Gene Haas entrou no mundo dos Grandes Prémios em 2016 para promover a sua marca – uma companhia que constrói máquinas CNC na Califórnia – numa plataforma global, depois de ter conquistado toda a América do Norte, México incluído, com o intuito de se afirmar como uma companhia de produtos premium. “As pessoas veem o que podemos fazer na Fórmula 1 e acreditam que a Haas Automation consegue construir máquinas industriais de nível mundial”, disse o americano, cuja equipa é a primeira oriunda dos Estados Unidos da América desde 1986, continuando: “Ser um concorrente na Fórmula 1 oferece-nos um nível de credibilidade que não alcançamos através da publicidade tradicional.”
No entanto, habituado a vencer corridas na NASCAR, onde possui igualmente uma equipa, o Gene Haas, um homem conhecido pela sua constante atenção ao mais ínfimo detalhe e para quem o trabalho está sempre por acabar, não está na Fórmula 1 apenas para marcar presença, querendo mais, que continuar a terminar no 8º posto.
A época de estreia da Haas pode ser considerada um sucesso, tendo terminado no 8º lugar do Campeonato de Construtores, somando 29 pontos. Em 2017 aumentou o seu pecúlio para 47, mas manteve a mesma posição na tabela classificativa. No entanto, o facto de ter ultrapassado a sua segunda
temporada – a mais difícil para uma jovem equipa, uma vez que enfrenta pela primeira vez a dura realidade de conceber um novo carro enquanto desenvolve outro – sem uma quebra competitiva, diz bem da resiliência da estrutura, que tem na Dallara o seu parceiro no campo do chassis e a Ferrari na área das unidades de potência, periféricos, suspensões e caixa de velocidades.
No entanto, em 2018 a Haas F1 Team voltará a passar por um duro teste e o 8º posto no Campeonato de Construtores está longe de estar assegurado, dada a esperada subida de forma da Sauber, que terá V6 turbohíbridos semelhantes aos da estrutura de Kannapolis, e, sobretudo, da McLaren, ambas batidas pelos americanos em 2017.
Talvez consciente de que a próxima temporada, apesar da estabilidade regulamentar, será determinante para afirmar a equipa num mundo extremamente exigente, Haas, ainda antes da revelação das fotos da sua nova máquina, deixou alguns avisos: “Parece que todos (ndr.: todas as equipas) vão melhorar. Identificámos os nossos pontos fracos e eu e o Guenther (Steiner) tivemos uma conversa honesta na Cidade do México sobre a direção que temos que tomar e a forma como vamos melhorar”, afirmou o americano, que avisou: ”Não é segredo que usamos muito equipamento da Ferrari, portanto, ela é o nosso ponto de referência. Temos que estar a meio segundo dos Ferrari para sermos competitivos. O ano passado não estivemos. Diria que estivemos entre um segundo a um segundo e meio dos Ferrari. No geral, talvez tenhamos estado a dois segundos da pole-position, portanto, temos que recuperar um segundo para sermos
competitivos.”

EVOLUIR EM VEZ DE REVOLUCIONAR
Depois de ter construído dois carros com conceitos completamente distintos nos últimos dois anos, fruto de um novo regulamento, o VF-18 é uma evolução do seu antecessor, com a integração do dispositivo de proteção da cabeça dos pilotos. “A maior parte da evolução do carro deve-se à introdução do Halo”, afirmou Guenther Steiner, o chefe de equipa da Haas F1 Team, acrescentando: “Os aerodinamicistas tiveram que realizar alguns estudos, mas os designers tiveram que trabalhar arduamente para modificar o chassis para que o Halo pudesse suster as forças exigidas. O peso mínimo do carro foi aumentado,
devido ao Halo, e tem um centro de gravidade mais elevado simplesmente devido ao posicionamento do Halo. Mas todos estamos no mesmo barco.”
O italiano aponta que o determinante para que a equipa possa progredir em 2018 face à temporada passada será a capacidade que a Haas terá que evidenciar para extrair todo o potencial do seu monolugar: “O nosso carro de 2017 era bastante bom, mas nem sempre tirámos dele o seu máximo, e esse é o nosso
objetivo de 2018. Tornámos o carro o mais leve possível de modo a poder ter o máximo de lastro. Conseguimos realizar um bom trabalho de modo a podermos colocar peso onde desejarmos”, afirmou Steiner, que voltará a ter como pilotos Romain Grosjean e Kevin Magnussen.









