A Ferrari dispensa apresentações. Fundada em 1939 por Enzo Ferrari, a marca italiana depressa se tornou sinónimo de prestígio, sucesso e velocidade. O Cavallino Rampante passou a fazer parte do imaginário de miúdos e graúdos, homens e mulheres. A cor vermelha nas máquinas intemporais tornou-se icónica. Poucos serão os que nunca ouviram falar da Ferrari. E este fascínio pela marca não se deve apenas aos carros que tornam as estradas mais belas e mais interessantes. Deve-se também ao que a Ferrari conquistou em pista, na F1, o seu “habitat natural”.
Enzo Ferrari levou uma vida obcecado pelas vitórias, num mundo onde a velocidade é um trunfo, onde a potência do motor é indispensável e a aerodinâmica se tornou no truque para conseguir ganhar vantagem. O seu nome perdurará pela eternidade, tal como as conquistas da sua equipa. 1052 GP realizados até hoje, 242 vitórias, 242 pole positions, 259 voltas mais rápidas, 798 pódios. 16 títulos de construtores, 15 títulos de pilotos. A grandeza dos números na F1 chega perto da grandeza da marca e da paixão que desperta nos seus fãs.
Um título sempre longe
A busca incessante pelos títulos tem-se revelado infrutífera desde 2008, o último ano em que a Ferrari logrou ser melhor que todas as outras. Foram dez anos de domínio inquestionável, de 1999 a 2009. Uma década que rendeu oito títulos em 11 possíveis. A Ferrari de então era a Ferrari sonhada pelo seu criador. Mas desde 2009 que a Scuderia se perdeu. É certo que desde então apenas ficou três vezes fora do pódio, mas o título tem demorado a regressar a Maranello. Uma sucessão de más decisões estratégicas a nível diretivo, uma instabilidade que impede que os homens do leme se mantenham o tempo suficiente para verem o fruto do seu trabalho, mudanças constantes de rumo dificulta a vida a uma equipa que tem instalações e pessoal de topo.
Novo ciclo
Em 2023 começa um novo ciclo. Depois de quatro anos de Mattia Binotto, que parecia o homem certo para o lugar certo, apesar dos desaires recentes, a Ferrari tem agora um francês ao leme, algo que deu resultado no final dos anos noventa, com Jean Todt a ser um dos homens fortes que permitiu uma era de ouro. Frédéric Vasseur chega com a missão de levar a Ferrari ao topo, uma missão sempre espinhosa, mas que está algo facilitada pelo trabalho que Binotto fez no seu reinado. Os resultados não foram os melhores, mas a Scuderia é agora melhor do que era antes de Binotto pegar nas rédeas do Cavallino Rampante. Os métodos de trabalho da equipa, a nível técnico, melhoraram e desde que Binotto entrou para posições de chefia mais abrangentes (seja diretor responsável pelas unidades motrizes, diretor técnico o diretor da equipa), a Ferrari tem apresentado soluções interessantes e arrojadas, que têm servido de inspiração para os adversários, o maior elogio que se pode fazer ao trabalho dos engenheiros. A Ferrari agora não tem medo de arriscar novas soluções que podem dar a vantagem face aos restantes, algo que nem sempre aconteceu desde o último título. Faltou a Binotto a capacidade de gerir melhor a componente desportiva, seja a gestão de pilotos, seja a gestão das corridas. Vasseur terá de focar a sua atenção também aí. Para uns, o francês é a opção certa, para outros, há ainda dúvidas se conseguirá levar a equipa a bom porto.
Pilotos garantem qualidade
Uma coisa é certa, do lado dos pilotos não tem preocupações. A Ferrari sempre teve grandes pilotos ao seu serviço e este ano não é exceção. Charles Leclerc é a estrela da companhia, um dos grandes talentos da atualidade, dos poucos capazes de lutar de igual para igual com o campeão Max Verstappen. Leclerc tem crescido muito e apesar de alguns erros pontuais, já mostra estofo de campeão. Ao seu lado tem o muito completo Carlos Sainz. Não é um talento puro como Leclerc, Verstappen ou Hamilton, mas é inteligente e muito trabalhador, uma conjugação que compensa a falta de “fator x”. Não que o espanhol seja desprovido de talento, muito pelo contrário, mas ainda não mostrou aquele décimo de segundo extra que apenas os predestinados conseguem. A dupla da Ferrari é equilibrada, harmoniosa e tem tudo para vencer. Falta apenas uma equipa igualmente harmoniosa, que consiga tomar boas decisões e um carro competitivo.
Em 2022 o F1-75 mostrou ser, a espaços, o melhor carro da grelha. Foi perdendo ímpeto ao longo do ano, mas a base é muito boa para a Ferrari dar o passo. É preciso mais fiabilidade acima de tudo, mas é preciso também melhor gestão de pneus e melhor ritmo de corrida. Em qualificação a Ferrari foi forte em 2022. Será a Ferrari capaz de o conseguir este ano? Tem uma Red Bull limitada no tempo de túnel de vento e uma Mercedes ainda a tentar recuperar tempo perdido na época passada. É uma oportunidade que não se pode desperdiçar.
Charles Leclerc takes the 2023 Ferrari out on track for the first time! 🤗 pic.twitter.com/S2CIvcAbWa
— Sky Sports F1 (@SkySportsF1) February 14, 2023
Em atualização












