Os rumores no paddock e nas redes sociais sobre uma potencial quebra nas regras do limite orçamental na época 2024 crescem de tom. Os resultados das análises às contas das equipas deveria ter sido conhecidos em setembro, mas estamos no final de outubro e ainda não temos novidades nesse capítulo.
Rumores indicam dois tipos de infrações
Durante o Grande Prémio da Cidade do México, fontes no paddock referiram que pelo menos duas equipas poderão estar envolvidas: uma por uma infração de natureza procedimental e outra por um alegado incumprimento mais grave.
O teto orçamental, implementado em 2021, visa limitar os gastos das equipas em áreas relacionadas com o desempenho. O valor-base é de 135 milhões de dólares, embora ajustado anualmente tendo em conta a inflação e o número de corridas, podendo atingir cerca de 150 a 160 milhões de dólares por ano. Custos não relacionados com performance, como marketing ou salários dos três elementos mais bem pagos e dos pilotos, ficam fora deste limite.
Perante a circulação de rumores, a FIA reiterou o seu procedimento habitual:
“A Administração do Limite Orçamental da FIA está a finalizar a análise das submissões de 2024 das equipas e dos fabricantes de unidades de potência, cujo resultado deverá ser comunicado em breve.
A FIA não comenta submissões individuais e, conforme prática estabelecida, os resultados serão tornados públicos quando a avaliação estiver concluída.”

Aston Martin assume incumprimento procedimental
Entretanto, segundo o Motorsport.com a Aston Martin ter chegado a um acordo com a FIA devido a uma infração procedimental relacionada com a entrega da documentação necessária. A equipa terá preparado os relatórios dentro do prazo, mas não obteve, por motivos alheios ao seu controlo, uma assinatura de auditoria essencial antes de 31 de março.
O episódio resultou num Accepted Breach Agreement (ABA), mecanismo previsto no artigo 6.28 do regulamento financeiro. Neste caso, a sanção limita-se a uma multa, sem impacto desportivo, uma vez que a equipa não excedeu efetivamente o teto orçamental.
“Se a Administração do Limite Orçamental determinar que uma equipa cometeu uma infração procedimental ou um excesso menor, pode propor sanções a serem aceites pela equipa. Não existe direito de recurso quanto à decisão de celebrar um ABA”, esclarece o regulamento.
Situações semelhantes já ocorreram noutras equipas: em 2023, Alpine e Honda também chegaram a acordos idênticos devido a falhas procedimentais na submissão de custos das unidades de potência. Assim, uma das equipas potencialmente envolvida já estará desvendada.
Atraso anormal aumenta especulação
Habitualmente, os certificados de conformidade são publicados no final do verão. Em 2023, a divulgação ocorreu a 5 de setembro; em 2022, só a 10 de outubro devido à investigação que revelou infrações por parte da Red Bull e da própria Aston Martin na época anterior.
Agora, já para além das datas de referência, cresce a expectativa sobre um eventual caso mais complexo. Ainda que o atraso não confirme qualquer irregularidade, o cenário é visto com atenção dentro das equipas, que aguardam a comunicação final da FIA.

Possíveis penalizações
As consequências dependem da gravidade da infração:
- Procedimental (ex.: submissão tardia): multa.
- Excesso inferior a 5% do teto: multa e/ou penalizações desportivas menores (redução de testes aerodinâmicos, reprimendas públicas ou perda de pontos).
- Excesso superior a 5%: perda significativa de pontos, multas elevadas e até possível exclusão do Campeonato.
O caso mais relevante até agora foi o da Red Bull em 2021, que resultou numa multa de 7 milhões de dólares e redução de 10% no tempo de túnel de vento e CFD.
O que dizem os rumores
Segundo o que se vai lendo e ouvindo, haverá uma equipa do topo da tabela envolvida no caso mais grave. Ora no topo da tabela, neste momento, está a McLaren, mas a Ferrari, que não venceu o título de 2024 por 14 pontos, pode ser também considerada, tal como a Red Bull. Para já, não passam de especulações sobre um atraso que, não provando nada, dá indício que algo sério poderá estar a acontecer.









