que se tentam manter na F1 ‘ad aternum’ do que os que entendem sair, porque querem. Rubens Barrichello levou até ao limite a sua permanência na F1, perdido pela segunda metade da grelha, Schumacher saiu em 2006 da Ferrari, regressou em 2010 com a Mercedes, para conseguir um único pódio em três anos. Não é fácil tomar uma decisão destas, e quer queiramos, quer não, ficará sempre a dúvida se foi corajosa, ou precisamente o contrário…
Curiosamente, não é novidade o Campeão sair da F1. Aconteceu em 1958, quando Mike Hawthorn foi Campeão mas quis sair por causa morte Stuart Lewis-Evans em Marrocos. Em 1973, Jackie Stewart foi-se embora Campeão por causa da morte do François Cévert, Nigel Mansell saiu para a IndyCar, também depois de ter sido Campeão em 1992.








