Fórmula 1: estatísticas e curiosidades do GP da Alemanha

Por a 24 Julho 2018 18:54

Sabia-se que a Ferrari, depois da vitória em Silverstone, mantinha a mão na liderança estando em vantagem na Alemanha para alargar a sua vantagem face a Hamilton e à Mercedes. Os adeptos da Ferrari e de Sebastien Vettel exultaram com o problema hidráulico no Mercedes do campeão do mundo e mantiveram o registo até Vettel cometer o pecado capital e depositar na escapatória da zona do Motodrom todas as possibilidades de se manter na frente do campeonato. Para piorar as coisas, a vitória caiu no colo de Hamilton e Raikkonen não foi capaz de ir além do terceiro posto.

Desgraça! A Ferrari perdia o comando dos dois campeonatos para desagrado dos “tifosi” de todo o mundo, Portugal incluído. Felicidade suprema para os adeptos da Mercedes e de Lewis Hamilton que assistiram a um milagre, não de fé, mas quase!, tal o agradecimento que o britânico fez ao ser superior, fé  desconhecida até ao momento.

Naturalmente que os milagres não acontecem e o que sucedeu na Alemanha foi outra coisa. Vettel esteve soberbo durante 50 voltas – mesmo descontando a pequena briga com a equipa para que Raikkonen o deixasse passar – e a sua estratégia parecia a correta. Maldita chuva, pensam agora os adeptos do alemão que cometeu um pequeno erro à entrada do Motodrom com consequências quase catastróficas. De tal ordem que a onda de choque do impacto do Ferrari SF71H na barreira de pneus da Sachs Kurve, chegou a Itália qual tsunami. O sino não tocou em Maranello, mas muitos “tifosi” queriam dar-lhe com o sino na cabeça e até os órgãos de comunicação social não se coibiram de questionar tudo e todos, colocando até em causa a qualidade do quatro vezes campeão do Mundo.

Ou seja, um pequeno aguaceiro – que a Mercedes viu ao mesmo tempo da Ferrari, que seria passageiro e nem requereria a troca para pneus intermédios – mudou tudo e para que não ficassem dúvidas, o Safety Car e as ordens da Mercedes, asseguraram que o Campeão do Mundo sairia de Hockenheim com a liderança do campeonato no bolso. Chuva que permitiu à Pirelli, graças à contribuição disparatada da Toro Rosso (que, inopinadamente, montou pneus de chuva intensa no carro de Pierre Gasly), ter os cinco tipos de pneus disponíveis na Alemanha ao mesmo tempo em pista.

Para os que não sabem, esta foi a quinta mudança de líder no campeonato. Começou com a liderança de Vettel da Austrália até ao Azerbaijão, quando Hamilton tomou conta da cadeira de líder. O alemão voltou ao comando no Canadá, perdendo a liderança para o britânico em França. Regressou Vettel ao comando na Áustria e agora foi Hamilton quem superou o homem da Ferrari no final do GP da Alemanha. Ufa! Cinco mudanças de líder em onze corridas, entre dois pilotos. Sabe quantas vezes isso já sucedeu e qual foi a última vez?

Temos de recuar até 1997 na luta pelo título entre Michael Schumacher e Jacques Villeneuve, ano em que David Coulthard parecia poder intrometer-se nessa luta, mas acabou por “desaparecer” face ao duelo entre o alemão e o canadiano que alternaram seis vezes na liderança até que o título verteu a favor de Jacques Villeneuve.

Mas se vasculharmos ainda mais nos arquivos e na estatística da Fórmula 1, descobrimos que, em 2000, existiu um maior número de mudanças de líder do campeonato, mas entre mais pilotos. Foram seis pilotos andaram a jogar o jogo das cadeiras – Felipe Massa, Fernando Alonso, Jenson Button, Lewis Hanilton, Mark Webber e Fernando Alonso, passaram pela cadeira de líder com a décima mudança a acontecer na derradeira corrida, no AbuDhabi, com Sebastien Vettel a sentar-se na cadeira do título.

Curiosamente, parece que se instalou uma maldição entre os vencedores de corridas. Não acreditam? Então, Lewis Hamilton venceu em França e abandonou no RedBull Ring, onde ganhou Max Verstappen. O holandês abandonou em Silverstone onde ganhou Vettel, que acaba de abandonar na Alemanha, onde ganhou… Hamilton. Ou seja, se a maldição se mantiver, o piloto da Mercedes abandona na Hungria. Coisas da estatística… E para adensar essa teoria, posso dizer-lhe que desde o GP de Espanha, nenhum piloto foi capaz de ganhar duas corridas!

Mas há mais números engraçados que podemos recordar, vasculhando na história da Fórmula 1, pois este GP da Alemanha – que parece ter sido o último já que nem aparece no calendário de 2019, tendo a Liberty já comunicado que não vai haver Miami em 2019 e por isso só haverá 20 corridas no próximo ano – foi fértil neste aspeto graças à inesperada vitória de Hamilton.

Sabia que apenas 11 pilotos venceram corridas de Fórmula 1 saindo de 14º lugar ou pior na grelha de partida? O recordista foi John Watson que ganhou o GP de Long Beach em 1983 saindo do 22º lugar da grelha. Já agora dizer que Lewis Hamilton nas suas 65 vitórias antes da Alemanha, largou para a corrida sempre das três primeiras filas da grelha de partida.

E sabia que Lewis Hamilton ganhou todas as corridas (são 9) que tiveram chuva ou foram apoquentadas pela chuva? Aqui fica a lista: Japão 2014, Inglaterra 2015, EUA 2015, Mónaco 2016, Inglaterra 2016, Brasil 2016, China 2017, Singapura 2017 e, agora, Alemanha 2018.

O acidente de Vettel na sua terra natal parece que estabelece um padrão. Os pilotos nascidos no país onde se desenrola a prova não têm tido sorte nenhuma: Charles Leclerc abandonou no Mónaco, no Paul Ricard os pilotos franceses ficaram fora dos pontos (Romain Grosjean foi 11º e Esteban Ocon e Pierre Gasly abandonaram), em Inglaterra o acidente com Kimi Raikkonen impediu Hamilton de lutar pela vitória e, agora, Vettel despistou-se na Sachs Kurve quando liderava.

E a propósito de Vettel, dizer que o piloto alemão era o único que até agora tinha completado todas as provas de 2018. O despiste do alemão acabou com esse recorde e todos os pilotos têm, pelo menos, um abandono.

Contas feitas, apenas a McLaren e a Williams saíram da Alemanha sem pontos, numa corrida que viu Kimi Raikkonen dar á Finlândia o seu 200º pódio, o 98º da carreira do campeão do mundo de 2007, que assim ultrapassou gente famosa como Fernando Alonso, estando agora atrás de Michael Schumacher (155 pódios), Lewis Hamilton (125), Alain Prost (106) e Sebastien Vettel (105).

Curiosamente, Daniel Ricciardo foi eliminado em sete das últimas 15 corridas, seis vezes por falha técnica e uma devido à colisão com Verstappen. E aqui fica uma estatística que mostra como a Williams está mesmo na mó debaixo: desde o GP dos EUA de 2015 que a Williams conseguiu levar, pelo menos, um carro até final. No GP da Alemanha terminou esse recorde de longevidade, pois ambos os FW41 Mercedes abandonaram.

Na Sauber, o último piloto que largou dentro do top da grelha de partida antes de Charles Leclerc foi Nick Heidfeld, piloto alemão que esta temporada bateu dois recordes. Na Fórmula 1 é o piloto que mais pódios tem sem nunca vencer, na Fórmula E, que terminou nos Estados Unidos, é também o piloto com mais pódios sem vitória, um total de oito.

Finalizo com duas estatísticas interessantes: sabia que Michael Schumacher (91), Lewis Hamilton (66), Sebastien Vettel (51), Alain Prost (51) e Ayrton Senna (41) perfazem um total de 300 vitórias em conjunto? E que a McLaren marcou 40 pontos nas primeiras cinco corridas e apenas 8 nas seis provas seguintes?

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