O GP dos EUA deu-nos lutas cozinhadas em lume brando, com as jogadas estratégicas das equipas a ganharem ainda mais importância no Circuito das Américas. Max Verstappen e Lewis Hamilton proporcionaram-nos uma grande luta, muitas vezes à distância, que teve o momento mais alto nas últimas voltas, com Hamilton a tentar ultrapassar Verstappen. O ataque do #44 foi intenso, mas não foi o suficiente para destronar o piloto da Red Bull da liderança da corrida. Verstappen venceu e a Red Bull deu um passo importante neste fim de semana, num terreno onde a Mercedes sempre foi forte.
Lewis Hamilton largou melhor e Max Verstappen apertou tanto quanto pôde o piloto da Mercedes, mas o #44 conseguiu passar para a frente da corrida, com Verstappen e Sergio Pérez no top 3. A luta pelo quinto lugar aqueceu, com Carlos Sainz, Lando Norris e Daniel Ricciardo a dar espetáculo, com vantagem para Ricciardo, seguido de Sainz e Norris. Valtteri Bottas tentava iniciar a sua recuperação, mas Yuki Tsunoda não permitiu que o finlandês passasse para a sua frente.
George Russell foi um dos melhores no arranque e conseguiu ganhar sete posições nas primeiras voltas, depois de largar do fundo da grelha. Menos sorte teve Lance Stroll que levou um toque de Nicholas Latifi, o que motivou um pião do piloto da Aston Martin.
Esteban Ocon foi o primeiro a entrar nas boxes, na volta 4, para trocar de pneus, “calçando” as borrachas mais duras disponíveis para esta prova, aproveitando a troca de asa dianteira depois de um toque com um Alfa Romeo. Latifi também trocou de asa depois do toque com Stroll, com os dois agora a ocuparem os últimos lugares.
Lewis Hamilton começava a pautar o ritmo, mas Max Verstappen seguia o britânico de perto, com Pérez a acompanhar o andamento do duo da frente, num ritmo que os deixava mais longe de Charles Leclerc, em quarto, com Ricciardo nos seus espelhos. Valtteri Bottas não estava a ter um começo de corrida fácil e Pierre Gasly tratou de passar o #77 nas primeiras voltas, despromovendo o Mercedes ao 10º lugar, com o francês a tentar compensar um arranque menos conseguido.
Fernando Alonso também entrou cedo nas boxes para colocar os pneus duros, na volta 8, quando estava na luta com Sebastian Vettel pelo 14º posto.
Na volta 10, Verstappen entrou para trocar de pneus, numa paragem bem executada, tentando o undercut a Hamilton, mas o neerlandês saiu atrás de Leclerc e Ricciardo o que poderia complicar a vida do #33. Hamilton estava contente com os pneus e não parecia ter vontade de entrar tão cedo. No entanto, o ritmo de Verstappen com os novos pneus era claramente superior. Leclerc parou pouco depois, tal como Pérez e Verstappen ficou pista livre para aumentar o ritmo e pressionar Hamilton, o que fez de forma clara. Hamilton entrou na volta 14 nas boxes para trocar de pneus e com isso, Verstappen capitalizou o bom trabalho que tinha feito e passou para a frente da corrida. Pérez era terceiro a cinco segundos de Hamilton e com dez de avanço para Leclerc.
A suspensão traseira do Alpha Tauri de Pierre Gasly cedeu na volta 15, com o francês a dar por terminada a sua participação na corrida, mostrando também a exigência do circuito nos carros.
Na luta pelo terceiro lugar no campeonato, Ricciardo em quinto, estava a dez segundo de Leclerc e passou a estar pressionado por Sainz, isto na volta 22, com os carros da Scuderia a mostrarem mais andamento que os monolugares da McLaren. Um pouco mais atrás, Alonso e Giovinazzi davam espetáculo, com o espanhol a tentar ganhar posição ao italiano, numa luta que aproximou George Russell e Sebastian Vettel, com o alemão a passar o jovem britânico.
Chegávamos a meio da corrida e tínhamos Verstappen na liderança, mas com Hamilton em “full attack”, estando a apenas 3 segundos do líder, depois de ter estado a quase sete. Pérez estava confortavelmente no terceiro lugar, tal como Leclerc no quarto. Ricciardo era quinto, com a pressão de Sainz, Norris estava um pouco mais atrás, seguido de Bottas, Tsunoda e Raikkonen.
Um breve VSC (para remoção de detritos na pista) permitiu a Verstappen ganhar um segundo, com Hamilton a ser atrapalhado por um retardatário, mas o ritmo do britânico era forte e por isso na volta 30, Verstappen fez a sua segunda paragem, enquanto Hamilton recebia a ordem para ficar mais tempo em pista, para tentar um ataque no final da corrida. Hamilton ficava com 16 seg. de vantagem para Verstappen e conseguia manter um ritmo competitivo.
A segunda paragem de Sainz foi mais demorada e a McLaren aproveitou para forçar o andamento para aproveitar o deslize da Scuderia, com a equipa a parar os dois carros, ganhando tempo ao espanhol. Já Leclerc teve uma boa paragem e parecia ter o quarto lugar assegurado.
Na volta 37, Hamilton entrou nas boxes para uma troca de pneus sem problemas, saindo para a pista em segundo lugar, a sete segundos de Verstappen e agora tinha de atacar e alcançar o seu adversário.
A luta pelo quinto lugar começou a aquecer na volta 41, com Sainz a atacar Ricciardo, que se defendeu do espanhol como pôde, numa altura em que Ocon desistiu da corrida.
A dez voltas do fim, Verstappen defendia-se dos ataques à distância de Hamilton, Pérez estava em terra de ninguém , tal como Leclerc, enquanto Ricciardo se defendia de Sainz e Bottas se aproximava do Ferrari do espanhol, com Norris a quatro segundos deste trio, em oitavo. Fernando Alonso desistia da prova, num dia negro para a Alpine, com a asa traseira a ceder ao esforço.
A distância entre Verstappen e Hamilton ia reduzindo, volta após volta e a vitória seria decidida nas voltas finais, com Verstappen a ter de defender-se do ataque do #44. O Mercedes foi encurtando distâncias de forma perigosa para o Red Bull, mas Hamilton nunca conseguiu aproximar-se o suficiente para tentar um ataque definitivo. Chegamos às últimas voltas e Verstappen foi fintando os retardatários, que não o atrapalharam em demasia e manteve-se sempre na frente de Hamilton até ver a bandeira de xadrez. Hamilton contentou-se com o segundo lugar e Pérez completou o top3. Charles Leclerc foi o quarto classificado, à frente de Ricciardo ambos com boas corridas. Bottas conseguiu passar Sainz nas últimas voltas e terminou a corridas em sexto, seguido do espanhol, Norris (corrida algo discreta do jovem britânico), Tsunoda (uma das melhores corridas do japonês este ano) e Sebastian Vettel (boa recuperação final).
Com este resultado, Verstappen consegue afastar-se um pouco de Hamilton nas contas pelo título, a Red Bull consegue uma excelente operação com mais uma dobradinha no pódio e dá um golpe na Mercedes, num terreno de caça que vinha a ser profícuo para os Flechas de Prata. Hamilton conseguiu minimizar as perdas, desenhando uma estratégia que podia dar frutos, provavelmente a única hipótese dada a vantagem teórica da Red Bull, que não se verificou de forma tão clara em pista. Bottas não conseguiu melhor que o sexto lugar o que deixou a equipa a fazer contas. Na luta Ferrari vs McLaren, vantagem novamente para a Scuderia, com Leclerc a fazer uma grande corrida, deixando os principais adversários a milhas, Ricciardo voltou às boas exibições e deu pontos importantes à sua equipa. Sainz teve uma prova positiva, mas perdeu muito tempo nas lutas e não conseguiu mostrar todo o seu andamento. Norris fez uma das exibições mais cinzentas da época, ao contrário de Tsunoda que voltou a mostrar que tem potencial e que se sabe defender muito bem. Vettel leva um ponto para casa, um mal menor para a Aston que voltou a ficar longe do que desejava. A Alfa Romeo chegou a mostrar um ritmo interessante, mas não conseguiu pontos, mas ficou à frente da Williams, sem argumentos para mais. Na Haas o cenário do costume, com Schumacher na frente de Mazepin e na Alpine um dia para esquecer com duas desistências.









