As recentes declarações de Paddy Lowe sobre a vantagem competitiva da Mercedes em 2014, especialmente quando afirma que não compreende o “segredo” que se fez em redor deste assunto, recorda-nos que ao invés de apontar o dedo a quem fez bem o seu trabalho, se deve questionar porque não estão ao mesmo nível os seus adversários.
Como acontece agora com a Red Bull, e sucedeu antes com Mercedes, Ferrari e McLaren, por exemplo, parece que há uma aura de suspeição sobre quem fez melhor o desenvolvimento do seu monolugar. Obviamente, regras são regras e deverão ser cumpridas, ficando nas mãos da FIA analisar quem infringiu os regulamentos técnicos, financeiros e desportivos, mas à parte disso, a preocupação deve residir nas fábricas das equipas que não conseguiram chegar ao mesmo nível competitivo. Em 2014 a Mercedes soube tirar partido da alteração nas unidades motrizes, assim como parece ter a Red Bull interpretado melhor as profundas alterações ao regulamento técnico e foi capaz de apresentar, juntamente com a Honda, um motor fiável, assim como nos seus quadros residem dois pilotos bem capazes de somar pole positions, pontos e triunfos. O resultado está à vista. Enquanto Ferrari e Mercedes andam a explorar todas as possíveis soluções para resolução dos seus problemas, a Red Bull continua a liderar o pelotão e as duas equipas até foram ultrapassadas pela Aston Martin.
O clima que se cria quando uma equipa vence corridas de uma forma clara, faz com que se espere sempre por uma mudança qualquer nos regulamentos que permitam encurtar as diferenças no pelotão e relançar o espetáculo artificialmente. E mesmo que até seja uma alteração justificada, a dúvida está lançada. Por vezes é a própria equipa que vence que, talvez de forma defensiva, coloca em cima da mesa a possibilidade de existirem jogadas de bastidores, como fez Christian Horner nos últimos tempos. O responsável da Red Bull explicou ao inews.com que “há sempre algo, sempre uma diretiva técnica que sai, algo que muda o panorama. Podem ter a certeza que as outras equipas estão a pensar: ‘como podemos atrasá-los?’. Faz parte do jogo. Tendo-o experienciado antes, sabemos como ultrapassar isso”. Isto não é saudável para o campeonato nem é a melhor forma de proporcionar espetáculo aos fãs da F1, aqueles que seguem religiosamente a competição desde há muito. Os que não procuram apenas uma distração ocasional, mas que esperam ver sempre uma boa corrida e não se focam apenas em quem vence. Obviamente, quando alguma equipa vence constantemente e não parece ameaçada pelas estruturas adversárias, alguns deixam de seguir a F1, mas não é com artifícios que se melhora o espetáculo.
Como sabemos, na F1 não contam apenas os aspetos desportivos ou técnicos. Esta disciplina, assim como acontece um pouco por todo o desporto, tem muito de político e quem consegue alicerçar o seu poder, tem mais condições para vencer.










