Max Verstappen é um grande campeão, como seria Lewis Hamilton, e o facto do campeonato ter sido somente decidido na última volta, era o que todos desejávamos, a única coisa que foi pena é o facto de duas decisões dos Comissários Desportivos/Direção de Corrida, tenha conseguido deixar zangadas tanto a Red Bull como depois a Mercedes. E esta protestou no final, portanto vamos ter história, se calhar até 2022…
Ser Comissários Desportivo/Diretor de Corrida hoje em dia na Fórmula 1 é um trabalho muito ingrato e neste momento não temos ainda a certeza – tudo o que se passou vai ainda fazer correr muita tinta – que foram decisões bem tomadas. As decisões tomadas na 1ª volta e na última, foram controversas, e irão ser, naturalmente, escalpelizadas nos próximos dias.
Provavelmente vamos encontrar muita gente a favor delas, outros tantos contra, e ter visto Toto Wolff tão zangado, era quase certo que a Mercedes iria protestar, como protestou, a decisão de Michael Masi/Comissários deixar passar o Safety Car, os carros que estavam entre Hamilton e Verstappen.

Esquecendo para já a justeza, ou não, dessa decisão a verdade é que a Red Bull fez tudo o que podia fazer em termos estratégicos, depois de ter percebido que em condições iguais (mesmos pneus com níveis de utilização semelhante) não tinha andamento para o Mercedes de Lewis Hamilton.
E mesmo tendo feito tudo, não estava a ser suficiente e a poucas voltas do fim, Christian Horner, aos microfones da Sky F1 dizia: “precisamos de um milagre”. E teve-o. Nicholas Latifi bateu, o Safety Car teve que entrar em pista para ser retirado o carro e quando o processo se concluiu, faltavam duas voltas para acabar a corrida.
Antes, a Red Bull levou Verstappen às boxes para colocar novos pneus macios, enquanto Hamilton ficou em pista na liderança, para manter a posição, mas com os pneus velhos.
Entre Hamilton e Verstappen, havia cinco carros na fila atrás do Safety Car, mas a direção de Corrida instruiu esse grupo a passar o Safety Car e a juntar-se à parte de trás da fila, na penúltima volta e que recriou o Hamilton-Verstappen, para o recomeço final.
No meio de protestos de um furioso muro de boxes da Mercedes, face ao Diretor de corrida, Michael Masi, a corrida recomeçou na 58ª e última volta da corrida e Verstappen aproveitou os melhores pneus para ultrapassar Hamilton por dentro na Curva 5, vencer e ser campeão.
A Red Bull teve muita sorte com esta decisão, pois com cinco carros entre Hamilton e Verstappen, e apenas com uma volta pela frente, seria difícil ao neerlandês ter tempo para passar todos os adversários à sua frente.
É esta decisão de Michael Masi/Comissários Desportivos, que vai ser muito comentada nas próximas horas e dias, pois foi essa decisão que abriu uma janela de oportunidade a Verstappen e à Red Bull, que não foi desperdiçada.

Todos desejávamos que não houvesse incidentes nesta corrida que pudessem manchar a luta pelo título, tivemos tudo, não esperávamos era que Michael Masi/Comissários Desportivos tivessem um papel tão forte no desfecho.
A verdade é que um título Mundial de Fórmula 1 ser decidido nas últimas curvas da última volta da última corrida do ano é apropriado.
Muitos podem dizer que a FIA ( Michael Masi/Comissários Desportivos) favoreceu Hamilton aquando do primeiro incidente em que Max Verstappen travou tarde na 1ª volta e levou Lewis Hamilton a ter que sair de pista para o evitar, seguindo pela escapatória, reentrando bem na frente de Verstappen. Masi disse que Hamilton ‘devolveu’ a margem que ganhou com a passagem pela escapatória, muitos duvidam disso, mas Sergio Pérez escreveu direito por linhas tortas ao suster Hamilton por um bom bocado, permitindo a Verstappen colar-se novamente à traseira do Mercedes.
Depois, no Safety Car resultante do incidente de Latifi, Michael Masi tudo fez para que ainda sobrasse tempo para haver corrida, luta. E foi o que fez. O problema é que foi comunicada uma coisa, que surgiu nos ecrãs na volta 56 “Lapped cars will not be allowed to overtake”, o que significaria que iria haver cinco carros entre Hamilton e Verstappen quando recomeçasse a corrida.
O engenheiro de Verstappen disse-lhe isso na rádio, e a resposta do piloto foi “Pois claro, decisão típica… não é uma surpresa”. Christian Horner contactou Michael Masi, mas esse pediu-lhe tempo para “esclarecer umas coisas com os Comissários”, mas pouco depois, aconteceu o contrário, pois surgiu uma mensagem da Direção de Corrida, a referir que os cinco carros podiam passar o Safety Car, e com isso Verstappen ficou na traseira de Hamilton.

A corrida recomeçou momentos depois e Verstappen depressa passou Hamilton, cortou a meta em primeiro e sagrou-se Campeão. Um campeão merecido, uma brilhante ultrapassagem na última volta, mas com muita coisa errada fora do âmbito dos dois pilotos e das duas equipas.
O árbitro, era quem menos precisava de ter protagonismo. Mas teve-o. A Mercedes já apresentou dois protestos à FIA sobre tudo o que se passou no final. Agora, vamos precisar de respostas.
Tal como dissemos antes, o argumento deste campeonato deve ter sido escrito por um argumentista muito bem versado em drama.
Esperemos que as decisões tenham sido bem tomadas, e que possamos lembrar por muitos e bons anos aquela luta em pista, que, sabemos, foi desigual por causa dos pneus. É uma pena que o foco não fique agora todo em Max Verstappen e no seu feito, mas sim nas decisões que tomaram Michael Masi e os Comissários.










