Durante a terceira reunião da Comissão de Fórmula 1 de 2023, realizada na passada sexta-feira no circuito de Spa-Francorchamps antes do Grande Prémio da Bélgica, foi discutida a possibilidade de convergência de desempenho das unidades motrizes, pensada para minimizar a diferença de potência dos motores Renault para os restantes, que deverá rondar os 30cv a menos.
A Alpine, parte interessada, terá o apoio algo inesperado da Red Bull, que está de acordo na equalização do desempenho das unidades motrizes se um fabricante estiver em desvantagem. Também a FIA, em comunicado após a reunião – representada pelo diretor de monolugares Nikolas Tombazis – recordou que “no início deste ciclo regulamentar foi acordado com os fabricantes de unidades motrizes que haveria a possibilidade de ajustar o desempenho das unidades motrizes a partir de 2023, a fim de evitar que uma diferença significativa de desempenho por um período prolongado”, sublinhando ainda que a análise ao desempenho dos motores durante a primeira metade da atual temporada “concluiu que existe uma diferença de desempenho notável entre os concorrentes”.
Apesar do aviso da FIA e da decisão da Comissão de F1 em “atribuir um mandato ao Comité Consultivo das Unidades Motrizes para analisar este assunto e apresentar propostas”, os responsáveis da Ferrari e Mercedes, Frédéric Vasseur e Toto Wolff, respetivamente, deram a conhecer as suas dúvidas sobre este processo e a possível medida de ajustamento de desempenho.
Citado pelo Motorsport-Total.com, Wolff explicou que “o entretenimento segue o desporto, e o desporto é tão credível porque simplesmente temos de trabalhar muito para sermos bem sucedidos”, adiantando ainda que se trata de um problema coletivo quando uma unidade motriz não acompanha as restantes, mas que as medidas para restabelecer competitividade de um fabricante “tem de ser feito de uma forma baseada no desempenho. E, para isso, temos uma regra nos regulamentos de 2026 que diz que as equipas se sentam de boa fé e discutem o que pode ser feito se um motor estiver mais de três por cento atrás do melhor motor. E assim que tivermos um entendimento comum do que é a potência em falta, precisamos de discutir quanto mais horas de dinamómetro e ‘wildcards’ podem ser dados. Isso é algo que temos de discutir”. O responsável da Mercedes considera que “alterar qualquer tipo de fluxo de combustível ou BoP [Balance of Performance] é um desastre e uma declaração de fracasso para a Fórmula 1. Nem sequer se devia falar nisso”.
Vasseur, por seu turno, afirmou à mesma fonte que as medidas para tornar um motor mais competitivo do que realmente é são “excecionais”, levantando ainda dúvidas que a unidade da “Renault esteja tão longe”. Além disso, como o seu colega da Mercedes, Frédéric Vasseur, sublinhou que a questão é como deixar que os franceses alcancem os restantes fabricantes e não o contrário. Permitir um maior fluxo de combustível não é uma opção, garantiu o chefe de equipa da Ferrari.
Teremos de esperar pela análise do Comité e pelas soluções apresentadas à Comissão de F1, que ainda terá de discutir e votar alguma alteração que permita a aproximação do motor Renault aos restantes, caso seja necessário, numa altura em que, recordamos, todas as unidades estão congeladas até 2025.













O problema da Mercedes não é a unidade motriz mas sim o chassi tal como a Ferrari. Por isso percebesse a preocupação mas não deixa de ser curioso que a RedBull que aparentemente tem um conjunto muito bom esteja mais aberta a alterações, e equipa tantas vezes criticada. Eu a muito defendo a total liberdade para os engenheiros serem criativos e terem a liberdade para o fazer aí seria os mais capazes vencem
O problema é a aposta forte na construção do próprio motor, pode dar para o torto e então torna-se um problema sério!
Segundo consta, a RB está com alguns problemas no desenvolvimento da unidade motriz de 2026. Por isso está a fazer lobby com a Alpine para que todas as equipas partam em igualdade de circunstâncias ao nível da unidade motriz. Ao mesmo tempo, que age no seu próprio interesse, a Alpine fica a dever um favor à RB, certamente cobrado pela estrutura quando necessário. Mata dois coelhos numa cajada. Além disso, sabe-se que a principal base do sucesso da RB, tanto com Vettel e agora com o Max, foi um chassi brilhante e bem desenvolvido, nunca pelo motor mais potente e… Ler mais »
Já o disse, mas volto a dizer. As outras fabricantes de motores não têm culpa de terem feito um trabalho melhor do que a Renault. Se a Honda, que entrou com um ano de atraso para as outras, conseguiu evoluir e ter um motor equivalente à Mercedes e Ferrari, se não melhor, porque é que a Renault não conseguiu? Falta de técnicos competentes, ou gestão atabalhoada? Ou as duas…
A Grande diferença é que a Honda é um dos melhores construtores do mundo, se não o melhor!
Concordo com o Toto. BoP na F1 é péssimo. A Renault se não consegue, quer que o façam por ela? Como? Dão lhe um motor Honda ou atrasam os outros?
Sobre a Red Bull deve estar a jogar no futuro: caso erre na unidade motriz, como a Honda no início, não quer ficar anos e anos presa, e assim terá já esta base para reivindicar equalização.
Concordo a 100%!
O BoP nunca foi pacifico (veja-se as sucessivas situações problemáticas que houve no Endurance), e por esta vez tendo a concordar com o Toto.