Depois do que se viu na temporada 2024, esperava-se que a Ferrari se aproximasse da McLaren e promovesse uma luta pelo título mais acirrada. Mas em 2025, assistimos a um passo atrás, que ganhou proporções mais dramáticas com a chegada de Lewis Hamilton à Scuderia. Numa época de poucos altos e muitos baixos, a Ferrari continua a navegar um mar de desilusões e de promessas falhadas, enquanto olha para 2026 com esperança.
A Scuderia apresentou o SF-25 como um projeto que trouxe mudanças vincadas e profundas, com 99% do carro alterado em relação ao modelo anterior e a introdução da suspensão dianteira pullrod. O objetivo era claro: encurtar a distância para Red Bull e McLaren e recolocar a Ferrari na luta pelas vitórias. No entanto, a primeira metade da época tem revelado uma realidade mais dura: a equipa afastou-se dos triunfos e da luta pelo título.

No campeonato de construtores, a Ferrari foi para a pausa de verão em segundo lugar com menos 299 pontos que a imbatível McLaren. Apesar dos pódios alcançados, a equipa enfrenta limitações crónicas na gestão de pneus e dificuldades em pistas de alta velocidade.
Os incidentes iniciais, como a dupla desqualificação em Xangai por desgaste excessivo da prancha no fundo do monolugar, condicionaram a abordagem técnica, forçando a equipa a comprometer altura ao solo e perder performance. Os pontos fracos da Ferrari mantém-se. Nem sempre a execução das corridas é a melhor, nem sempre a estratégia ajuda os pilotos e a aposta da equipa na filosofia do carro revelou-se errada, dependendo de uma altura ao solo impraticável. Com isso, a pressão mediática sobe, os rumores de uma potencial saída do diretor, Fred Vasseur, multiplicaram-se até a renovação, com as atenções agora voltadas para os lamentos de Lewis Hamilton que ainda ecoam depois do fim de semana falhado da Hungria.

Charles Leclerc mantém a frustração
Leclerc tem sido o rosto da frustração da Ferrari. O jovem talento que sonhou em vestir de vermelho e conquistar o título pela Scuderia apenas cumpriu metade do seu sonho, já incluindo a magnífica vitória em casa, no Mónaco. Mantém os pontos fortes, sendo um dos mais rápidos da grelha, mas este ano apenas conseguiu ainda uma pole. É o piloto referência da equipa, no entanto, o seu desespero cresce rapidamente especialmente em situações como na Hungria onde parecia ter uma mão na vitória, mas, num ápice, viu-se relegado para fora do pódio. Não é, de todo, parte do problema da Ferrari, e claramente é parte da solução. Mas Leclerc tem o pavio cada vez mais curto e se a situação da Scuderia se mantiver em 2026, não é descabido uma mudança de ares. Para já, mantém-se resiliente numa luta contra os adversários e as adversidades, muitas delas colocadas pela própria equipa.

Prestação de Lewis Hamilton
Na sua primeira temporada com a Ferrari, Lewis Hamilton tem enfrentado alguns desafios de adaptação. O sonho de vestir de vermelho depressa se tornou numa espécie de pesadelo onde nada corre bem. As dificuldades de adaptação a uma nova realidade agravaram-se com um monolugar que não facilitou a tarefa ao britânico. Pior do que as dificuldades, tem sido a postura de Hamilton, que tem usado (e por vezes abusado) de um discurso algo derrotista que não cai bem do lado dos tifosi, que vibraram com a chegada do heptacampeão e que viram nele uma esperança renovada. Hamilton não desaprendeu, nem deixou de ser o piloto que era quando se tornou heptacampeão. Mas a falta de confiança é evidente e essa “falta de chão” trouxe o Hamilton mais sombrio que já surgiu no passado em alturas menos felizes. Dessas vezes, o #44 recuperou e regressou mais forte. Veremos como lida com o resto da temporada e como consegue guiar a equipa para o futuro a curto prazo.

Expectativas para o Resto da Época
Com McLaren em clara vantagem no que toca a ritmo de corrida e gestão de pneus, a Ferrari muito dificilmente conseguirá inverter o cenário e lutar por vitórias consistentes até ao final do ano. O foco já começa a direcionar-se para 2026, com o túnel de vento dedicado ao novo chassis e power unit. Ainda assim, a Scuderia deverá continuar a ser crónica candidata à luta pelo pódio.
Notas
Ferrari: Nota 7/10
Charles Leclerc: Nota 8/10
Lewis Hamilton: Nota 8/10








