O desporto de alta competição raramente permite deslizes e todos os que competem com os melhores têm de estar sempre no topo da sua forma, correndo o risco de ver o seu lugar ocupado por outro. É um mundo injusto e na F1 essa injustiça torna-se mais vincada, pois nem sempre os maus momentos de forma são da responsabilidade do piloto, com a qualidade da equipa e do carro a influenciarem muito as prestações.
Mas como a F1 não liga muito a injustiças, há já pilotos que ainda antes do meio da época começam a ter o lugar em jogo e que começam a ser apontados como descartáveis. Outros, fruto das suas exibições menos conseguidas, sentem mais a pressão de mostrarem serviço, o que por vezes apenas piora as situação.
Romain Grosjean é o caso que talvez mais tinta tenha feito correr ao longo desta época, até agora. O francês está numa fase péssima, em que não tem evitado os problemas e os azares. Se em Melbourne, apesar do azar, se viu uma Haas capaz de surpreender, temos visto uma equipa com dificuldades em aproveitar as oportunidades e um Grosjean demasiado errático. Não deixa de ser preocupante ter um chassis capaz de lutar por lugares no top5 e ainda não ter um ponto marcado este ano. Pelo menos no Mónaco não deu que falar, mas a prestação da equipa deixou muito a desejar. Qual o futuro de Grosjean? Se melhorar um pouco não deverá ter problemas e manter-se na Haas. A equipa não tem muitas opções com a experiência do francês que queriam juntar-se à equipa, que para já está satisfeita com a dupla que tem. Não parece assim ser expectável que Grosjean perca o lugar na F1, mas se não mudar rapidamente o chip a situação pode mudar.
Sergey Sirotkin é também outro homem sob pressão. O russo entrou na equipa com o rótulo de piloto pagante e não tem conseguido afastar-se dessa conotação. A prestações em pista têm sido pálidas e o chassis da Williams não facilita a tarefa ao russo, que no Mónaco, mostrou um pouco mais da sua qualidade. Não será o melhor piloto que passou na F1, mas não é também o pior. Ainda assim, parece que a sua participação na F1 não deverá ser muito prolongada, estando sempre dependente do financiamento que arranjar. Kubica pode ser uma opção, desde que mostre que pode fazer uma época sem problemas físicos. Stroll também não tem encantado é certo mas a sua situação é mais estável, dado o investimento que o seu pai fez para ele chegar à F1. Avizinha-se uma tarefa difícil para o russo.
Brendon Hartley também não tem tido um regresso feliz à F1. O bi-campeão do mundo de endurance demora a mostrar a sua qualidade e mesmo nas primeiras corridas que fez em 2017, ficou a sensação que faltava algo. A mudança brusca e o processo de habituação serviram de atenuantes, mas este ano Hartley já devia ter mostrado algo mais, como se pode ver pelas exibições de Gasly que tem sido uma das revelações do ano. As notícias sobre possíveis substitutos continuam a surgir e depois de Wehrlein, é a vez de Lando Norris ser associado ao lugar do neozelandês. A Red Bull nunca foi paciente com os seus pilotos e, a não ser que Hartley dê nas vistas nos próximos GP, o mais provável é esta nova tentativa na F1 ficar longe do que todos desejavam. Hartley é um piloto com qualidade, que ninguém duvide disso… mas na F1 essa qualidade tem demorado a surgir.
Stoffel Vandoorne é o último desta lista de pilotos em risco. O jovem da McLaren brilhou em todas as categorias por onde passou antes de chegar à F1 e esperava-se que pudesse mostrar o seu talento na equipa de Woking. A primeira amostra no Bahrein deixou os fãs entusiasmados, numa corrida em que substituiu o lesionado Alonso. Mas a partir daí foram poucas as corridas onde mostrou o que se esperava dele, desde que assumiu o lugar na equipa a tempo inteiro. Tem provavelmente o pior colega de equipa que um piloto pode ter. Alonso é capaz de ser competitivo até com um carrinho de mão e Vandoorne chegou à F1 com uma equipa cuja estabilidade não é a melhor e com máquinas longe de serem competitivas, factores que não ajudam um estreante. Em condições normais teria provavelmente mais um ano para se mostrar na equipa, mas há um tal de Lando Norris que começa a dar nas vistas e que pode forçar a saída do belga. O seu talento não passou despercebido no paddock da F1 e caso Ricciardo saia da Red Bull e Sainz assuma o seu lugar, A Renault olha para Vandoorne como uma opção válida. Se Alonso se fartar de vez da F1 a sua situação pode ficar mais confortável.
Restam agora cinco corridas até a paragem de verão, altura em que a “silly season” começa a animar. Serão cinco corridas fundamentais para que estes homens mostrem o seu valor e provem que merecem ficar nas suas equipas. Caso contrário o jogo das cadeiras poderá começar a fazer vítimas.











