O nível de aderência da pista de Istambul apanhou todos de surpresa até a Pirelli, que após o primeiro dia na Turquia afirmou que os pneus macios eram uma escolha bastante agressiva. Por isso, vimos ontem os pilotos da frente optarem pelo pneu médio no Q2, sendo mais flexível para a própria corrida, no entanto uma única paragem não deverá ser melhor, mesmo com o composto médio na partida. É possível, com um primeiro stint de 20-25 voltas antes de trocar para os duros, chegar ao fim da corrida, mas será um longo segundo stint, exigindo bastante gestão dos pneus por parte do piloto.
Duas paragens parece ser a estratégia mais benéfica, porque na Turquia o tempo de paragem é relativamente baixo, apenas 20 segundos perdidos em condições de corrida normal, podendo baixar para os 14 segundos em condições de Virtual Safety Car ou Safety Car.
Isso iria permitir uma primeira volta de 12-17 voltas, antes de dois turnos de 20 voltas com pneus duros. Como os elevados níveis de aderência – e portanto velocidades de curva mais rápidas – não eram esperados, as equipas não planearam precisar de dois conjuntos de pneus duros para a corrida, e portanto isso não é uma opção para Pierre Gasly, Lando Norris ou Yuki Tsunoda, entre os 10 primeiros.
Tsunoda vai começar a corrida com pneus macios, por isso pode optar por parar entre as voltas 10 e 15, trocar para pneus duros e parar novamente entre as voltas 38 e 43 para terminar a corrida com pneus médios.
Para Gasly e Norris, outra opção é executar uma estratégia semelhante à de Tsunoda. Um primeiro stint de 14-18 voltas, mudar para pneus duros para o meio da corrida e depois um regresso aos pneus médios, por volta da volta 40 até ao fim.
Para quem tem escolha livre de pneus para começar a corrida, partir com pneus duros pode trazer benefícios, porque se degradam menos que os outros compostos, ajudando quando os carros estão mais pesados com o combustível, e se o primeiro stint for suficientemente longo – mais de 30 voltas – podem parar apenas uma vez, para trocar por médios, que com menos peso no carro deverão desgastar menos.
Condições climatéricas levantam dúvidas
O clima já foi preponderante no fim de semana, depois da forte chuva no sábado de manhã e ainda colocou algumas dificuldades aos pilotos na qualificação, com a pista em condições mistas. A chuva também lavou a pista, baixando os níveis de aderência, que estavam bem altos na sexta-feira.
Para hoje, há ameaça de aguaceiros durante a corrida do Grande Prémio da Turquia, começou com probabilidade de 40%, mas tem vindo a diminuir à medida que nos aproximávamos do início da prova, estando no momento em que o artigo é escrito, nos 20%.
A chuva levanta óbvias dúvidas às equipas, principalmente quando passar do pneu intermédio para os de piso seco. Os pneus intermédios funcionaram muito bem no sábado, principalmente em resultado da melhor aderência da pista em relação ao ano passado. Os estrategas adiantam que uma volta abaixo de um minuto e trinta segundos será a altura ideal para trocar de slicks para pneus intermédios.
O cenário contrário, troca de intermédios por slicks é ainda mais difícil de prever, porque a temperatura está mais baixa que na sexta feira e se os pilotos não conseguirem colocar temperatura nos pneus – vimos ontem muita gente com dificuldade – existe o risco de graining, a degradação que afeta a parte externa dos pneus.
O último GP foi marcado pela chuva nos instantes finais da corrida, retirando a oportunidade de Lando Norris conquistar a primeira vitória na Fórmula 1.









