Tendo e conta todas as ‘nuances’ legais e comerciais que envolvem a compra de uma equipa de Fórmula 1, a FIA, sem intenção de prejudicar todos os elementos da estrutura da equipa, arranjou uma solução para que esta transição se fizesse dentro dos seus regulamentos, ainda que para isso tenha de ter feito uma enorme ginástica.
Esta foi, como se calcula uma situação nova, já que uma nova equipa de F1 tem que se candidatar muito tempo antes de entrar e passar depois por uma série de pressupostos, sendo apenas chancelada no Conselho Mundial da FIA. A última vez que isso sucedeu foi com a Haas em 2016. Só que, o regulamentos da FIA deixaram uma nesga de porta aberta e foi por aí que a FIA e a Force India se… esgueiraram.
Recordemos que a FIA e a Liberty Media tiveram de garantir a correção do processo, sob pena deste ser colocado em causa. É que está aqui envolvido muito dinheiro pelo meio. Há também outras questões legais. Imagine-se um grave acidente envolvendo um Force India?
Certo é que este é uma caso sem precedentes, portanto pode vir a fazer jurisprudência.
Outro ponto que a FIA teve de assegurar é que este caso não sirva como exemplo para uma equipa cheia de dívidas, desapareça e reapareça logo ao lado, e entrar na F1 logo no Grande Prémio seguinte. Livrando-se das dívidas. Nada disso. Os problemas que Vijay Mallya e os seus sócios têm que 14 bancos na Índia mantêm-se.
Na impossibilidade de simplesmente comprar a equipa e manter tudo como está tirando-a de administração legal – os prazos impediam que fosse possível correr em Spa – a solução encontrada foi diferente, daí a compra dos bens da equipa que foi rebatizada com um novo nome.
Assim a Sahara Force India desaparece, mas toda a sua estrutura humana e material mantém-se. Perde logicamente todos os pontos no campeonato de Construtores. Mas não os pilotos.
Depois, a FIA teve que encontrar uma solução para substituir a inscrição da Sahara Force India pela nova Racing Point Force India. Mesmos carros, pilotos, mesma equipa, mesmas pessoas. O regulamento diz que candidaturas fora de prazo (1 novembro 2017 para está época) podem ser aceites. Se houver um lugar livre. O que como se sabe, há. Lawrence Stroll e o seu consórcio têm agora de pagar inscrição à FIA, e embora o valor não tenha sido divulgado, não deve ser pouco, até porque a FIA teve que analisar o plano de negócio do consórcio, e pelos vistos gostou do que viu. Como era esperado face a quem estava envolvido.
Outro caso interessante é o facto do nome Force India se manter juntamente com Racing Point. A Razão é simples. De acordo com os regulamentos, o nome de um monolugar não pode ser alterado no decorrer de uma época. Para além disso o nome da equipa deve incluir o nome do chassis. Portanto, em resumo, o que temos é uma nova inscrição, a Force India perdeu os pontos que até aqui ganhou no Mundial de Construtores.










