F1: E agora, que o inevitável aconteceu?

Por a 20 Julho 2021 11:00

Foi preciso esperar cinco anos para que a F1 voltasse a ter uma rivalidade que poderá ser apaixonante de seguir. Temos agora um confronto entre dois dos maiores talentos da F1 e com o primeiro verdadeiro incidente poderemos ver mudanças de atitude.

Lewis Hamilton e Max Verstappen são dois pilotos incríveis, com um talento tremendo. Este confronto de talento e de gerações já era pedido há muito, mas só no último ano desta regulamentação é que temos a sorte de poder ver estes dois pilotos digladiarem-se.

Lewis Hamilton tem do seu lado a experiência acumulada em mais de 270 GP e quase 15 anos de competição, onde passou pelos inevitáveis altos e baixos do desporto de alto rendimento. Max Verstappen está na F1 desde 2015, mas tem apenas 23 anos. Do seu lado tem 132 GP e uma carreira destinada ao sucesso, apesar de uns primeiros anos em que a falta de maturidade lhe causou alguns dissabores. Mas está agora no melhor momento da sua carreira, quer a nível de prestações, quer a nível mental. Este duelo tem todos os ingredientes para marcar uma era, mas para já tinha sido pautado pelo respeito em pista.

A relação entre ambos foi, na grande maioria das vezes, cordial e os confrontos em pista foram caindo tendencialmente para o lado de Verstappen, que sempre foi mais agressivo do que Hamilton, com o britânico ciente de que tinha uma máquina superior e que no final do campeonato as contas seriam feitas a seu favor. Verstappen sempre viu as lutas com Hamilton como uma oportunidade de se mostrar e de tentar um bom resultado, Hamilton sempre olhou para a competição a longo prazo e nunca teve problemas em levantar o pé.

Mas a situação mudou. Verstappen tem agora a melhor máquina da grelha e Hamilton não se pode dar ao luxo de levantar o pé, como fez no início da época em Ímola ou Barcelona, só para mencionar dois exemplos mais flagrantes. Em Silverstone, além da vontade de vencer em casa, Hamilton entendeu que tinha de aproveitar a primeira volta para ganhar vantagem sobre Verstappen, correndo o risco de o ver fugir. Este cenário irá acontecer mais vezes. Hamilton terá de ser mais agressivo para conseguir enfrentar Verstappen, um piloto que sempre foi agressivo. E quando dois pilotos agressivos se encontram, a probabilidade de vermos o que aconteceu em Silverstone aumenta dramaticamente. É esta dinâmica que provavelmente irá mudar daqui para a frente. Hamilton tem de ser mais afoito nas lutas, tem de arriscar mais, uma lição que aprendeu em Silverstone… arriscou e foi feliz, não da maneira que queria, ou que todos nós queríamos. Para Max Verstappen a sensação de estar num hospital, enquanto o seu adversário festeja, terá certamente um impacto psicológico e acrescentará ainda mais vontade de vencer. O post nas redes sociais, em que se queixa de falta de desportivismo por parte de Hamilton, se feito pelo próprio Max, mostra a sua frustração e fará certamente com que os níveis de agressividade aumentem.

Resta entender se ambos conseguirão manter as lutas o mais limpas possível, algo que deverá acontecer, pois estamos perante dois pilotos fantásticos. Mas como já vimos no passado, é difícil controlar as emoções quando se luta a mais de 250 km/h e por isso deveremos ver mais toques e mais drama.

O que vai aumentar certamente é o clima de guerra aberta entre a Red Bull e a Mercedes. A Red Bull sabe que tem uma oportunidade única de conquistar um título, naquela que é considerada a era da Mercedes e está a usar todos os truques do seu arsenal para o conseguir, incluindo a pressão sobre os Flechas de Prata. Se de um lado temos Christian Horner e Helmut Marko a dispararem constantemente para a Mercedes, do outro temos apenas Toto Wolff (que falta faz Niki Lauda) a responder a esses ataques e a tentar guiar uma equipa que já não se lembra da última vez que foi desafiada assim. Uma coisa é recuperar desvantagens temporárias, outra coisa é lutar com um carro que é inferior e que não deverá ser melhorado, com 2022 a ser a prioridade. Este é provavelmente o maior desafio de Wolff: preparar o futuro da equipa, enquanto suporta o fogo constante da Red Bull e motiva a equipa para conseguir os objetivos deste ano. É uma tarefa dura e já vimos aqui e ali um Wolff aparentemente mais vulnerável e menos assertivo. Do lado da Red Bull este tipo de estratégia já foi usada para outros fins e a sede de sucesso é tanta que tudo está em cima da mesa para o conseguir. A estrutura da Red Bull é fortíssima e os seus homens do leme não têm medo do confronto (e até parecem gostar disso, ao contrário de Wolff).

Esta era da F1 deu-nos poucas lutas deste calibre, mas reservou-nos um Grand Finale, com os dois maiores talentos da F1 a lutarem entre si, tal como as duas melhores estruturas, isto enquanto outros gigantes adormecidos, como a Ferrari e a McLaren vão ressurgindo aos poucos, com jovens pilotos de grande qualidade a intrometerem-se na luta pelo pódio. O que teremos daqui para a frente é provavelmente a F1 que todos queríamos ver. 

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39 comentários

  1. Frenando_Afondo™

    21 Julho, 2021 at 0:46

    Agora que Hamilton aprenda que tem de deixar pista e meia de espaço e o Max aprenda que não está a correr sozinho em pista.

    Mas ele gosta de Hard racing, por isso não percebo para quê tanto choradinho.

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