Um dos divórcios mais longos da história. Desde 2014 que a relação entre a Red Bull e a Renault se complicou e que as exigências dos Bull´s foram sendo cada vez maiores (assim como as críticas). Atingiu-se o estado de paz podre que durou até 2018, com vários altos e baixos e agora, com o anúncio da parceria Red Bull/ Honda, a Renault fica sem um grande peso.
A diferença de fornecer menos uma equipa é mínima do ponto de vista da estrutura mas, segundo Cyril Abiteboul poderá facilitar o processo de desenvolvimento do motor:
“Tivemos de encontrar várias vezes um compromisso que servisse a nossa equipa, a Red Bull, a McLaren e francamente, às vezes perdemos muito tempo e o processo tornava-se confuso. Nós sabíamos como trabalhar juntos extremamente bem. Os processos foram bem estabelecidos, as linhas de comunicação foram bem estabelecidas. Mas a exigência da Red Bull, dada as grandes expectativas que estão sobre a equipa, tornava necessário um esforço adicional, para conciliar os desejos da Red Bull, e obviamente os nossos desejos no que à integração do motor no chassis diz respeito. Muitas vezes gastamos tempo e energia para ir de encontro aos seus pedidos, que podiam ser um pouco excêntricos. A mudança permitirá um foco maior no nosso trabalho. Isso essencialmente é o que vai mudar.”
O trabalho com a Red Bull não terá sido fácil, pois a equipa austríaca quer vencer e desde 2014 que não tem o motor ideal para o fazer. As queixas de falta de potência são frequentes e a entrada da Renault como construtora na F1 veio trazer mais um entrave para a relação entre ambas as partes. Afinal a Renault não podia atender os pedidos da Red Bull sem olhar primeiro para as suas exigências. Até a questão do fornecimento de combustível era mais uma dificuldade, com as equipas a usarem marcas diferentes. A Renault pode ter perdido um parceiro importante, mas desta relação já não tirava muito proveito. O motor já não tinha o nome da marca do losango, as exigências da Red Bull complicavam a vida aos engenheiros e a cada vitória apenas o chassis seria elogiado colocando de parte o motor (como aconteceu na era pré híbrida). Com esta separação a Renault poderá trabalhar mais à vontade e dada a situação da McLaren, a via do dialogo será sempre a preferida.
Para a Renault pode ser um alívio… resta saber se para a Red Bull foi uma excelente jogada de antecipação, ou um erro de casting. É que se a Red Bull vencer, a capacidade da Renault enquanto fornecedora de motores ficará em causa, assim como a McLaren como equipa e nenhuma delas estará disposta a isso. Se os Bull ficarem piores do que estão agora, além dos óbvios constrangimentos de ter trocado um motor que dava algumas garantias por um mais fraco, a Honda ficará ainda pior do que ficou com a McLaren. 2019 será um ano em que ninguém deste quarteto quererá falhar e fazer má figura. Até porque a F1 é muito mais do que um exercício de marketing… é também uma questão de orgulho. A tensão adivinha-se grande.










