A FIA, as equipas de Fórmula 1 e os construtores de unidades motrizes acordaram um pequeno ajuste aos parâmetros de gestão de energia para a qualificação do Grande Prémio do Japão, com o apoio unânime dos fabricantes. A alteração incide apenas na forma como a energia pode ser utilizada em volta lançada, apenas em qualificação.
Para manter o equilíbrio pretendido entre a gestão de energia e a performance do piloto, o limite máximo de recarga de energia permitido em qualificação este fim de semana passa de 9,0 MJ para 8,0 MJ. Esta mudança resulta do feedback de pilotos e equipas, que sublinharam a importância de preservar a qualificação como um verdadeiro desafio de performance.
Este ajustamento específico é apresentado como parte normal do processo de otimização, à medida que o novo enquadramento regulamentar vai sendo validado em condições reais de corrida.
O organismo regulador, em conjunto com as equipas e os construtores de unidades motrizes, mantém‑se aberto a evoluções na gestão de energia. Estão já previstas novas discussões nas próximas semanas, com vista a continuar a afinar estes parâmetros dentro do atual conjunto de regras.
O que isto significa?
Na prática, esta alteração pretende reduzir o chamado efeito de super clipping, ou seja, a perda de potência no final das retas, quando a bateria deixa de fornecer energia. Sem energia na bateria, o sistema inicia a regeneração, o que a meio da reta se traduz numa redução da velocidade de ponta. Ao baixar de 9,0 para 8,0 MJ a recarga máxima em qualificação, a fase em que o carro força a regeneração de energia nas retas deverá ser menos pronunciada.
As reações dos pilotos a esta medida não foram particularmente entusiasmantes. Charles Leclerc não acredita que esta mudança vá mudar radicalmente o cenário: “Penso que será bastante semelhante, exceto para o piloto, que talvez tenha um pouco menos de lift and coast, o que é uma coisa boa”.
O motivo para esta mudança estará na especificidade da pista japonesa. Lewis Hamilton reconheceu que o trabalho de simulador mostrava que a volta de qualificação não seria agradável: “Mudaram isso para o fim de semana. Quando estávamos no simulador, tínhamos de fazer muito lift and coast, o que é realmente muito desagradável, especialmente numa volta de qualificação.”
Para George Russell, a mudança é negligenciável: “É apenas um detalhe. Não muda nada. A capacidade de recuperação da bateria é menor, por isso precisamos de ser um pouco mais cautelosos com a sua utilização. Esperamos que isso signifique que seremos um pouco mais lentos no meio da reta, mas um pouco mais rápidos no final.”
Num circuito com elevada exigência na gestão de energia, esta afinação é um primeiro passo para melhorar o que tem sido uma das principais dores de cabeça, quer para os engenheiros, quer para a própria F1, dado o descontentamento dos fãs.










