F1: Ford trabalha arduamente para o sucesso a curto prazo

Por a 16 Janeiro 2026 01:15

A Ford e a Red Bull Powertrains fizeram o lançamento oficial da parceria que em 2026 marca o início de uma nova era da Fórmula 1, onde as unidades motrizes híbridas foram completamente repensadas. Christian Hertrich, engenheiro-chefe da Ford Racing Powertrain, destacou-se entre os oradores neste lançamento.

Hertrich é uma das figuras centrais do regresso da Ford à Fórmula 1 através da parceria com a Red Bull Powertrains. Desde 2016 na divisão de automobilismo da Ford, Hertrich expandiu significativamente o envolvimento inicial da marca para além da simples fornecedora de componentes elétricos, supervisionando agora a produção de mais de 1.000 peças complexas através de manufatura aditiva (impressão 3D) e coordenando testes de nível aeroespacial – incluindo varrimento 3D, dureza, radiografias e tomografias – em cada componente destinado ao motor híbrido 2026.

Mobilizando equipas de múltiplas áreas corporativas da Ford – desde novos veículos até sistemas térmicos e desenvolvimento de baterias – Hertrich transformou o projeto de um exercício de branding numa colaboração técnica profunda e integrada, demonstrando um compromisso de que cada peça seja testada “ao nível aeroespacial, como se fosse vida ou morte”, enquanto simultaneamente implementa estas metodologias avançadas de fabricação e testes para resolver desafios em produtos de consumo Ford, como a recente otimização de colas em faróis do F-150.

Foto: Ford

De 16 para 5 dias de fabricação de novas peças

Na apresentação do projeto, em Detroit, Hertrich realçou a necessidade de desenvolvimento rápido na F1, algo que a Ford tem trabalhado intensamente nos últimos tempos:

“Na Fórmula 1, a velocidade não se limita ao dia da corrida. Se demorar 16 dias a fabricar uma peça protótipo, pode ter perdido a corrida antes mesmo de o carro entrar em pista. É por isso que uma das contribuições mais imediatas da Ford para a nossa parceria com a Red Bull Powertrains tem sido no mundo da fabricação avançada. Ao aproveitar a nossa tecnologia de impressão 3D de última geração, reduzimos este prazo de fabrico de 16 dias para apenas cinco. Quando consegue refinar projetos três vezes mais rápido, não está apenas a fazer engenharia — está à caça da concorrência.”

Recuperar tempo perdido

O regresso da Ford à F1 exige recuperar tempo perdido. A competição é radicalmente diferente de tudo o que a Ford tem desenvolvido nos últimos anos no automobilismo, exigindo ferramentas inovadoras para acelerar o desenvolvimento. Esse trabalho tem sido conduzido com rigor em ambos os lados do Atlântico, com a Ford e a Red Bull em estreita colaboração. Sobre os desafios e estratégias, Hertrich refletiu:

“Como engenheiro-chefe da unidade motriz, o meu desafio é unir a cultura vencedora de 125 anos da Ford com a agilidade incansável da Red Bull e os seus 20 anos de história de sucessos. Liderada pela Red Bull, a Ford Racing está a apoiar o desenvolvimento de uma unidade de Fórmula 1 de raiz para a época de 2026, e a pressão é enorme.

Estamos atualmente a fabricar componentes únicos e altamente complexos para o motor de combustão, o sistema de ar de admissão e os sistemas de recuperação de energia — peças que estão a ser afinadas em tempo real entre as nossas equipas no Michigan e em Milton Keynes.

Mas o hardware é apenas metade da batalha. Como recém-chegados ao regulamento de 2026, enfrentamos um défice de décadas de experiência face aos fabricantes já estabelecidos. Não nos podemos dar ao luxo de esperar que as simulações tradicionais façam os seus cálculos.

Para colmatar essa lacuna, um dos nossos engenheiros de simulação da Ford Racing, Kevin Ruybal, desenvolveu um modelo de controlo único em parceria com a equipa da Red Bull em Milton Keynes. Este modelo funciona a uma velocidade impressionante, 1.000 vezes mais rápida do que o tempo real. Tornou-se a nossa principal ferramenta de controlo e calibração, permitindo que os nossos pilotos sintam o comportamento do motor no simulador e forneçam feedback antes mesmo de o hardware físico existir”.

Photo: GEPA pictures/ Mathias Kniepeiss // GEPA pictures / Red Bull Content Pool // SI201412179198 // Usage for editorial use only //

O software e a energia elétrica: na pista e na estrada

Um dos pontos-chave nas unidades motrizes deste ano é o uso eficiente da energia armazenada nas baterias, sendo recuperada a cada travagem. Com a divisão da prevalência de energia térmica e elétrica agora no 50:50, a gestão dessa componente energética é crucial para o sucesso da Red Bull/Ford. Esse trabalho também está a ser desenvolvido de forma cuidadosa:

“A inteligência digital estende-se profundamente à gestão da energia da bateria. Engenheiros como Sam Angeli e Mike Huang estão a trabalhar com os engenheiros da Red Bull na sede da Red Bull Ford Powertrains para resolver o desafio de como utilizar a potência elétrica em conjunto com o motor de combustão. O Mike desenvolveu uma ferramenta sofisticada baseada em programação dinâmica que funciona, na prática, como um estratega em tempo real, aconselhando o sistema sobre quando libertar ou poupar energia para encontrar a forma mais rápida de percorrer o circuito, incluindo a calibração energética e a condução.

Foto: MPSA

As estratégias de gestão térmica e os cálculos do estado de carga que estamos a aperfeiçoar para a grelha de 2026 são os mesmos alicerces que, no futuro, permitirão a uma carrinha elétrica da Ford rebocar mais peso e carregar mais depressa. Estamos a usar o laboratório mais inovador do mundo para garantir que os nossos clientes recebem a inovação que merecem.

O caminho até março de 2026 é um enorme desafio, mas ver os nossos engenheiros integrados a trabalhar de forma tão eficaz em Milton Keynes prova o que é possível quando duas equipas de classe mundial se unem. Estamos a trabalhar dia e noite para estarmos prontos. A Fórmula 1, neste contexto, é o derradeiro laboratório de inovação, e a equipa do Oval Azul e a Red Bull Powertrains estão preparadas para o desafio.”

Foto capa: Ford

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