Foi revelado hoje o traçado do Circuito de Jeddah que irá receber pela primeira vez uma corrida de F1. Um conceito diferente do que vimos nos outros traçados citadinos. Mas será que pode dar o que Ross Brawn prometeu… mais ultrapassagens?
A pista foi apresentada com um traçado fluido, rápido e com longas retas.Trata-se de uma filosofia aparentemente muito diferente da que foi usada em Baku, ambas com a inevitável assinatura de Hermann Tilke.
Baku consiste numa sucessão de retas, quebradas por curvas a noventa graus, salvo duas ou três exceções. A primeira vez que os fãs viram o traçado não puderam parar de pensar que se tratava de uma versão exagerada dos habituais “Tilkódromos”. Mas na realidade a pista tem proporcionado boas corridas e isso deve-se a um fator essencial… as grandes retas. Em especial a reta final tem proporcionado momentos tensos com o cone de aspiração e o DRS a terem um papel fundamental. No fundo, temos uma volta em que os pilotos tentam aproximar-se o mais possível do adversário da frente para concluir a ultrapassagem na grande reta.
Como faz habitualmente, Tilke pegou na fórmula de sucesso e voltou a aplicá-la. A pista de Jeddah é no fundo esse conceito, mas trabalhado de outra forma. Em vez do pára/arranca de Baku temos uma pista muito mais fluída e rápida. Não parece, pelo que vimos, que a pista permita grandes ultrapassagens nas secções sinuosas. A ideia que surge à primeira vista é que a reta da meta volta a servir de “grand finale”, onde os pilotos vão poder fazer o ataque final e ultrapassar o adversário. O que se segue são sucessões de curvas onde apenas os melhores não perderão tempo para conseguir completar a manobra. Da curva 1 à curva 24, os pilotos navegarão um sem fim de curvas rápidas que não parecem à primeira vista permitir ultrapassagens. Mas da 24 à 27, com a 25 e a 26 a serem feitas potencialmente a fundo, os pilotos irão colocar-se da melhor forma para dar a estocada final. Pelo menos é o que uma análise pouco aprofundada mostra deste traçado.

Será que irá dar boas corridas? Só podemos ter a certeza vendo. Baku prometia pouco mas tornou-se numa das boas corridas do ano, com finais surpreendentes. E sendo que a filosofia das pistas é, na sua base, idêntica, conseguida de forma muito diferente, poderemos ter boas corridas também.
Algo que parece ser bom sinal, a FIA e a F1 parecem ter feito questão que a pista fosse mais rápida e fluida, ao contrário das exigências num passado recente. As lições de 2020, onde as pistas mais “old school” como Imola, Mugello e de certa forma Portimão (apesar de recente, segue uma ideia muito diferente do que a F1 habitualmente seguia), mostraram que os fãs e os pilotos gostam deste tipo de traçados, rápidos, desafiantes e não os aborrecidos traçados com fortes travagens. No futuro as novas pistas poderão ser mais do agrado dos fãs.
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