Carlos Sainz apelou à FIA para ouvir mais os pilotos na revisão dos regulamentos de 2026, após o acidente de Oliver Bearman no Grande Prémio do Japão, em Suzuka, que voltou a expor os riscos associados às diferenças de velocidade em pista.
O violento acidente de Bearman, com um impacto de 50G, evidenciou os perigos das atuais regras, nomeadamente no que diz respeito à gestão de energia e às grandes diferenças de velocidade entre monolugares. O espanhol reforçou que este tipo de incidente já era esperado pelos pilotos, que vinham alertando para os riscos desde o início da temporada, sublinhando que situações semelhantes poderão repetir-se.
Sainz criticou ainda o processo de decisão da FIA, defendendo que a entidade reguladora não deve basear-se apenas na opinião das equipas. O piloto considera que a perceção externa do espetáculo pode distorcer a realidade em pista, onde as diferenças de velocidade — que podem atingir cerca de 50 km/h — tornam as disputas imprevisíveis e potencialmente perigosas. Com a revisão dos regulamentos prevista antes de Miami, o espanhol pede medidas concretas, tanto a curto como a médio prazo.
“Houve muitos momentos complicados nas primeiras voltas, enquanto todos estávamos a ajustar a gestão de energia. Com as diferenças de velocidade que temos, com ou sem boost, por vezes o motor dá-te muito mais velocidade do que o carro da frente, dependendo da energia que o outro tem disponível. Era apenas uma questão de tempo até acontecer um grande acidente. Não sei se o Franco fez algo errado ou não, não posso julgar, mas independentemente disso, este tipo de acidentes vai acontecer muitas vezes com estes regulamentos.”
O espanhol pediu maior atenção ao feedback dos pilotos:
“Esse é o problema de ouvir apenas as equipas: podem achar que as corridas são boas, porque talvez seja divertido ver na televisão. Mas do ponto de vista do piloto, quando estás a correr e percebes que pode haver uma diferença de 50 km/h, isso não é corrida. Não há nenhuma categoria no mundo com estas diferenças de velocidade, e é aí que acontecem grandes incidentes, porque apanha-te de surpresa.
Espero mesmo que nos ouçam e que se foquem no feedback que lhes demos, em vez de ouvirem apenas as equipas. E que apresentem um plano para Miami que melhore a situação, e também um plano a médio prazo para continuar a evoluir estes regulamentos. Mesmo que não consigam resolver tudo para Miami, que deem um passo na direção certa.”










