Mónaco e Baku, dois traçados citadinos que pouco têm em comum. Mónaco é estreito, com muitas curvas lentas e poucas oportunidades de ultrapassar, para nem falar da falta de retas. Baku parece uma mistura de Mónaco, na parte antiga da cidade, com Monza, um circuito muito rápido.
O circuito azeri tem curvas lentas, travagens fortes, uma (muito) longa reta e zonas de ultrapassagens, como a curva 1 onde se podem ultrapassar 3 carros, como Daniel Ricciardo já mostrou ser possível.
Chegamos por isso ao cerne da questão. A McLaren não tem, à partida, um carro muito propício a curvas estreitas e lentas, por ter um monolugar comprido e uma frente que não o beneficia. No entanto, Lando Norris provou que com conhecimento do carro, as desvantagens naturais podem ser anuladas. No Mónaco controlou as travagens, soube aproveitar as mudanças de condições de aderência e tratou bem dos pneus, anulando assim as dificuldades que a construção do monolugar que lhe deram.
Chegados a Baku, sabemos de antemão que juntando a potência da unidade motriz da Mercedes com o bom trabalho na aerodinâmica do MCL35M feito pela equipa, os monolugares de Lando Norris e Daniel Ricciardo serão rápidos na longa reta do circuito.
Se durante os treinos livres piloto e engenheiros conseguirem negociar entre aquilo que foi feito no Mónaco e a rapidez natural do MCL35M, a McLaren pode surpreender. Mais que os seus adversários diretos, já que estes não têm algumas dificuldades nas retas e nas curvas rápidas, com mais arrasto que os McLaren.
Falta saber como estão os pilotos. Lando Norris deverá estar super motivado pelo desempenho mostrado nas primeiras corridas do ano. Daniel Ricciardo já provou que consegue dar a volta a resultados mais negativos e na antevisão do GP do Azerbaijão o australiano afirmou que esteve a trabalhar com a equipa nas áreas onde sabe que perde para o colega. Veremos como a componente humana, se comporta, mas na teoria a McLaren tem argumentos suficientes para ter um excelente resultado no Azerbaijão.









