Romain Grosjean não poderá pilotar no último GP do ano, pelo que não poderá despedir-se como merece da F1.
“Romain Grosjean, Piloto de F1, pai de três crianças, marido, resitente a críticos e ao fogo, também conhecido como a Fénix.” Esta é a descrição que está nas redes sociais do piloto francês e que resume na perfeição o que é Grosjean.
É verdade que não é fácil gostar de um piloto que comete mais erros que o desejável, que se queixa demasiado no rádio e que por vezes se mete em problemas em pista desnecessários. Mas lembrar apenas Grosjean pelos seu erros será demasiado injusto para um piloto que em 179 GP conquistou dez pódios. Mais que isso, esses pódios foram conquistados com todo o mérito, numa fase em que três equipas lutavam pelo título (2012 e 2013) ou num carro claramente inferior (2015). Ao nível da velocidade pura, num dia bom, não creio que Grosjean fique atrás de muitos pilotos da grelha atual. Faltou-lhe sempre a capacidade de evitar o erro quando estava no fio da navalha, mas quem tem carros menos competitivos e quer mais arrisca-se a tal.
Mas o que mais impressiona em Grosjean foi a tenacidade que apresentou durante toda a sua carreira. Campeão na Formula Renault francesa, na F3 e no GP2, Grosjean era visto como o sucessor de Alain Prost. Mas o começo foi atribulado com alguns erros graves, o mais famoso em Spa que lhe valeu uma corrida de suspensão. Apesar desse golpe, Grosjean procurou ajuda e regressou mais forte que nunca e iniciou uma sequência de bons resultados que foi interrompida com a chegada da nova era turbo-híbrida e com o declínio da Lotus, o que não o impediu de voltar ao pódio, precisamente em Spa, talvez o seu feito mais notável, num carro que não tinha argumentos para tal. Grosjean errou muito, mas voltou sempre e os constantes boatos da sua saída nunca passaram disso até este ano.
Mas, ironicamente, o acidente que sofreu é talvez a metáfora perfeita para a sua carreira… um começo titubeante, uma decisão mal tomada com consequências tremendas e… a capacidade de escapar às chamas e sobreviver mais uma vez. Grosjean fez isso desde o começo da sua viagem na F1. Resta esperar que tenha a despedida que merece, em pista num carro de F1, antes de abraçar um novo projeto. Grosjean pode ser visto como uma fénix do desporto motorizado… não terá a despedida que certamente desejaria, mas irá voltar às pistas e não me espantaria se o sucesso voltasse a marcar encontro com ele.









