Não foram poucas as vezes que Max Verstappen mostrou a sua insatisfação para com a sua equipa em algumas situações em pista. Seja por problemas na unidade motriz, decisões menos claras ou até mesmo paragens nas boxes mal executadas, Verstappen nunca se coibiu de mostrar a sua opinião. Será ele um “queixinhas” ou apenas exigente?
O mais recente caso aconteceu no GP dos EUA, em que a última paragem demorou mais que o desejado e deixou Verstappen irritado. Mas não é a primeira vez que isso acontece, com a unidade Red Bull / Honda, um dos trunfos do sucesso da equipa, também a dar motivos de irritação ao bicampeão neerlandês. Mesmo depois das corridas, Verstappen já afirmou publicamente que certas falhas não eram aceitáveis. Ora, tal pode parecer exagerado por parte de um piloto que tem tido todo o apoio da sua equipa, que lhe dá todas as condições para ele desenvolver o seu talento. As reações de Verstappen podem, por vezes, parecer demasiado veementes e injustas, mas Filipe Albuquerque, num tweet, deu-nos uma visão diferente.
Comentando a reação de Verstappen à paragem mal executada em Austin, o piloto luso disse o seguinte:
“Podem dizer que Max se queixa demasiado de uma equipa que lhe deu tanto, mas no momento em que ele começar a cometer erros, será facilmente substituído. Não é queixar-se, é a pressão da F1. Acontece para os dois lados. Não se pode ser porreiro”.
Infelizmente, o que os pilotos dizem na rádio é frequentemente escalpelizado em demasia, tratando-se apenas de desabafos em momentos de elevada carga emocional e com muita adrenalina à mistura. O discernimento nem sempre é o melhor. No caso de George Russell, por exemplo, que tem tido a sua dose de culpa em vários incidentes, a primeira reação do piloto é dizer que não é culpado, o que tem motivado cada vez mais piadas nas redes sociais. Mas já vimos Russell desculpar-se pessoal e publicamente por erros cometidos. Também Lando Norris, jovial fora do carro, é um piloto que nem sempre responde bem às interpelações do seu engenheiro. Não podemos julgar os pilotos pelo que dizem no rádio. Seria o equivalente a julgar os jogadores de desportos coletivos, que juram a pés juntos que não cometeram falta no momento, quando as imagens mostram o oposto.
E Albuquerque referiu algo importante. A F1 é um mundo duro, difícil, em que os pilotos passam de “bestiais a bestas” em pouco tempo. Verstappen foi, também ele, muitas vezes criticado por erros cometidos e conhece bem a pressão do Grande Circo. Albuquerque, em poucas palavras, relembrou-nos que a F1 é um mundo onde apenas os melhores, entre os melhores, têm sucesso e qualquer falha pode decidir o resto da carreira. Será Verstappen “queixinhas”? Talvez. Exigente? Sem dúvidas, e tem de o ser. Só assim poderá manter-se no topo. Pessoalmente, prefiro um piloto com uma postura algo diferente, um pouco à imagem do que Daniel Ricciardo fez no Mónaco em 2018, em que se manteve frio durante toda a corrida, mesmo enfrentando inúmeros problemas técnicos. Mas a beleza da F1 é também a variedade do caráter dos seus intervenientes. É mais um espetáculo, dentro do próprio espetáculo, quer se goste ou não, e que talvez tenhamos de aprender a apreciar.
You could say Max complains too much to a team that gave him so much but, the moment he starts to do mistakes he is easily replaced.
— Filipe Albuquerque (@Albuquick) October 25, 2022
It’s not complaining, it’s the F1 pressure.
It goes both ways.
You can’t be a nice guy.#F1 https://t.co/qkz8XA5ssD










