O antigo chefe de equipa, Otmar Szafnauer, criticou a forma como as equipas de Fórmula 1 são atualmente geridas, comparando-as a clubes de futebol, onde se espera progresso imediato e se fazem mudanças rápidas. Segundo Szafnauer, este modelo não funciona na F1, pois o sucesso exige trabalho contínuo e a longo prazo.
No podcast Formula for Success, Szafnauer destacou que, no passado, os donos das equipas tinham um conhecimento profundo do desporto motorizado, sendo muitas vezes ex-pilotos, engenheiros ou mecânicos. No entanto, os atuais proprietários, segundo ele, “têm muito pouco entendimento sobre corridas”.
“Nos dias de Eddie Jordan, Frank Williams, Ron Dennis e Adrian Reynard na British American Racing, havia proprietários que compreendiam profundamente as corridas de automóveis. É preciso um trabalho sustentado, longo e bom para acabar por ganhar, porque todos os outros também são competentes. Mas os novos proprietários não são assim. Eles têm muito pouco conhecimento do automobilismo. Olham para a Fórmula 1 como equipas de futebol que podem mudar cinco jogadores de um ano para o outro e passar de meio da tabela para o topo e pensam que o mesmo pode acontecer no desporto automóvel. Especialmente na Fórmula 1, isso não pode acontecer”
Szafnauer também falou sobre a sua curta passagem pela Alpine, onde entrou em 2022 e saiu após apenas um ano e meio. Segundo ele, os responsáveis da equipa tinham expectativas irrealistas e pressionavam por resultados rápidos, sem compreender a complexidade do desporto.
“Apercebi-me rapidamente que na Renault ou na Alpine, os proprietários não faziam ideia do que era o automobilismo e que as suas expectativas não correspondiam à realidade. Queriam o sucesso de um dia para o outro, queriam que eu despedisse toda a gente como numa equipa de futebol. Queriam que eu mudasse 20% dos empregados e quando eu disse: ‘não, não é assim que se faz, não posso despedir pessoas que estão a fazer um bom trabalho, mudar uma cultura, não é assim que se faz’ – eu sabia que estava na altura. Eu sabia que eles tinham pensamentos diferentes sobre como gerir uma equipa de Fórmula 1 e eu não podia ficar”, concluiu.








