F1: Transporte de material é um ballet único

Por a 24 Dezembro 2022 17:00

São poucas as coisas na F1 que não se tornam espantosas aos olhos do “comum mortal”. A tecnologia, a velocidade, a forma como as equipas trabalham… Um sem fim de motivos de interesse que fazem deste campeonato uma máquina complexa que funciona sempre a tempo e horas.

Um dos grandes desafios que as equipas e os organizadores enfrentam é a logística do transporte de material para as pistas, especialmente nas jornadas duplas e triplas em que a F1 visita pistas diferentes em semanas consecutivas.

Normalmente são usados seis ou sete aviões de carga e esses aviões transportam apenas o que é considerado vital para as corridas (telecomunicações, monolugares, peças, etc), com mais de 750 toneladas de material. O que é considerado material de fácil substituição foi enviado com antecedência via barco.

Temos de ter em conta que a F1 é um desporto essencialmente europeu e que das 10 equipas que estão inscritas, todas elas têm pelo menos uma base secundária (no caso da Haas) na Europa o que faz que a grande maioria do material terá de sair de solo europeu para as provas que se vão realizar. Claro que as equipas mais ricas têm capacidade para transportar mais coisas e torna-se também numa vantagem competitiva.

As provas europeias são relativamente simples de fazer em termos logísticos e como o transporte é feito por camião, relativamente barato. Ainda assim é um grande desafio, pois as equipas têm 3 dias para desmontar, transportar e voltar a montar o material necessário, no caso das provas seguidas. Isso implica que cada camião possa ter 3 motoristas, um a conduzir e os outros dois a dormir numa caravana que acompanha os camiões para que assim o transporte se faça virtualmente sem paragens. Nas rondas europeias existe a necessidade de montar motorhomes, que implica o transporte de mais material.

Mas as provas fora da Europa são muito mais complicadas e aquelas que são seguidas ainda pior. Em 2023 teremos o GP do Azerbaijão numa semana e o de Miami na semana seguinte, o que significa que as equipas têm 3 dias para fazerem mais de 11 mil quilómetros. 

Como referido anteriormente, há material que já foi enviado antecipadamente. Tornos, barreiras de segurança, ferramentas… material pesado e barato que pode ser enviado muito antes. Cada equipa tem, normalmente, cinco conjuntos deste tipo de material que vai viajando pelo mundo por barco, mais demorado, mas mais económico, seguindo um plano meticulosamente definido. 

Também o plano para levar o material por avião tem de ser feito ao pormenor e é delineado na quinta-feira antes da prova. A desmontagem começa no domingo de manhã, altura em que a equipa começa a arrumar peças de substituição que não irão ser usadas na corrida, como o motor. A desmontagem começa 15 minutos após a bandeirada de xadrez e embora os carros tenham de ficar para mais tarde, devido às inspeções, tudo o resto começa a ser desmontado e é enchido um primeiro contentor com o material que as equipas pretendem ver primeiro na pista. Este material vai encher o primeiro avião que levantará voo em primeiro lugar.

A complexidade deste ballet é crescente uma vez que as equipas pedem cada vez mais material para ser transportado e precisam de mais tempo para o fazer. Não é surpreendente que, com as exigências crescentes das equipas e do calendário, que a operação de transporte esteja sempre sob muita pressão. Já vimos casos de atrasos motivados por mau tempo ou incidentes. Até agora a F1 tem conseguido dar a volta aos problemas, mas não será surpreendente se virmos provas afetadas por acontecimentos exteriores, dada a proximidade das provas.

O planeamento desta operação é espantoso e ainda mais espantoso é saber que na sexta quando a luz verde para o TL1 se acender, em 90% dos casos, tudo estará pronto para um fim de semana de competição intensa. Não é à toa que se chama Grande Circo.

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