Sebastian Vettel não teve a estreia que desejava pela Aston Martin. Uma qualificação pobre, que resultou num último lugar após penalização por não ter respeitado bandeiras amarelas, uma corrida onde a estratégia não terá sido a melhor, mas também onde cometeu um erro clamoroso que poderia ter tido consequências maiores. Não é um bom cartão de visita para o tetracampeão alemão.
Vettel não começou da melhor maneira, mas tal já aconteceu no passado. Na sua estreia na F1 pela BMW Sauber, conquistou um brilhante sétimo lugar na qualificação, que lhe permitiu ficar num não menos brilhante oitavo lugar na corrida. Na primeira prova pela Toro Rosso, arrancou de 20º e acabou em 16º também no mesmo ano (2007). Em 2008, primeira época a tempo inteiro, começou com um abandono após um toque. Na sua estreia pela Red Bull terminou em 13º mas também teve um toque nessa altura que lhe complicou a corrida. Já pela Ferrari a sua estreia não podia ter sido melhor com um pódio logo na primeira corrida.
Se fizermos uma análise muito por alto, podemos ver que as estreias pela Toro Rosso e pela Red Bull não foram as melhores e a estreia pela Ferrari foi positiva. Mas foi na Red Bull e na Toro Rosso que conseguiu os sucessos mais sonantes. Poderá isto significar que esta má estreia pode ser um bom sinal para o futuro? Talvez, mas trata-se apenas de futurologia.
O que os factos dizem não é tão animador. Vettel continua a errar de uma forma que não é de esperar por parte de um dos pilotos mais experientes do grid. É certo que não teve muito tempo para se preparar e que os testes não correram de feição à Aston Martin. Mas se compararmos com a prestação de Fernando Alonso, que esteve dois anos afastado da competição, as diferenças são gritantes.
Apesar das suas dificuldades até agora, o chefe de equipa Otmar Szafnauer defendeu o seu novo piloto: ” Só temos uma corrida. Não foi a melhor corrida, mas se olharmos para os aspetos positivos, ele teve de começar de último, esteve a correr no top 10 durante algum tempo, e sentiu-se bem no carro. Olhando para os seus tempos de volta, não foram muito diferentes dos de Lance Stroll, que está connosco aqui há algum tempo, ele conhece-nos bem e conhece bem o carro.”
“O carro que Vettel agora tem é totalmente diferente do que pilotava antes, as características do carro, características da unidade motriz, muitas coisas são diferentes”, acrescentou Szafnauer. ” Ele não deu muitas voltas nos testes, só tivemos três dias e ele teve de partilhar esses dias com Lance, com vários problemas à mistura. Por isso, continuo confiante que vamos ter o Seb de volta ao seu nível.”
Mas as opiniões negativas começa já a surgir, como foi o caso de Ralf Schumacher que comentou o incidente com Esteban Ocon:
“O que mais me incomoda é a forma como ele lida com isto”, disse Ralf Schumacher. “Quando tocou no Ocon, queixou-se imediatamente pela rádio sobre a suposta mudança de linha do Ocon. Mas quando se olha para as gravações, é 100% claro que este foi apenas um erro do Vettel. Depois da corrida, ele pediu desculpa ao Ocon, mas a questão permanece: porque é que Sebastian continua a cometer erros como este? Com a sua experiência, ele deveria ser capaz de avaliar melhor situações como esta”, disse Schumacher a Sky Deutchland. “Acho que não temos de nos preocupar com o estado de espírito da Aston Martin neste momento – a colaboração ainda é demasiado recente para isso. Mas pode vir a mudar a dada altura, depois de mais experiências negativas”.
Para piorar a situação, as declarações de Mattia Binotto no final da prova, em que fez questão de dizer que “finalmente podia contar com os dois pilotos”, realçando que agora os pilotos não estão focados na luta interna, pode também ter tido como alvo Vettel.
Assim, não se pode considerar este um bom arranque para o alemão. Ainda é muito cedo para tirar conclusões mas certamente que começar assim não agrada, mais ainda depois do ciclo negativo que viveu na Ferrari. Será Vettel capaz de finalmente voltar a mostrar o que pode e deve fazer?









