F1, HALO: A salvar vidas desde 2018
De aberração a bênção. O Halo teve um parto difícil e demorou muito até que todos os intervenientes na F1 o aceitassem, mas o sistema de proteção já salvou a vida a alguns pilotos e mais que isso, justificou todo o investimento e teimosia da FIA.
O acidente de Jules Bianchi, em Suzuka 2014 colocou a nu uma das maiores fragilidades dos monolugares… a cabeça dos pilotos. Se a maioria do corpo se encontra protegida por chassis ultra resistentes, a cabeça, talvez uma das zonas mais frágeis do corpo humano, continuava exposta e o acidente de Bianchi recordou a todos de forma demasiado amarga que a busca pela segurança não podia parar, apesar de não haver mortos na F1 há mais de 20 anos.
A proposta mais criticada
Foram discutidas várias propostas, mas a que foi escolhida pela FIA foi o Halo. E apesar da inovação e da evolução serem palavras-chave na F1, as mudanças radicais são sempre vistas com muita desconfiança e o Halo não foi diferente. Desde as críticas na altura de Niki Lauda, que criticava a escolha do dispositivo em detrimento de outros apresentados, até à grande desconfiança de alguns pilotos como Nico Hulkenberg, Kevin Magnussen, muitos a falar da estética e do impacto visual do Halo. Chegou-se a falar que o Halo poderia não ser tão feio quanto inicialmente proposto, mas no final o Halo chegou, tal como foi apresentado, manteve-se, deixou de ser um problema e já salvou pelo menos oito vidas.
Três vidas salvas no primeiro ano
O sistema foi introduzido em 2018 e não foram precisos mais de 4 meses para ver os efeitos do sistema implementado pela FIA. Tadasuke Makino afirmou que o Halo salvou-lhe a vida na corrida em Espanha em que o carro de Nirei Fukuzumi acabou em cima do cockpit do piloto japonês apoiado pela Honda. Charlie Whiting confirmou e disse que Makino poderá ter sido o primeiro grande beneficiário do sistema. Poucas semanas depois foi a vez de Charles Leclerc ser salvo pelo Halo depois de ver o McLaren de Fernando Alonso passar-lhe por cima da cabeça. Ainda em 2018 o jovem Alex Peroni escapou ileso a um espetacular acidente, graças ao Halo. Apenas no primeiro ano, o sistema terá salvo três pilotos, todos eles jovens. O investimento estava pago. Mas não ficou apenas por aí.
Grosjean deve-lhe a vida
Em 2020 vimos um dos mais violentos acidentes da história da F1, com Romain Grosjean a escapar a um terrível acidente que, sem o Halo, teria tido um desfecho bem mais sombrio, com o francês a escapar com “apenas” algumas queimaduras. Também na W Series, Sarah Moore e Beitske Visser escaparam a males maiores graças ao Halo depois de vários despistes em Eau Rouge e finalmente Lewis Hamilton escapou ileso ao acidente com Max Verstappen em Monza depois do Red Bull do neerlandês ter passado por cima da cabeça do britânico.
Zhou Guanyu também se juntou à lista no arranque do GP da Grã-Bretanha de 2022, quando o “roll hoop” colapsou ficando apenas o Halo para garantir a proteção do chinês.
A lista continua a crescer
São pelo menos oito vidas salvas graças ao Halo. Uma contabilidade claramente positiva, que justifica plenamente o uso do sistema. E mais casos têm acontecido onde o Halo tem sido o garante da integridade física dos pilotos. Em sete anos, pelo menos oito vidas salvas e, certamente que a contabilidade pode ser revista em alta, pois já não se contam os incidentes em que este componente foi fundamental. Mas é difícil encontrar outro componente de segurança que tenha tido um impacto tão positivo e imediato que o Halo.
Sim não é a peça mais elegante ou bonita de um monolugar, mas o hábito já nos faz olhar para ele de forma diferente, além de permitir que os capacetes se mantenham visíveis, uma das preocupações aquando da sua introdução. O caminho da segurança no desporto motorizado nunca terá fim, mas é bom ver que quem trabalha nesse campo não se deixa influenciar pelas vozes exteriores, Graças a isso vidas foram salvas, e os artistas puderam regressar ao cockpit para fazer o que melhor sabem.
2014 foi um ano duro, e a perda de Bianchi ainda hoje é provoca sentimentos dolorosos. Mas além do seu talento e da sua velocidade, a sua tragédia deixou-nos um sistema que melhorou muito a segurança da F1, num desporto onde a desgraça espreita a cada curva. Um desporto duro, cruel, mas belo, também na forma como se reiventa na tragédia.
Marino Sato
Charles Leclerc
Alex Peroni
Romain Grosjean
Sarah Moore e Beitske Visser
Lewis Hamilton
Zhou Guanyu
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Cágado1
21 Setembro, 2021 at 13:13
É inegável que o Halo oferece uma protecção que não havia e nesse sentido é muito bem vindo, mas exagera-se a sua utilidade. No caso recente do Hamilton e Verstappen, quem fez a maioria do trabalho foi o Rollbar, que está lá desde tempos imemoriáveis, tendo até a popular alcunha de Santo António. É possível que o Hamilton tivesse ficado magoado sem o Halo, mas duvido que a sua vida tivesse ficado em causa. Vimos em toda a história dezenas de monolugares voarem sobre outros, sem consequências, sendo basicamente deflectido o seu impacto pelo rollbar. Um que para mim não deixa dúvidas rigorosamente nenhuma é o do Grosjean – e basta 1 para justificar a introdução do Halo, como bem disse o Stewart, não são precisos mais!
Aqui não havia Halo e a Sophia Flörsch está felizmente bem vivinha para contar a história: https://www.youtube.com/watch?v=lq7o1aTFJRI
...
21 Setembro, 2021 at 14:43
Se é verdade que o rollbar fez grande parte do trabalho, não é menos verdade que há uma fase em que roda assenta no halo, ainda assim a cabeça de LH é empurrada pela roda. Se não houvesse o halo a roda assentaria com todo peso/força no capacete do LH. Sinceramente duvido que não ficasse no mínimo muito magoado…
O facto de a Sophia Florsch estar bem, apenas quer dizer que teve sorte (muita). Como todos sabemos, existem muitos outros casos (sem halo) em que o piloto não sobreviveu para contar a história.
Cágado1
21 Setembro, 2021 at 15:41
Claro que existem muitos casos tristes: o do Bianchi; o do Surtees; recuando muito no tempo, o do Pryce; do Cévert… Só acho que não tem forçosamente de ser dado crédito de tudo ao Halo, como se fosse preciso justificá-lo. Dei um exemplo disso. Mas parece-me inegável que as suas virtudes ultrapassam todas as reservas que teve (incluindo minhas).
...
21 Setembro, 2021 at 16:00
Não vejo a situação como dar “crédito de tudo ao halo” mas sim dar o crédito devido quando é devido, e neste caso para mim, esse crédito é mais que devido.
...
21 Setembro, 2021 at 15:53
“O acidente de Jules Bianchi, em Suzuka 2014″…”apesar de não haver mortos na F1 há mais de 20 anos.” Ora bem, deixa-me cá fazer as contas…
anotheruser
21 Setembro, 2021 at 17:04
Sim. É inegável.
Era preciso fazer uma outra análise sobre a razão da frequência de acidentes em que o halo teria relevância antes e após a sua introdução e o período de tempo em que ocorreram. Em 4 anos parece-me haver demasiados eventos potencialmente graves quando comparados com os 4 anos anteriores.
Carros demasiado rápidos para algumas das pistas, má estimativa de escapatórias, barras de suspensão demasiado resistentes, demasiados pilotos inexperientes/pagantes?