A Fórmula 1 atravessa um período muito bom, gerando muito interesse em novos mercados e levou a que mais marcas quisessem estar envolvidas no negócio, mas há uma equipa, cujo interesse é muito grande em entrar na competição, que não tem tido reações favoráveis por parte da maioria das atuais estruturas. Depois da candidatura da Andretti ter recebido luz verde por parte da FIA, há que negociar com os detentores dos direitos comerciais, mas há equipas que não querem que exista um acordo.
A Porsche, através de uma parceria com a Red Bull que não chegou a ir adiante, teve com um pé na F1, mas do grupo Volkswagen apenas a Audi entrará na Fórmula 1 em 2026, com a chegada da nova geração de unidades motrizes, e com a Sauber. Desde cedo a Andretti Autosport apontou como objetivo estar entre as equipas da grelha, formalizando um projeto interessante, mas que não recolheu muito consenso entre as 10 equipas já instaladas. Toto Wolff é um dos elementos da “atual” F1 mais vocais sobre o assunto, disse desde logo que a estrutura norte-americana tinha de apresentar mais argumentos às restantes equipas e que não fazia muito sentido entrar neste momento, chegando mesmo a afirmar que a Audi acrescentava mais à competição do que a Andretti.
A questão do valor acrescentado que a equipa liderada por Michael Andretti pode trazer à Fórmula 1 foi novamente levantado, agora que está confirmada a aprovação por parte da FIA, tanto por Frédéric Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, como por James Vowles, da Williams.
O novo líder da equipa de Grove afirmou mesmo que a “Williams é contra a adição de uma 11ª equipa. E fortemente contra”. Querendo “explicar as razões por trás disso e porquê”, Vowles insistiu que a sua “responsabilidade é para com 900 empregados da minha empresa” e que esta apresenta “perdas, estamos a perder muito. De facto, se compararmos o período de 2021 a 2022, veremos que as perdas são da ordem das dezenas de milhões. Comparem com 2023, que não vão ver, mas garanto-vos que são múltiplos acima disso”.
O responsável da Williams explicou que “a razão para isso é que estamos a investir neste desporto, para nos tornarmos melhores. Acreditamos no rumo que o desporto está a tomar. Para o fazer… a razão é que temos, de facto, uma entidade sustentável, penso eu. As equipas estão a trabalhar cada vez mais em conjunto, temos corridas renhidas em resultado disso, mas é preciso saber que não somos só nós que não somos financeiramente estáveis. Diria que provavelmente metade da grelha não o é. Penso que a adição de uma 11ª equipa é uma coisa sensata, apenas quando a 10ª equipa da grelha estiver financeiramente estável”. Reforçando esta ideia de estabilidade financeira, Vowles acrescentou que tem “a sorte de ter proprietários que acreditam realmente no que estamos a fazer e que investem no que estamos a fazer, mas temos de ter cuidado, enquanto desporto, para garantir que cuidamos disso. Toda a gente diz que estamos numa boa situação, e estamos, em alguns aspectos, mas agora, com os factos, que são dezenas de milhões, ou mesmo centenas de milhões, que veremos em breve, a serem investidos para melhorar o desporto, torna-se muito claro por que razão temos muito cuidado em diluir o que já temos, porque são apenas mais perdas em cima da mesa”.
O chefe da equipa britânico está disposto a dar as boas-vindas a uma nova equipa, mas “o bolo tem de crescer como resultado disso, não encolher, e até agora está apenas a encolher”. O antigo estrategista da Mercedes quis que ficasse claro que “não é contra a Andretti nem contra a GM, muito pelo contrário. Dou as boas-vindas à GM de braços abertos, e a Williams dá as boas-vindas à GM de braços abertos e espero forjar uma relação com eles, caso as coisas não funcionem. São uma entidade incrível que, na minha opinião, vai melhorar o desporto. Portanto, não é que estejamos fechados à entrada de mais pessoas no desporto, mas temos muito cuidado em proteger o desporto que temos agora”.
Por seu turno, Vasseur garante que “não é segredo que não sou um grande fã. Quando abrimos a porta a uma 11ª equipa no Acordo da Concórdia da última vez, foi por uma boa razão, porque nessa altura a Honda já tinha dito que ia deixar a F1 e a Renault estava no limite. Isso significava que só tínhamos a Mercedes e a Ferrari confirmadas para o futuro [como fabricante de motores]. E abrimos a porta a uma 11ª equipa no caso de conseguirem trazer algo substancial para a F1 e penso que nesta fase isso era principalmente o motor. Como o James [Vowles] disse anteriormente, todas as equipas da grelha fizeram um grande esforço… Temos de ter em mente que há três ou quatro anos tínhamos quase metade da grelha muito perto da falência e temos de evitar ser arrogantes em relação à F1. A vida é um ciclo e não sabemos o que pode acontecer antes de 2030. E penso que colocaríamos a F1 numa situação difícil por causa disso. Exceto, como disse o Andrea [Stella], também, exceto se o novo concorrente trouxer um enorme valor acrescentado à F1. E eu não tive acesso ao CEO da Andretti, mas penso que é a primeira questão: qual é o valor acrescentado para a F1? Já temos uma décima equipa que é americana, a Haas. Temos um piloto americano na grelha. E a questão para mim é esta. Qual poderá ser o valor acrescentado?”.Dos restantes responsáveis das equipas que quiseram abordar este tema, Andrea Stella, como referiu Vasseur, afirmou que a McLaren continuaria coerente com o que vem dizendo, que qualquer equipa nova tem de trazer algo para a Fórmula 1, enquanto o novo diretor executivo da AlphaTauri, Peter Bayer recordou que muito recentemente a Racing Point passou por momentos complicados a nível financeiro e que o facto da competição estar agora mais estabilizada desse ponto de vista, não se pode esquecer essas dificuldades.
De facto, até agora os proprietários das equipas perdiam dinheiro na Fórmula 1, o automobilismo no geral não é um desporto que dê lucro. Pela primeira vez isso acontece, podendo tapar um pouco do buraco deixado em anos anteriores, sendo normal que qualquer nova equipa, que queira entrar neste momento, no pico da capacidade orçamental, seja vista de lado pela concorrência.











