Lance Stroll. Um dos pilotos que menos impacto mediático tem nesta altura. O piloto canadiano da Aston Martin eclipsou-se em pista e tem feito questão de fazer o mesmo fora dela. Uma postura que não é produtiva e que só não o prejudica mais porque o patrão da sua equipa é também seu pai.
O ex-chefe da equipa Haas, Guenther Steiner, criticou o empenho de Lance Stroll na Fórmula 1, especialmente depois de um GP do Brasil desafiante, em que Stroll se despistou durante a qualificação e depois acabou na caixa de gravilha na volta de formação.
Steiner sugeriu que Stroll não estaria na F1 se o seu pai, Lawrence Stroll, não fosse dono da Aston Martin, não por falta de habilidade, mas porque Stroll parece desinteressado em correr. Apesar da sua segurança financeira, Stroll é visto como apático em relação à F1, raramente fazendo manchetes com desempenhos notáveis.
“A pressão afetar”, declarou Steiner no podcast Red Flag. “Ele sabia que tinha feito algo estúpido na volta de formação e depois não conseguiu controlar mais o que estava a fazer. Acho que ele entrou em pânico. Em situações em que o mundo está a olhar para nós, estamos sempre a ser criticados, fazemos algo estúpido. O que fazer a seguir? Algo mais estúpido.”
“Ele nunca parece estar feliz, aconteça o que acontecer”, disse o antigo chefe de equipa da Haas. “Achamos que ele está infeliz ou talvez seja apenas a sua expressão. Penso que muitas pessoas o criticam: ‘Ele é um péssimo piloto. Só está lá porque o pai tem a equipa’. Mas pondo as coisas desta forma: se o pai não tivesse uma equipa, acho que o Lance não seria um piloto de Fórmula 1, porque ele não quer ser um.”
A postura de Lance Stroll não é boa nem para a sua equipa, nem para o desporto. É raro ver-lhe um sorriso nas transmissões, especialmente quando fala à comunicação social. Para muitos, falar com os jornalistas é um dos momentos menos interessantes do fim de semana. Não é agradável para ninguém repetir vezes sem conta o mesmo discurso, com perguntas que acabam por ser iguais. Mas alguns pilotos conseguem fazer esta tarefa de forma mais elegante e airosa. Porque também faz parte do seu trabalho.
A comunicação aos media é fundamental para o impacto da competição e, por conseguinte, no interesse dos patrocinadores. Mas Lance Stroll faz questão de mostrar o “frete” que faz a cada pergunta. Não é uma postura que ajude a imagem da marca que representa e dos patrocinadores da equipa.
Não questionamos o talento de Stroll. Não é certamente dos pilotos mais talentosos da grelha atual. Não é também o pior. O seu registo nas categorias de iniciação e algumas das suas prestações na F1 mostram que Stroll não é um péssimo piloto como alguns dizem. Mas de há algum tempo para cá desapareceu completamente do radar. Não faz nada de relevante em pista, não diz nada de relevante fora dela. Steiner diz que ele não quer ser piloto de F1. Por vezes parece ser esse o caso. E noutra situação já não estaria na F1.
Foto: Philippe Nanchino / MPSA










