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Flavio Briatore, o regresso, as ambições e: “o trabalho feito em 10 anos na F1 é inacreditável…”

José Luis Abreu by José Luis Abreu
2 Junho, 2025
in Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1, Newsletter, Newsletter destaque
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Flavio Briatore, o regresso, as ambições e: “o trabalho feito em 10 anos na F1 é inacreditável…”

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Flavio Briatore, agora conselheiro executivo da Alpine, está de volta ao paddock da Fórmula 1 – já há algum tempo – e, com a sua experiência e visão únicas, fruto da sua longa experiência, não hesita em abordar os desafios e as grandes ambições da equipa. Frontal como sempre – muitas vezes, demais – Briatore partilha as suas perspetivas sobre o progresso atual da Alpine, a procura por um novo líder e os planos audaciosos que tem de levar a Alpine à disputa do título mundial até 2027.
Quanto ao progresso da Alpine e ambições futuras, Flavio Briatore, que está no cargo há 10 meses, reconhece que a equipa “não é competitiva de momento”. Pretende que esta seja competitiva até 2026, com o objetivo de disputar um título mundial em 2027, salientando que a equipa precisa de um “sonho” desse calibre como objetivo.
Como se sabe, a Alpine está ainda à procura de um novo chefe de equipa após a recente demissão de Ollie Oakes, sublinhando a necessidade de alguém “bom” que “compreenda” e “queira fazer parte da equipa”.
Briatore acredita ainda que é difícil avaliar o verdadeiro nível de um piloto sem que este guie um carro competitivo, o que implica que o potencial de Pierre Gasly como campeão do mundo ainda não pode ser totalmente avaliado.

Sobre o seu tempo como conselheiro executivo da Alpine, Briatore “Não é fácil porque a equipa passou por muitas mudanças, especialmente nos últimos quatro ou cinco anos, não só agora. Mas, pouco a pouco, tentamos juntar a equipa, as pessoas. Também pensamos no próximo ano – no novo motor e na nova caixa de velocidades da Mercedes-Benz. Portanto, este é o nosso objetivo para o próximo ano.
Entretanto, temos de ser mais competitivos. De momento, não somos competitivos, como eu queria, mas isso leva tempo. Se virem este maestro ao meu lado, é preciso muito tempo para construir um carro vencedor, uma corrida vencedora, uma equipa vencedora. Sei que já o fiz antes. Espero voltar a fazê-lo. Sinceramente, acho que sim. Sabem como é, é difícil quando se chega a uma equipa, especialmente na Alpine, e fazemos alguns progressos, mas neste momento ainda não chegámos lá. E o que é mais importante é o resultado. Fizemos alguns progressos, sem dúvida, mas ainda não os vemos no desempenho.”

Outro dos pontos de destaque da conferência de imprensa dos chefes de equipa foi o que disse sobre a ambição da Alpine de disputar um título mundial em 2027: “Também é preciso ter um sonho, sabes. Quando se está na Fórmula 1, também se sonha, para fazer o trabalho. E, neste momento, a equipa é bastante nova. A equipa não está a ter o desempenho que eu queria, porque muitas das situações na equipa não estão claras. Mas temos de esclarecer tudo. Antes de começarmos a ter o desempenho que eu quero, creio que precisamos de todo o ano de 2025 agora, e precisamos de 2026 para sermos competitivos, para, pelo menos, por vezes vermos o pódio muito perto.
É disto que estamos à espera. E porque não 2027? Vimos o que aconteceu com a Red Bull. Vimos o que aconteceu com todos os outros. Depende também do tipo de piloto que tivermos em 2027″.

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Outro tema quente para Briatore é encontrar um substituto para Ollie Oakes como Diretor de Equipa: “Estamos a procurar. Para já, nada mudou. Sinceramente, tenho pena do Ollie, porque tinha uma relação muito boa com ele. Era um bom chefe de equipa. Toda a gente sabe que, por razões pessoais, ele parou e demitiu-se da Alpine. Estamos a procurar. Não queremos cometer nenhum erro. Estou preparado para levar algum tempo. Estamos à procura de alguém bom, alguém que compreenda, alguém que queira fazer parte da equipa. Conheço algumas pessoas que querem fazer parte desta nova viagem com a Alpine. Decidimos rapidamente. Quando decidirmos, dir-vos-emos…”

Flavio Briatore falou também do potencial de Pierre Gasly como eventual campeão do mundo: “Não sei. Vemos que a McLaren, há dois ou três anos, estava no fundo da tabela. Vemos que a Renault estava no fundo da tabela há dois anos e depois ganhou o campeonato. Vemos que a Benetton esteve sempre, em 91, 92, 93, no fundo da fila na qualificação. Em 94, 95 e 96, competimos. Em 95 e 96, ganhámos o campeonato.
Neste negócio, a sorte está a mudar muito. Há alguns anos, a Red Bull estava a dominar completamente. Agora, a McLaren está a dominar completamente.
Toda a gente está a trabalhar no duro neste negócio. Somos 10 equipas. Todos querem ser a melhor das 10 equipas. Espero que não seja um disparate – trabalhar. Se em 2027 achar que não vou competir, prefiro ficar na praia a beber Coca-Cola e não vir para aqui neste tempo quente de Barcelona, a suar”.
“Sabes, é a galinha e os ovos. Se não tivermos um carro competitivo, é muito difícil perceber onde estamos com o piloto. Primeiro, o piloto precisa do equilíbrio do carro, precisa que o carro seja competitivo. Sente-se forte no carro. É muito difícil perceber em que nível está Gasly neste momento, se não lhe dermos um carro competitivo.
Vamos construir-lhe um carro competitivo e depois saberemos em que ponto estamos com o piloto. Penso que é o mesmo para toda a gente. O mais importante é o desempenho do carro e do piloto – andam juntos.
Na Fórmula 1, se o carro não for competitivo, não sei. Talvez o Christian tenha uma ideia melhor
“.

Outro dos temas incontornáveis, um tópico essencial é o desempenho de Franco Colapinto e as corridas futuras: “Temos de esperar um segundo para julgar o Franco. Estamos a ver. Estamos a ver as corridas. Precisamos de ver as corridas completas. Fizemos Monte Carlo. Foi uma corrida muito especial para toda a gente. Cometemos muitos erros na qualificação. E em Monte Carlo, sabem, uma boa qualificação é a corrida. Especialmente esta corrida. Monte Carlo, foi muito aborrecido e muito chato. Vamos ver. Esta é a primeira corrida a sério do Franco (ndr, Barcelona). Corridas, eu não sei, honestamente. Eu nunca digo cinco corridas, três corridas, quatro corridas, uma corrida. Estamos a ver. Se o Colapinto estiver a atuar, é ele que conduz o carro. Se não, veremos. 2025 é um ano em que temos de nos preparar para 2026. Por isso, qualquer experiência que eu precise de fazer, estamos a fazê-la.
Neste momento, não sei se o Franco vai ficar para esta época ou não, mas vamos ver. Depende do desempenho. Só estamos a olhar para o desempenho – nada mais”.

Como se sabe, Flavio Briatore é muito mais que um conselheiro executivo, é conhecido principalmente pela sua longa e, por vezes, polémica carreira na Fórmula 1. Tornou-se conhecido com a ligação com a Benetton, teve sucesso com a equipa na Fórmula 1 e depois ainda mais com a Renault. Depois vieram as controvérsias e o afastamento decorrente do “Singapuragate” em 2008, foi banido da Fórmula 1. Andou por outros empreendimentos comerciais, e até a política, portanto, domina todos os temas como poucos. E por isso explicou a sua visão relativa ao GP do Mónaco, começando pela obrigatoriedade de duas paragens: “Foi uma ideia muito má. Não acho que tenha sido uma boa ideia, porque foi pior. Toda a gente tinha uma situação diferente… ter a janela para fazer a paragem nas boxes, atrasava toda a gente. Aconteceu com a Williams. As duas paragens nas boxes não melhoraram a corrida no Mónaco, isso é certo”.
“O Mónaco é um grande evento para a Fórmula 1. Toda a gente quer lá estar. A corrida foi como uma exibição do carro, mas não uma corrida. Para nós, para os patrocinadores, para toda a gente que financia a Fórmula 1 – é realmente um grande evento. Muitas pessoas vêm ao Mónaco porque é a Fórmula 1. Não é para ver a Fórmula 1. Muitas pessoas estão nos barcos. Nunca vão para as bancadas. Mas é um grande evento para a Fórmula 1.
Toda a gente quer estar no Mónaco – todos os patrocinadores, as pessoas que apoiam a Fórmula 1, estiveram no Mónaco. No final, a corrida é como uma exibição de Fórmula 1. A corrida é mesmo no sábado, na qualificação. Se vires o sábado, é quando tudo acontece”.

Tendo em conta que só recentemente regressou à F1, encontrou-a bem diferente do seu tempo e por isso destaca o que mais gosta, falando sobre as diferenças da F1 atual em relação à anterior, nomeadamente com o limite de custos: “A Fórmula 1, com certeza, é diferente agora. Mas a diferença com o limite de custos, acho que é boa.
Foi uma ideia muito boa ter o limite de custos para as equipas. Penso que deve manter-se.
Também acho que o salário do piloto deve fazer parte disso – não apenas o que temos agora. Temos de o aumentar, porque estamos a gastar muito… A diferença que vejo entre o meu tempo na Renault e agora é que os custos aumentaram drasticamente. As corridas são as mesmas. O que se vê na televisão é o mesmo. A luta entre os pilotos é a mesma. O melhor piloto está a ganhar a corrida – etc. O que vemos agora maior é o custo. O custo aumentou drasticamente. Não é porque o custo aumentou que o negócio é melhor ou o espetáculo é melhor. É a mesma coisa. A corrida, para mim, é a mesma. É muito competitiva. Temos ótimos pilotos. Mas os custos aumentam drasticamente. O limite orçamental dos custos foi uma ideia muito boa. Penso que devemos aumentar o orçamento, incluindo os salários dos pilotos”.

Por fim, falou sobre as mudanças no calendário da F1 e os novos locais: “Pelo que vejo, há muitas mudanças na perceção da Fórmula 1. Agora vemos Miami, vemos os Estados Unidos – etc. – e a perceção da Fórmula 1 é muito, muito maior. Se nos lembrarmos, no nosso tempo, era impossível, penso eu, nos Estados Unidos – Phoenix, não havia espetadores. Havia cavalos ao nosso lado e as pessoas que deviam vir ver a Fórmula 1 iam ao derby dos cavalos.
O trabalho que tem sido feito nos últimos 10 anos em relação à Fórmula 1 é inacreditável, especialmente nos Estados Unidos. Atualmente, penso que a Fórmula 1 é muito forte. Muitos jovens seguem a Fórmula 1. No nosso tempo, não era assim. Penso que no nosso tempo a média de idades rondava os 50, 55 anos. Agora há muitos jovens. Isso é fantástico para a Fórmula 1. É fantástico – a perceção que os jovens têm da Fórmula 1. Jovens pilotos, toda a gente a comunicar – é um grande passo em frente, especialmente nos Estados Unidos”.

FOTO MPSA/Phillippe Nanchino

Tags: F1Flavio Biatore
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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