Lando Norris, atual campeão mundial de Fórmula 1 em título, garantiu que a conquista do campeonato do ano passado não alterou a sua essência, mas trouxe-lhe uma nova tranquilidade e confiança ao volante.
Numa entrevista detalhada ao podcast oficial da modalidade, Beyond the Grid, o piloto da McLaren refletiu sobre o impacto do título, a liderança na equipa e os desafios na presente temporada.

O peso do título e a mudança de mentalidade
Aos 26 anos, após duas décadas de dedicação ao automobilismo, Lando Norris alcançou o seu maior sonho, na última corrida em Abu Dhabi. Consequentemente, a pressão deu lugar à serenidade: “Sinto-me mais relaxado porque passei 20 anos a tentar alcançar uma coisa e consegui-o. Posso morrer feliz agora. (…) O campeonato deu-me uma confiança subjacente”.
Apesar do arranque de temporada mais difícil com o novo monolugar MCL40 — incluindo abandonos no Canadá e dificuldades na China —, Norris recusa baixar os braços. O piloto relembrou que passou seis anos com carros pouco competitivos e que está mais habituado a essa realidade do que a vencer.
Deixou ainda claro que a fome de vitórias se mantém intacta: “O sucesso é um vício, é uma droga”.
Lealdade à McLaren e rejeição ao sacrifício de amizades
Questionado sobre a rivalidade histórica e o desgaste nas relações pessoais que frequentemente definem os campeões, o britânico rejeitou a necessidade de uma postura implacável. “Não creio que seja preciso ser uma pessoa cruel, excessivamente agressiva ou egoísta para vencer na Fórmula 1”.
Relembrando o Grande Prémio da Hungria de há dois anos, onde cedeu a posição ao colega de equipa Oscar Piastri, Norris sublinhou o impacto dessa postura ética:”Se eu tivesse ganho essa corrida, a McLaren não teria alcançado o que alcançou nos últimos anos, o que provavelmente significa que não teríamos ganho o campeonato de construtores (…), nem eu teria ganho o mundial de pilotos”.
O piloto expressou o desejo de permanecer na McLaren a longo prazo. “O meu objetivo é estar com a McLaren para sempre”, afirmou, ressalvando que se um dia decidir mudar no futuro distante, só haveria um destino do seu interesse.
Liderança sob a tutela de Andrea Stella
A transformação de Norris como piloto e líder coincide com a ascensão de Andrea Stella a diretor de equipa.
O campeão elogiou a ética de trabalho e a inteligência emocional de Stella na gestão humana. “Cresci 100% como piloto desde que ele se tornou diretor”, admitiu Norris, que se vê hoje num papel de liderança assente em valores genuínos, respeito e cuidado pela equipa, rejeitando o mediatismo vazio em prol de uma vida normal fora das pistas.

As frases mais relevantes:
Sobre a conquista do Mundial e a mudança de mentalidade
“Sinto-me mais relaxado porque passei 20 anos a tentar alcançar uma coisa e consegui-o. Por isso, posso morrer feliz agora, sabem? Esta vida levou a esse único momento e estou muito, muito feliz por ter conseguido.”
“A fome continua lá. Acho que há algumas coisas na vida que, assim que tens a sensação de o fazer uma vez, queres mais. E o sucesso é certamente viciante. É uma droga.”
“Sou realista quanto ao facto de, de momento, não termos uma oportunidade real para competir por poles e vitórias. Se o fizermos, então incrível, mas as minhas expectativas não são essas de momento.”
Sobre companheirismo, ética e o GP da Hungria
“Se eu tivesse ganho essa corrida, a McLaren não teria alcançado o que alcançou nos últimos anos, o que provavelmente significa que não teríamos ganho o campeonato de construtores… o que provavelmente significa que eu não teria ganho o campeonato de pilotos no ano passado.”
“Acho que há momentos em que ajuda. Não acho que precises de ser uma pessoa cruel. (…) Não acredito que precises de ser totalmente cruel ou excessivamente agressivo ou egoísta, ou qualquer uma dessas coisas.”
Sobre o futuro e a lealdade à McLaren
“Para já, estou fortemente comprometido com a McLaren, sendo a única equipa com quem alguma vez vou querer estar. Sinto que eles são a minha família.”
“O meu objetivo é estar com a McLaren para sempre. Mas também adoro vencer. Por isso, até que esse momento chegue, nunca se sabe. Mas mesmo se não estiver a ganhar, sabem, eu não ganhei durante 6 anos. Poderia ter ido para sítios diferentes e não fui.”
Sobre a liderança e Andrea Stella
“Cresci 100% como piloto desde que ele se tornou diretor de equipa. Resposta fácil, fácil.”
“Honestamente, acho que o Andrea é uma das pessoas mais inacreditáveis que alguma vez conheci que consegue gerir uma equipa, tirar o máximo de uma equipa, compreender as pessoas — eu incluído — e saber como extrair o máximo das pessoas.”









