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MEMÓRIA, Tiago Monteiro: “Pontuar naquela pista, com aquele carro, foi como uma vitória, para mim e para a Jordan”


Quando Monteiro sorriu em Spa! Poucos meses após o ‘Michelin-gate’de Indianapolis, Tiago Monteiro provou que tinha talento para a Fórmula 1 com um ponto arrancado a ferros num dos mais belos circuitos do mundo.

A primeira época de Tiago Monteiro na Fórmula 1 fica marcada por dois momentos: o terceiro lugar em Indianapolis, quando o boicote da Michelin o deixou em luta direta com o companheiro Karthikeyan e os dois Minardi pelo último lugar do pódio; e o ponto conquistado em Spa, sob condições difíceis e num dos circuitos mais exigentes do mundo. “Nos treinos, eu estava algo frustrado porque o piso molhado impedia-nos de fazer o Radillon a fundo. E eu queria mesmo fazer aquela curva a fundo com um V10”, conta o ex-piloto da Jordan-Toyota. “Pouca gente sabe mas na grelha da corrida houve um piloto que não alinhou e eu, erradamente, ocupei o lugar dele. Quando o engenheiro me confirmou que eu estava no lugar errado, eu não disse mais nada no rádio e pelos vistos até hoje ninguém reparou! Arranquei de 18º ecomo percebi que oJordan estava muito confortável com o set-up para molhado/húmido, comecei a passar gente. Lembro-me de passar o Ralf (Schumacher, Toyota) e o Montoya (McLaren-Mercedes). De repente estava no top-10 e já mais para o final toda a gente entrou nas boxes para montar pneus intermédios. Se o carro estava bom, então com os intermédios ficou fantástico. Eu via toda a gente em dificuldades, sem grip, a escorregar, no limite.
Quando cheguei a 9º passei algumas voltas atrás do Trulli (Toyota)e percebi que ele também estava em dificuldades. De repente, cometeu um erro em Les Combes que me surpreendeu e dei-lhe uma pancada que partiu a asa traseira do Toyota e partiu a asa da frente do meu carro. Estava em 8º mas não sabia se a asa aguentaria, mesmo assim continuei a aproximar-me dos pilotos à minha frente. Mais duas voltas e tinha lutado pelo 7º mas foi mesmo um resultado fantástico, que serviu para calar as pessoas que não compreendiam o quanto nós tivemos de lutar com os únicos três pilotos do nosso ‘campeonato’ para o pódio de Indianápolis.”
Hoje, Monteiro afirma que “aquele ponto, naquela pista, com aquele carro e naquelas condições, foi como uma vitória. Para mim e para a Jordan.”