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GP da Estíria de Fórmula 1: Hamilton num universo próprio

José Luis Abreu by José Luis Abreu
13 Julho, 2020
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
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GP da Estíria de Fórmula 1: Hamilton num universo próprio

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Lewis Hamilton saíra do Grande Prémio da Áustria derrotado, depois de não ter mostrado argumentos para Valtteri Bottas, mas uma semana depois, no mesmo circuito, mostrou quem manda na Fórmula 1 e no seio da Mercedes com uma pole-position e uma vitória no Grande Prémio da Estíria que o colocou numa dimensão à parte.

Depois dos problemas com os sensores da caixa de velocidades provocados pelos correctores do Red Bull Ring, a equipa dos “Flechas de Prata” tentava encontrar uma solução para uma situação que esteve muito perto de levar os seus dois pilotos ao abandono na primeira corrida da época.
As medidas tomadas pelos homens de Brackley pareciam resolver o problema, mas o muito calor que se fez sentir na sexta-feira em Spielberg parecia ter um impacto na performance no W11 que não conseguia mostrar o ritmo dominador da semana anterior.
Porém, estava prevista muita chuva para sábado, sendo equacionada até a possibilidade de a qualificação ser realizada no domingo, acabando a terceira sessão de treinos-livres por ser cancelada devido à muita água que alagava o asfalto do circuito da Estíria.
Porém, o tempo foi melhorando muito ligeiramente e a qualificação acabou por se realizar, ainda que com a pista muito molhada, obrigando ao uso de pneus de chuva, e com quarenta e cinco minutos de atraso.
E ainda bem que se realizou, pois permitiu-nos assistir a magia!
Hamilton esteve num universo próprio ao longo da Q3, e na sua volta da pole-position criou as condições necessárias para deixar os seus rivais a mais de 1,2s.


O inglês colocou-se na esteia de outro carro, para que este tirasse água da pista para si, mas sem que o spray levantado fosse um problema, revelando a inteligência dos grandes pilotos. Depois foi o seu enorme talento a trabalhar para uma volta mágica, equilibrando o risco com a precaução numa linha muito ténue – como o pode comprovar Max Verstappen que se despistou na sua última volta lançada – para assinar um tempo que não deixava dúvidas a ninguém e conquistar a sua octogésima nona pole-position.
O holandês da Red Bull garantia ainda assim o segundo posto da grelha de partida, ao passo que Valtteri Bottas era esmagado pelo seu colega de equipa, e não ia além do quarto posto, a mais de um segundo e meio de Hamilton e com Carlos Sainz pelo meio.
Porém, no domingo, dia da corrida, a chuva desaparecera e a calor regressara, condições em que os Mercedes não se mostraram muito confiantes e era preciso ainda verificar a validade das medidas introduzidas para minimizar o impacto das vibrações dos correctores nos sensores da caixa de velocidades, estando Max Verstappen apostado em manter Hamilton sob pressão e explorar qualquer fragilidade.
O arranque correu bem ao inglês que manteve o comando confortavelmente, mas as desventuras dos pilotos da Ferrari, que se anularam na terceira curva, obrigaram à entrada do Safety-Car para limpar os destroços vermelhos que ficaram no asfalto austríaco, oferecendo nova oportunidade a Verstappen de atacar o Campeão do Mundo.
A acção foi retomada na quarta volta e, uma vez mais, Hamilton não oferecia qualquer veleidade ao seu rival, mantendo a liderança sem que Verstappen fosse uma ameaça.
Rapidamente conseguiu cavar uma vantagem de um segundo, ficando ao abrigo do DRS do holandês, aumentando o ritmo na oitava volta, momento em que a diferença para o seu perseguidor aumentou para mais de dois segundos.

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Hamilton imparável
Lewis Hamilton estava uma vez mais num universo diferente dos demais, e foi alargando a distância que o separava de Verstappen que continuava no segundo posto, mas a mais de cinco segundos quando estavam decorridas vinte e três voltas.
Era claro que o holandês não tinha argumentos para o hexacampeão do mundo e tinha de se preocupar com Valtteri Bottas que, depois de se ter visto livre de Carlos Sainz, estavam decorridas cinco voltas, aproximava-se perigosamente do jovem da Red Bull.
Na vigésima quarta passagem pela linha de meta, a equipa da Milton Keynes reconhecia a sua impossibilidade de se bater com Hamilton pela vitória, chamando Verstappen às boxes para evitar o “undercut” de Bottas, que estava já a dois segundos do holandês.
Hamilton, sem ameaças, passou pelas boxes na vigésima sétima volta, para trocar pneus macios por médios, ao passo que o seu colega de equipa, cobiçando o segundo lugar do piloto da Red Bull, alongava o seu primeiro “stint” até à trigésima quarta volta – dez depois de Verstappen ter feito o mesmo – esperando ter pneus mais performantes para a ponta final da corrida.
Depois de montar um jogo de médios da Pirelli, Bottas estava a mais de oito segundos do seu objectivo, obrigando a que realizasse uma segunda metade de corrida a roçar a perfeição.
Verstappen tentou resistir, mas os pneus traseiros do seu monolugar começaram a sentir o esforço, muito provavelmente exacerbado pelos danos que sofrera na deriva direita da sua asa dianteira numa passagem mais vigorosa por um corrector, e começou a sentir a aproximação do finlandês.

Luta pelo segundo lugar
Na sexagésima sexta volta, Bottas lançou o primeiro ataque ao segundo posto, na aproximação à Curva 4, mas Verstappen respondia na curva seguinte, e muito embora o piloto da Mercedes se mostrasse relutante em ceder, o jovem da Red Bull mantinha a vice-liderança por mais uma volta.
Porém, na seguinte, o finlandês assumia definitivamente o segundo lugar no mesmo local, evitando que Verstappen tivesse espaço para a reacção.
Acabava assim a resistência da Red Bull ao ascendente da Mercedes, tendo o holandês terminado a trinta e três segundos de Hamilton por ter parado nas boxes a três voltas do final para montar borrachas macias frescas com o intuito de assinar a volta mais rápida, desiderato que lhe foi negado por Carlos Sainz.
Alex Albon nunca foi um factor na luta pelos lugares do pódio, terminando num desapontante quarto lugar muito longe do seu colega de equipa, tendo ainda sido acossado por Sérgio Pérez, que arrancou de décimo sétimo.
Por seu lado, Hamilton geriu o seu andamento de acordo com as necessidades, mostrando bem que nenhum dos seus perseguidores teria qualquer possibilidade de o suplantar em condições normais.
No final, e apesar de ter estado longe do precisar de atacar, cruzava a linha de meta com mais de treze segundos para Bottas, mantendo a distância para este após as visitas às boxes, muito embora o seu colega de equipa tivesse à sua disposição de borrachas mais frescas, por ter parado mais tarde.
Depois de uma qualificação em que sua inteligência e talento “arrumou” com a concorrência, na corrida assinou uma performance autoritária em que o talento e a capacidade de gestão deixou os adversários sem resposta…
Se este for o Hamilton de 2020, dificilmente não terminará este estranho ano sem igualar os sete títulos de Michael Schumacher.

FIGURA: Lewis Hamilton
Caso Sérgio Pérez tivesse conseguido concretizar a ultrapassagem a Alex Albon, ou mesmo tivesse mantido o quinto lugar, talvez o considerasse o piloto do dia, mas apesar da recuperação, a sua tentativa frustrada em ultrapassar um Red Bull representou um erro que o impediu de vencer a corrida do segundo pelotão. Ao comparar a prestação do piloto da Racing Point com a de Lewis Hamilton, a deste sobressai pela forma autoritária como dominou toda a sua oposição que desde cedo percebeu que nada podia fazer quanto ao ascendente do Campeão do Mundo.

MOMENTO: Qualificação
As ultrapassagens estão longe de ser uma impossibilidade no Red Bull Ring, sendo a pole-position de pouca importância – nas últimas sete edições apenas por três vezes o “poleman” venceu a corrida – mas a performance de Hamilton na qualificação de sábado teve o condão de enviar uma mensagem forte aos seus principais adversários, deixando bem claro que, no domingo, só algo muito estranho lhe poderia roubar a vitória, tal o seu domínio na sessão que definiu a grelha de partida.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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