Foi nos prometido uma luta renhida pela vitória e as ruas de Baku costumam sempre dar corridas emocionantes, mas desta vez a corrida perdeu algum tempero com as desistências da Ferrari. A Red Bull levou a melhor e foi a clara vencedora, capitalizando ainda mais o bom momento de forma e colocando mais sal nas feridas da Scuderia.
Max Verstappen parecia algo arredado das contas pela vitória, com Sergio Pérez a assumir-se como protagonista no começo. Mas, algo estranhamente, Pérez teve dificuldade em gerir os pneus médios no primeiro stint. Puxou muito para se afastar de Charles Leclerc, e com isso roubou vida útil aos pneus. Verstappen geriu melhor as borrachas e passou o mexicano. Foi o ponto de viragem da corrida para o neerlandês. A partir daí liderou a corrida e a Ferrari nem sequer foi ameaça, com as desistências. Verstappen acabou por ter uma corrida fácil, pois Pérez apresentou-se abaixo do esperado. Não conseguiu gerir os médios e com os duros nunca teve andamento para se chegar ao #1. Contentou-se com o segundo lugar.
A Ferrari tem mais um dia para esquecer. Leclerc está a fazer tudo bem, mas a equipa não tem ajudado, quer com falhas na estratégia, quer com problemas técnicos. A unidade motriz que parecia mais fiável no começo do ano é agora a que mais dores de cabeça está a dar. Leclerc falhou no arranque, mas conseguiu aguentar a pressão de Verstappen e estava na luta pela vitória. Perdeu pontos valiosos e a luta pelo título complica-se. Carlos Sainz não teve o andamento para acompanhar o seu colega de equipa e acabou também fora de prova, para adensar mais a crise na Ferrari, que viu quatro unidades motrizes falharem hoje. É preciso dar a volta à situação depressa pois a Red Bull está muito forte.
George Russell voltou a fazer mais uma grande corrida. Não se deu por ele, mas voltou a estar no sítio certo, à hora certa para aproveitar e subir ao pódio. Já são tantas vezes que não pode ser coincidência. Encontrou um compromisso melhor para o seu monolugar e conseguiu consolidar a sua posição no campeonato e na equipa. Russell é um caso sério e está a prová-lo. Já Lewis Hamilton teve uma corrida de esforço e garra. O carro do #44 sofreu muito mais com o porpoising e as costas do campeão britânico levaram uma grande tareia. Saiu do carro com grandes dificuldades e mal podia andar. Em pista lutou, deu tudo e com uma boa estratégia conseguiu o quarto posto.
Pierre Gasly tentou manter o quarto lugar, mas os pneus novos de Hamilton não lhe permitiram cumprir o seu desejo. Conquistou um excelente quinto posto que apenas não foi complementado por Yuki Tsunoda porque o japonês teve azar e a sua asa traseira cedeu.Tsunoda merecia mais.
Sebastian Vettel fez uma grande corrida e levou a Aston Martin às costas. Errou, e esse erro impediu-o de lutar pelo quarto posto, mas recuperou bem e acabou nos pontos. Quem sabe não esquece, tal como Fernando Alonso que fez uma corrida em esforço. Esperávamos mais da Alpine, mas Alonso conseguiu maximizar o resultado final, com Ocon a terminar também nos pontos com uma estratégia alternativa e difícil de cumprir dadas as lutas em pista.
A McLaren acabou nos pontos, o que parecia ambicioso no final de sexta e até depois da qualificação. Boa corrida de Ricciardo que conseguiu mostrar um bom andamento e andou a morder os calcanhares a Lando Norris. No final as ordens de equipa provocaram alguns desconforto a Norris, mas foi um resultado positivo para a equipa e para Ricciardo que se aproximou do ritmo do seu colega.
Valtteri Bottas ficou às portas dos pontos mas esperava-se um pouco mais da Alfa Romeo este fim de semana, Alex Albon foi 12º em mais uma corrida interessante do tailandês, Mick Schumacher cumpriu o objetivo de evitar os problemas e ganhar alguma confiança e Nicholas Latifi voltou a ficar no final da tabela dos pilotos que viram a bandeira de xadrez.
Na próxima semana, novo destino com o regresso ao traçado Gilles Villeneuve.










