Depois de quatro temporadas numa deriva de perda de competitividade, para 2018 a Williams alterou radicalmente o conceito do seu carro, o FW41 Mercedes, esperando poder inverter essa tendência
Longe vão os anos em que a equipa de Sir Frank Williams dominava a Fórmula 1, levando até que Ayrton Senna afirmasse que, para a formação inglesa pilotaria de borla, na ânsia de conseguir colocar as mãos num daqueles inacessíveis bólides com suspensão ativa e os extraordinários motores V10 da Renault.
Em 1997 Jacques Villeneuve ofereceu à Williams o seu derradeiro título, ao passo que a última vitória, enquanto verdadeira contendora – o triunfo de Pastor Maldonado no Grande Prémio de Espanha 2012 foi um episódio único – remonta a 2003, ainda pelas mãos de Juan Pablo Montoya em Interlagos.
Com a introdução das unidades de potência, em 2014, a formação de Grove voltou a subir na tabela classificativa, terminando no terceiro posto do Campeonato de Construtores, resultado que repetiu no ano seguinte, apesar de ter perdido 63 pontos de uma temporada para a outra.
No entanto, a subida de forma da Williams, apesar de um chassis competente e fiável, deveu-se mais ao facto de ter as unidades de potência da Mercedes, as dominantes da atual era, e aos falhanços da Ferrari e da Renault, que a um verdadeiro regresso da equipa de Grove aos seus dias gloriosos.
Quando estas duas marcas acertaram nas exigências para serem, minimamente, competitivas no palco dos turbohíbridos, a equipa britânica viu-se relegada para um posto secundário, inclusivamente, sendo batida pela Force India, que tem também ao seu dispor os motores do construtor germânico.
Desde 2014 a Williams perseguiu uma via de baixo arrasto aerodinâmico, que resultou bem nas duas primeiras épocas, mas foi perdendo validade, o que obrigou a que no ano passado os homens de Grove fossem obrigados a aplicarem-se para poderem manter o quinto lugar na competição de construtores, a uns massivos 103 pontos da sua rival de Silverstone e com menos 55 que os que conseguira em 2016.
Era evidente a necessidade de mudar todo o conceito.
UM NOVO CONCEITO
Na verdade, a própria equipa sabia que 2017 seria um ano de sacrifício com uma filosofia que não estava ajustada às necessidades, uma vez que o homem que iria liderar o departamento técnico de modo a poder percorrer novos caminhos, Paddy Lowe, só no início do ano passado ficou disponível para ingressar em Grove, demasiado tarde para ter qualquer impacto no FW40.
Porém, o monolugar deste ano foi concebido a todos os níveis de acordo com a visão do homem que foi um dos mentores do sucesso que a Mercedes goza na ‘Era Turbohíbrida’. “O carro tem diversas novas características, a maior parte delas não são óbvias, mas externamente a equipa perseguiu um conceito aerodinâmico diferente, que nos permitiu alguns progressos na performance aerodinâmica”, admitiu o técnico inglês, que acrescenta: “Todos os carros de Fórmula 1 são uma evolução do que foi feito anteriormente, até certo ponto, mas o FW41 envolve a desistência de algumas direções que foram tomadas no passado. No geral, a filosofia que estamos a ver emergir é uma nova abordagem a uma colaboração entre a aerodinâmica e o design para alcançar um resultado de funcionamento ótimo.
A aerodinâmica, estrutura e peso são os principais pontos de equilíbrio a ter em conta quando se concebe um carro de Fórmula 1, e todo o trabalho, untamente com um número de alterações radicais ao packaging para incorporar mais desenvolvimentos oriundos da Mercedes HPP, trouxe-nos até ao FW41.
Esperamos que o carro realize um pro gresso no que diz respeito à performance relativamente a 2017”.
Um dos problemas crónicos da Williams ao longo dos últimos anos, quase desde que Adrian Newey deixou a equipa para se juntar à McLaren em 1997, é a falta de sofisticação aerodinâmica, tendo deixado de ser uma equipa líder para ser uma seguidora.
Lowe aponta que todos os objetivos colocados pelos técnicos da Williams foram alcançados e já superados, muito embora seja rápido a desvalorizar falsos otimismos. “De forma geral, alcançámos os objetivos que nos colocámos internamente, mas estamos a dar o máximo até ao último instante. Chegámos à fase em que estamos a encontrar soluções no túnel de vento e questionamos-nos: Conseguiremos levá-las para a primeira corrida? Conseguimos chegar aos objetivos de performance a que nos colocámos, mas temos que fazer algumas ressalvas. Serão esses objetivos suficientemente ambiciosos e transferir-se-ão para a pista? Isso terá ainda que ser verificado. Uma das coisas que podemos medir é na performance absoluta. Portanto, apesar de relutantes em apontar que queremos o terceiro lugar, ou quarto ou quinto, dado que não conseguimos prever o que os outros fizeram, gostaríamos de verificar um ganho de tempo por volta relativamente aos autores das pole-positions do ano passado”, enfatizou Lowe.
Apesar da moderadamente confiante, o técnico inglês não se atreve a apontar um objetivo claro, muito embora o quarto lugar no Campeonato de Construtores esteja sempre presente.
Lowe está consciente de que a Mercedes, a Red Bull e Ferrari estão fora do alcance da Williams, mas por outro lado admite que na próxima temporada a luta pela melhor posição atrás das ‘Três Grandes’ será ainda mais intensa e com a possibilidade de surgirem novos contendores. “Esperamos estar lá em cima, mas reconhecemos que será consideravelmente mais duro em 2018. Obviamente que as três equipas da frente estão estabelecidas numa boa posição. Temos a Force India que realizou um trabalho fantástico e bateram-nos no campeonato. Temos também a McLaren com um novo motor: serão uma ameaça. E temos a Renault a emergir. Portanto, são já seis equipas das nove com as quais estamos a competir. Não assumimos nada como adquirido.”

PILOTOS INEXPERIENTES
A Williams, desde há longos anos, que é uma equipa que relegou a importância dos pilotos para segundo plano, fruto de lutas fratricidas que a levaram a perder títulos – primeiro entre Alan Jones e Carlos Reutmann, em 1981, e, depois, entre Nelson Piquet e Nigel Mansell, em 1987 – levando a que Frank
Williams centrasse os seus recursos em assegurar monolugares competitivos para depois ter uma fila de pilotos a bater-lhe à porta.
No entanto, este ano, na opinião de alguns, a formação de Grove foi demasiado longe, mantendo Lance Stroll, que realizará em 2018 a sua segunda temporada, e substituindo o veterano Felipe Massa, que foi empurrado para a reforma, por Sergey Sirotkin, um estreante.
A Williams terá, assim, uma das duplas mais inexperientes do plantel, só superada pela da Scuderia Toro Rosso, porém, Claire Williams, regressada da sua licença de maternidade, mostra-se encorajada com os seus recrutas. “Estou entusiasmada por voltar a apresentar o nosso novo carro, para uma nova temporada, com uma nova e excitante dupla de pilotos. Ao longo de muitos meses, a equipa efetuou um esforço tremendo com o FW41 e estou ansiosa por ver o Lance e o Sergey a correr”, afirmou a Chefe de Equipa da estrutura britânica.
Stroll, depois de uma época de estreia em que progrediu e aproveitou as oportunidades que se lhe depararam, conquistando um pódio no ´Casino’ que foi o Grande Prémio do Azerbaijão, será este ano o líder em pista da Williams, mas muito embora se mostre entusiasmado com a época que se avizinha, evidencia-se muito comedido: “Antes de qualquer nova temporada existem sempre muitas questões por responder, o que torna tudo muito mais interessante. Após uma temporada com a equipa, mal posso esperar por voltar à pista. Estou entusiasmado e otimista com o carro que a equipa construiu. O ano passado foi de profunda aprendizagem para mim, agora mal posso esperar o que me reserva 2018”, apontou o canadiano de 19 anos.
Sirotkin assegurou o lugar deixado vago por Massa no ’último grito’, depois de um teste em Abu Dhabi em que, segundo os responsáveis da equipa, se mostrou mais consistente que Robert Kubica, a quem o volante parecia inicialmente destinado. Segundo diversas fontes, a decisão pelo russo deveu-se
aos muitos rublos do jovem apoiado profundamente pelo SMP Bank, cujo logo se vislumbra no FW41 Mercedes. Claro que a Williams nega categoricamente que a escolha de Sirotkin se deva a questões financeiras, mas o piloto de 22 anos terá uma enorme pressão para se ver livre da etiqueta de ‘piloto-pagante’.
Para o russo é tudo novo, apesar de ter sido piloto de desenvolvimento da Renault, mas mostra-se determinado e garante estar a ser bem integrado no seu no novo ambiente. “Estou verdadeiramente entusiasmado para esta temporada e a preparar-me para a temporada da melhor forma possível”, assegurou o novo recruta da Williams.










