Os Comissários Desportivos que analisaram o pedido de revisão da Haas rejeitaram os dados que foram apresentados pela equipa norte-americana, mas não esconderam no relatório final que “deverão ser encontradas novas soluções antes do início da época de 2024” para a questão dos limites de pista.
É uma questão pedida por pilotos e equipas, recordando que ainda durante o fim de semana do Grande Prémio dos EUA, antes da polémica que levou ao pedido de revisão por parte da Haas, rejeitado ontem pelos comissários desportivos, Pierre Gasly pediu uma solução “a longo prazo”, porque, dizia piloto francês, este foi sempre um problema. Na mesma altura, Gasly salientou que “estamos todos a trabalhar nisso, a tentar melhorar para o próximo ano”. O mesmo que agora os comissários pedem à FIA.
Os comissário rejeitaram o pedido de revisão da Haas sobre alegados excessos de pista cometidos repetidamente por Alexander Albon, Sergio Pérez, Lance Stroll e Logan Sargeant durante a corrida do Grande Prémio dos EUA, considerando que os dados que a equipa norte-americana apresentou na audição de quarta-feira passada não são relevantes para tomar outra decisão que não aquela que aconteceu na altura pelo Colégio de Comissários Desportivos, mas concedem que há um problema a resolver.
Diz o documento da decisão dos comissários que “não obstante o resultado formal da presente decisão, os Comissários Desportivos viram provas individuais que mostram o que parecem ser potenciais infrações aos limites da pista no ‘apex’ da curva 6, consideram que a sua incapacidade de aplicar corretamente a atual norma de limites de pista para todos os concorrentes é completamente insatisfatória e, por conseguinte, recomendam vivamente a todos que seja rapidamente adoptada uma solução para evitar a repetição deste problema generalizado”. Pode-se ainda ler que “quer o problema seja devidamente resolvido através de melhores soluções tecnológicas, modificações em pista, uma combinação destas, ou uma regulamentação e normas de aplicação diferentes, os Comissários Desportivos deixam a decisão para aqueles que estão em melhor posição para fazer essa avaliação. No entanto, tendo em conta o momento da presente decisão, é evidente que uma solução completa não pode, em termos práticos, acontecer este ano, mas dado o número de circuitos diferentes onde surgiram problemas significativos de limites de pista esta temporada, reconhecendo que a FIA, em conjunto com os circuitos, que já houve progressos significativos, deverão ser encontradas novas soluções antes do início da época de 2024”.
A questão pode parecer fácil de resolver, colocando-se caixas de gravilha nas saídas das curvas, mas convém relembrar que se a Fórmula 1 prefere essa solução, as competições de duas rodas não. E mesmo assim, o que falhou no caso da prova norte-americana foi a capacidade de provar que de facto as infrações aconteceram, tendo faltado o suporte visual como costuma acontecer. A criação pela FIA de um Centro de Operações Remotas em Genebra levou a um melhor nível do processo de identificação e resposta aos limites da pista, sendo ainda aumentado o número de pessoas responsáveis por aferir isso e ainda assim, falhou em Austin. Como tal, as soluções não são lineares e precisam de ser encontradas rapidamente.
Foto: Clive Mason/Getty Images/Red Bull Content Pool










