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F1: Ross Brawn despede-se em grande

Fábio Mendes by Fábio Mendes
28 Novembro, 2022
in F1, FÓRMULA 1
A A
Fórmula 1, Teto orçamental definido: 145 milhões

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Chega ao fim o “reinado” de Ross Brawn ao leme da F1. Um período de seis anos onde a F1 evoluiu muito. O engenheiro britânico despede-se da F1 com o sentimento de dever cumprido e com orgulho no trabalho feito.

Ross Brawn confirnou o adeus à F1, depois de seis anos intensos em que o Grande Circo mudou para melhor e cresceu como nunca. Na sua coluna na F1.com e em jeito de despedida, Brawn fez o balanço do trabalho feito:

“Estou satisfeito com o que fizemos e onde chegamos. Penso que houve uma verdadeira mudança nos últimos seis anos desde que entrei para a equipa de gestão – e sinto-me feliz com isso. A F1 hoje está mais forte do que nunca”. Foi assim que Brawn começou o balanço do seu tempo como líder da vertente desportiva da F1. Chamado a assumir o leme dos destinos da F1 em 2017, pouco tempo depois da Liberty Media ter comprado o Grande Circo. Era necessário alguém com experiência e conhecimentos em F1 e Brawn era a pessoa certa.

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“A Liberty sabia da economia de F1, mas não sabia muito sobre a F1 como um desporto e esse lado do negócio, quando se envolveu pela primeira vez. Foram suficientemente espertos para colocar Chase Carey no comando. Apesar de não ser um veterano experiente de F1, ele aprendeu rapidamente o negócio e o desporto. Fui abordado pela Liberty como alguém com experiência em F1, algo de que eles precisavam no início. Estava interessado, mas apenas se pudéssemos abordar o desenvolvimento do desporto de uma perspetiva diferente – como podemos melhorar a corrida? Penso que fomos bem sucedidos. Construímos uma grande equipa e estou realmente satisfeito com o que alcançamos. Pusemos a F1 num novo caminho. “

Para que a F1 melhorasse foi preciso abrir a F1 ao mundo, com mais conteúdos nas redes sociais, um trabalho exaustivo de promoção da disciplina das mais variadas formas. Ao mesmo tempo, Ross Brawn e a equipa da Liberty começavam a executar o plano pensado. À cabeça das medidas mais relevantes aparecem o limite orçamental, uma conquista tremenda, pois permitiu às equipas encontrarem uma plataforma de entendimento em que todas poderia passar a ter lucro a médio prazo. Isso atraiu investidores e tornou a F1 mais forte.

“O limite orçamental criou um ambiente onde se tem um gasto limitado e as pessoas mais inteligentes ganham. As diferenças da frente para trás vão ser muito mais curtas. Penso que o limite de custos é um passo muito significativo para a F1. Tem coisas a corrigir, mas considerando a complexidade da introdução de tal sistema, é fantástico o que a equipa da F1 e a FIA conseguiram desde a sua introdução no ano passado.”

Também a forma como o desporto é gerido agora é mais flexível, sem a necessidade de unanimidade para fazer mudanças. Com o sistema de maiorias simples, as decisões podem ser mais céleres. As equipas olharam mais para o futuro do desporto do que para os seus próprios interesses e a mudança de mentalidade tornou-se claro na assinatura do novo pacto de Concórdia.

“O sistema de governação foi melhorado. Temos agora muito mais flexibilidade e não precisamos que todas as equipas concordem para que o desporto faça mudanças e avance. Desde que consigamos que oito equipas cheguem a acordo, podemos fazer as coisas a curto prazo. Com cinco equipas, a FIA e a F1, podemos conseguir que as coisas sejam feitas a longo prazo. Não temos o constrangimento do antigo sistema de governação e há agora muitas coisas que avançámos na direção certa e que fizeram este desporto funcionar muito melhor do que funcionava antes.

Se do lado da gestão do desporto muito mudou para melhor, o próprio desporto evoluiu com formatos de fins de semana diferentes, com as corridas sprint e a forma inovadora como os novos regulamentos foram estudados, com a FIA a usar os meios que as equipas utilizam para desenvolver o conceito que deu frutos este ano.

“Quanto ao regulamento desportivo, tivemos uma mente aberta sobre como devemos desenvolver o formato de fim-de-semana de corrida. Já existem muitas coisas boas na F1. Creio que o formato de qualificação é bastante bom. A qualificação em três fases mantém as pessoas envolvidas durante todo o tempo. É excitante e ocasionalmente lança algumas variáveis. A Sprint foi uma iniciativa que parece ter funcionado. Estamos a expandir para seis Sprints no próximo ano. Não sei qual será o número ótimo que iremos estabelecer a longo prazo. Alguns argumentam que deveríamos tê-lo em cada corrida. Veremos se é assim que vai evoluir. O Sprint tem certamente animado todo o fim-de-semana e dá-nos três dias completos de ação.”

“No passado, as equipas foram autorizadas a desenvolver o regulamento automóvel. A prioridade da FIA era a segurança, assegurando que a velocidade dos carros estivesse sempre dentro de um intervalo razoável. Nunca tiveram os recursos de ver como se concebe um carro de corrida – era deixado às equipas para fazer esse trabalho. Com a melhor vontade do mundo, as equipas não terão como prioridade a capacidade de fazer boas corridas. Criámos um grupo cuja prioridade era construir um carro de corrida melhor, que possa correr com outro carro em estreita proximidade, seja consistente de pilotar, e não tenha bocados a cair se houver toques. A mentalidade veio de uma direção diferente: a racionalidade, e essa será a prioridade no futuro – é uma das mudanças na mentalidade de F1 que me deixa realmente satisfeito. Foi uma enorme emoção para mim quando vi os primeiros carros de 2022 e experimentámos dois ou três carros a correr um ao lado do outro – não tínhamos visto isso muitas vezes antes. Agora é possível correr muito atrás de outro carro durante várias voltas sem problemas.”

Assim, o balanço que Brawn fez é muito positivo. O desporto evoluiu muito, está muito melhor e muito dessas melhorias se devem ao trabalho ed Brawn e da sua equipa. Podemos estar agradecidos pelo trabalho desenvolvido. Há ainda muito para melhorar, mas mentalidades foram mudadas, verdades inquestionáveis são agora diferentes. A F1 está agora mais aberta e mais interessante.

“Agora é o momento certo para eu me reformar. Já fizemos a maior parte do trabalho, e estamos agora num período de consolidação. Há um carro novo a chegar em 2026, mas isso será dentro de quatro anos, bastante longe para mim, por isso é melhor que o próximo grupo de pessoas assuma esse desafio. Creio que vou deixar a F1 num ótimo lugar. Adorei quase todos os minutos da minha carreira de 46 anos e tive a sorte de ter trabalhado com muitas grandes equipas, grandes pilotos e grandes pessoas. Eu não teria mudado nada. Uma certeza é que sem o apoio da minha mulher e família não o teria conseguido e não teria querido fazê-lo. Agora vou ver a F1 do meu sofá, aplaudindo e praguejando como fã de F1, satisfeito por o desporto estar num lugar fantástico e ter um futuro tão fantástico.”

Tags: F1FIAFormula 1Ross Brawn
Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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