Não será por acaso que o novo MCL38 da McLaren é o primeiro monolugar a ser desenvolvido no novo túnel de vento local da equipa, num carro que claramente dá sequência à direção de desenvolvimento já vista com as principais atualizações do carro a meio da época passada, ainda que com detalhes que vão mais fundo nessa direção. Como se recordam, as atualizações levadas pela equipas para o GP da Áustria do ano passado levaram a um novo desenho da frente do sidepod para um corte inferior maior e uma maior separação entre a entrada do radiador e a parte inferior da frente do sidepod e isso como se sabe, transformou a competitividade do carro. Agora, esse mesmo sidepod foi radicalmente retrabalhado, e sabendo-se que estas alterações visam apenas e só melhorar o fluxo de ar através da parte inferior da carroçaria, que é onde reside a maior parte do potencial de melhoria de desempenho, fica por saber se o que a equipa descobriu no túnel de vento tem correlação em pista. Os dados do túnel de vento e a sua correlação na pista é um tópico complexo e multifacetado, com diversos fatores influenciando a relação entre os resultados obtidos em testes e o desempenho real em corrida. A começar logo com precisão do túnel de vento, calibração e validação rigorosas para garantir a precisão das medições aerodinâmicas, modelagem precisa do carro e dos componentes, incluindo pneus e suspensão e ainda simulação realista das condições de pista, como temperatura, pressão e vento. Depois, as técnicas de teste adequadas, que representem os cenários reais de corrida, como diferentes velocidades, ângulos de ataque e configurações aerodinâmicas. Por fim, a comparação dos resultados do túnel de vento com dados de telemetria coletados durante os treinos e corridas. Aqui, a identificação de discrepâncias e ajuste dos modelos e técnicas de teste para melhorar a correlação, comparar uma coisa com a outra é fundamental. Seja como for, há sempre limitações do túnel de vento.
Por tudo isto, nenhuma equipa tem a certeza absoluta que o que viu e concluiu do túnel de vento será bem transposto para a pista. A questão é demasiado complexa para haver certezas.
Para além de que a questão vai muito para lá de induzir o desenho do piso a gerar mais efeito de solo, sendo bem mais importante ter a força descendente disponível na maior variedade possível de velocidades e atitudes do carro para melhorar o tempo da volta. Será sempre um compromisso.
Por isso é que nunca ninguém sabe se acertou.
A Red Bull no ano passado, acertou em cheio e já tinha acertado melhor que todas as outras equipas em 2022.
Tudo o que se passa em termos de ‘condução’ do ar na frente e meio do carro determinam a eficiência do fluxo de ar para a traseira e neste McLaren fica claro que houve um forte redesenho nesta zona dos sidepods.
E o chefe da equipa, Andrea Stella está otimista pois o progresso feito em 2023 mantém-se neste novo carro, e estas mudanças no carro servem como base para desenvolvimentos adicionais que serão introduzidos durante a temporada e que já parecem ser promissoras.










