F1: Bernie Ecclestone e Max Mosley têm razão ao sugerir o cancelamento da temporada?

Por a 19 Abril 2020 12:27

Bernie Ecclestone e Max Mosley têm sido duas vozes ativas de momento, sendo ambos da opinião de que a temporada de 2020 da Fórmula 1 deveria ser cancelada. O mais curioso da questão é que são duas personalidades que conhecem bem as consequências duma decisão desse tipo. Medidas drásticas, é uma coisa, agora cancelamento?

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Em âmbitos diferentes, Bernie Ecclestone e Max Mosley foram responsáveis pelo crescimento da Fórmula 1. De Ecclestone não vale sequer a pena recordar o que fez pela F1, e por exemplo, foi Max Mosley quem negociou o primeiro Acordo da Concórdia, em 1981. Neste processo, a Fórmula 1 passou a ser um desporto muito mais profissional. Mosley foi trilhando o seu caminho pela Fórmula 1 e pelos corpos governamentais do desporto motorizado, chegando à presidência da FIA em 1993.

O seu amigo, Bernie Ecclestone, acabou por pagar cerca de 313 milhões de dólares, tomando assim ‘conta’ da Fórmula 1, até 2017, altura em que a Liberty Media adquiriu o controlo à CVC Capital Partners.

Embora seja fácil para Ecclestone e Mosley falar, será viável à Fórmula 1 simplesmente não se correr em 2020? Ecclestone e Mosley sabem que a Fórmula 1 é um negócio global que movimenta muitos milhões de dólares e emprega diretamente mais de 10.000 pessoas, não contando com os empregos indiretos.

Esta dupla compreendeu há algum tempo que as equipas da Fórmula 1 obtêm receitas através dos patrocinadores e das receitas da FOM, nomeadamente as geradas pelo detentor de direitos comerciais, através da taxas de promoção de corrida, receitas de direitos televisivos, etc.

Ou seja, não correr significa que não há rendimentos para as equipas, que gastam grandes somas todos os anos. Resumidamente, a F1 precisa de voltar à ação rapidamente, não só pela legião de adeptos que move, mas pelo bem das empresas que fornecem ao desporto, desde os alimentos aos softwares utilizados.

Para além de que a Fórmula 1 está cotada na NASDAQ, a segunda maior bolsa de valores do mundo. Assim, a Liberty Media tem o dever de assegurar que os interesses dos accionistas sejam melhor servidos, o que certamente não aconteceria se a Fórmula 1 fosse simplesmente cancelada.

Resumidamente, a não ser que a COVID-19 piore, não há razões para o cancelamento duma temporada que tem várias formas de se realizar, nem que seja com corridas à porta fechada, algo que reduziria muito a possibilidade do vírus se propagar.

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15 comentários

  1. Sr. Dr. HHister

    19 Abril, 2020 at 13:26

    Para mim o compromisso seria fazer corridas sem espectadores! Cancelar por completo não me parece nem viável nem saudável.

  2. rfz

    19 Abril, 2020 at 13:42

    A questão não é ter ou não ter razão, é simplesmente ser ou ser não possível realizar provas este ano. É facilmente constatavel que não será possível. Quem não reconhece isso está em estado de negação. Quanto aos problemas económicos que daí advirão, iram sofrer dos mesmos que todas as empresas e pessoas vão sofrer,

  3. pedro-prates44gmail-com

    19 Abril, 2020 at 14:49

    Para mim parece-me perfeitamente possível fazer um campeonato mais reduzido a partir de finais de Agosto ou princípios de Setembro. Eventualmente, poderia terminar em Janeiro ou Fevereiro de 2021.

  4. Fast Turtle

    19 Abril, 2020 at 15:04

    Totalmente contra.

    Como já disse antes

    Fazer um campeonato como nós años 50. Seis ou sete corridas e ta a andar. Para começar em Setembro e até Dezembro. Férias em Janeiro e Fevereiro e novo campeonato. Não é preciso desenvolver carro para o ano ou quase não é preciso.

  5. 831AB0

    19 Abril, 2020 at 15:10

    Penso que, neste momento, a realização do campeonato é absolutamente indefensável. Pôr considerações económicas à frente da saúde pública é de uma irresponsabilidade criminosa. Não vai morrer ninguém por não houver campeonato – mas o contrário pode acontecer.
    Se não há grandes prémios é porque os Estados dos países que os acolhem impuseram medidas restritivas, de maneira a evitar ou atenuar a propagação da doença. Este é um poder soberano que nada nem ninguém pode contrariar. A F1 não pode sobrepor-se a estes poderes, por muitos adeptos que tenha e por muitos milhões que estejam envolvidos na competição. Quem não compreende isto ou é néscio ou é irresponsável.
    Mesmo se, por qualquer sortilégio, o vírus desaparecer e deixar de constituir um perigo, este campeonato, a realizar-se, ficará para a história como um campeonato amputado e pouco representativo. Claro que seria uma alegria para todos os adeptos fazer-se o campeonato, até porque significaria uma vitória sobre a doença, mas será um campeonato que pode ficar lembrado da mesma maneira que o GP dos Estados Unidos de 2005.
    Permitam-me acrescentar que o tom empregue neste artigo, querendo amesquinhar e ridicularizar as declarações de Mosley e Ecclestone como se fossem lunáticos ou ignorantes e referindo-se a um deles como «o seu amigo», num tom altamente pejorativo, não me parece ser uma maneira sã de apresentar notícias. Nem o facto de o artigo ser «assinado» justifica esta atitude, que de resto é recorrente: lembro que, na Quinta-feira antes do cancelamento do GP da Austrália, Sebastian Vettel, vice-presidente da GPDA, foi aqui tratado como um idiota que tinha a pretensão de saber mais que as autoridades de saúde australianas quando afirmou que os pilotos podiam vir a ter a última palavra quanto à realização do GP (que nessa altura ainda se ponderava disputar). Afinal, parece que era ele quem tinha razão. E se calhar Max Mosley e Bernie Ecclestone também a têm neste caso, por isso eu deixaria os comentários para os leitores.

    • pedro-prates44gmail-com

      19 Abril, 2020 at 17:00

      A atitude de Sebastian Vettel na Austrália foi a mais correta. A F1 nem sequer lá devia ter ido, pois a pandemia estava a começar nessa altura e estava a tomar todos de surpresa, havia pouca informação sobre a mesma. Mas agora, já tudo é diferente. O mundo ocidental já sabe como lidar com esta situação. Alguns países da Europa já conseguem conviver o melhor que sabem com este vírus e com algum sucesso. Outros ainda estão em grandes dificuldades, mas também já ganharam grande experiência e vão dar a volta por cima. Por isso creio que em finais de Agosto ou princípios de Setembro já a situação estará controlada, embora ainda não se possa viver normalmente, mas já se poderá conviver com isto que nos aconteceu.

      Nessa altura já as equipas poderão sair de Inglaterra e Itália e realizarem-se algumas corridas sem colocar ninguém em perigo. As corridas poderão ser à porta fechada e com grandes restrições no pessoal presente no padock e boxes, mas creio que será possível. Além disso as corridas serão sempre transmitidas pela TV.

      Com isto será perfeitamente possível fazer-se um campeonato com cerca de 14 ou mais corridas e com grande segurança para todos. É evidente que primeiro está a saúde, mas no fim do verão já será possível garantir essa segurança.

    • Frenando_Afondo™

      19 Abril, 2020 at 19:13

      “mas será um campeonato que pode ficar lembrado da mesma maneira que o GP dos Estados Unidos de 2005.”

      Discordo, se o campeonato for celebrado vai ser lembrado pela perseverança em realizarm o campeonato. Claro que se for feito quando for minimamente seguro e não quando há ainda uma facto de contágio grande em cada GP realizado, aí será lembrado como um erro colossal, tal como o quase GP da Austrália.

    • Sr. Dr. HHister

      20 Abril, 2020 at 1:18

      Tanta letra!
      Mas se se verificar que os casos baixam e as economias arrancam, porque razão há de a F1 ficar parada? Eu respondo por si; nenhuma.

  6. O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada

    19 Abril, 2020 at 17:06

    É claro que ambos têm razão. Está mais que visto que não há condições para a realização do campeonato deste ano. Apenas algumas personagens, por motivos de dinheiro, defendem ainda o contrário.
    Espero que impere o bom senso e que voltemos a ter corridas em 2021, se houver condições para isso.

    Cumprimentos

  7. Fast Turtle

    19 Abril, 2020 at 17:44

    Acho uma graça…

    O futebol pode voltar em Agosto como a própria UEFA já admite e vai ser a final da champions league mas o f1 não deve haver en 2020.

    Nunca vi adeptos tão maus como a da F1…

    • Vasco Moura

      19 Abril, 2020 at 17:57

      São os mais inteligentes e sensatos. Tão cedo não vai ser seguro grandes aglomerações de pessoas

    • rfz

      19 Abril, 2020 at 19:04

      O futebol também não vai voltar este ano, nem o final desta época nem o inicio da próxima, pode ter a certeza disso. Essa malta da bola é que está iludida e pensa que já vão jogar nos próximos meses…

  8. Frenando_Afondo™

    19 Abril, 2020 at 19:26

    Se querem mesmo realizar o campeonato, por agora só vejo a ser feito à porta fechada. Se realmente acontecer nos moldes “normais”, somente pode ser feito em países que já tenham controlado os surtos e onde seja seguro.

    Pode começar na àsia, em Agosto ou Setembro, porque nessa altura já deveriam ter o surto controlado e depois viria para a Europa, que nessa altura também já deveria estar controlado por cá (atenção que quando digo controlado falo de já não haver novos casos depois de pelo menos uma a duas semanas. Enquanto houver uma margem de contágio de mais de uma pessoa por dia, ainda há risco de uma nova explosão de contágio).

    Mas têm de haver protocolos muito restritos, como por exemplo toda a gente que estiver no paddock e bancadas deveriam usar máscara e viseira e ter o seu alcool gel para desinfectar as mãos sempre que necessário. Após cada GP todo o pessoal do circuito, equipas e toda a gente que vai de maneira itenerante com o “circo” deveria fazer testes para ter a certeza que nenhum tem o vírus e o anda a distribuir pelos vários países. O caso perfeito seria todos os adeptos também o fazerem, após regressarem do circuito.

    Só que acho fruta a mais por agora. Porque eu percebo a posição da FIA em não querer anular já tudo por completo, eles estão mais em stand-by e a tentar perder o mínimo de dinheiro possível. Porque até agosto/setembro podemos ter boas notícias, como os surtos serem controlados (pelo menos na europa e àsia, não estou a ver os surtos serem controlados nas américas tão cedo como na europa e ásia). Ser descoberto/confirmado um medicamento que seja eficiente em tratar/anular/combater o vírus (porque vacina será difícil este ano, embora com a aceleração de protocolos, até poderá acontecer).

    Por isso estar constantemente a dizer “deveriam anular já, deveriam acabar já, deveriam cancelar já”. Vocês falam como se este virus fosse uma coisa estática, que fosse estar sempre com o máximo de contágio durante um ano, quando não é assím que funciona. Sem falar em todos os contratos celebrados com patrocinadores, organizadores, direitos televisivos e muitas outras coisas. Isto não é como um campeonato de futebol caseiro, que só envolve tudo isto dentro de um país, é um campeonato mundial, que envolve muitos intervenientes, mesmo muitos. Se pensarmos só em pistas, são 22, agora multipliquem por estações de televisão, patrocinadores, promotores, etc etc.
    Anular já o campeonato implica a Liberty media começar a pagar indemnizações de dinheiro que não tem. É isso que querem fazer?

  9. Scb

    19 Abril, 2020 at 20:14

    À porta fechada julgo ser possível um campeonato, mais curto em agosto, provavelmente centrado na europa para reduzir custos deslocações mas é bastante provável até que venha a ser cancelada a época.
    Convém lembrar que em pleno estado de emergência, com 2 pingos de sol as pessoas voltam em massa às marginais, por isso novos picos serão inevitáveis até surgirem vscinas

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