Bernie Ecclestone e Max Mosley têm sido duas vozes ativas de momento, sendo ambos da opinião de que a temporada de 2020 da Fórmula 1 deveria ser cancelada. O mais curioso da questão é que são duas personalidades que conhecem bem as consequências duma decisão desse tipo. Medidas drásticas, é uma coisa, agora cancelamento?
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Em âmbitos diferentes, Bernie Ecclestone e Max Mosley foram responsáveis pelo crescimento da Fórmula 1. De Ecclestone não vale sequer a pena recordar o que fez pela F1, e por exemplo, foi Max Mosley quem negociou o primeiro Acordo da Concórdia, em 1981. Neste processo, a Fórmula 1 passou a ser um desporto muito mais profissional. Mosley foi trilhando o seu caminho pela Fórmula 1 e pelos corpos governamentais do desporto motorizado, chegando à presidência da FIA em 1993.
O seu amigo, Bernie Ecclestone, acabou por pagar cerca de 313 milhões de dólares, tomando assim ‘conta’ da Fórmula 1, até 2017, altura em que a Liberty Media adquiriu o controlo à CVC Capital Partners.
Embora seja fácil para Ecclestone e Mosley falar, será viável à Fórmula 1 simplesmente não se correr em 2020? Ecclestone e Mosley sabem que a Fórmula 1 é um negócio global que movimenta muitos milhões de dólares e emprega diretamente mais de 10.000 pessoas, não contando com os empregos indiretos.
Esta dupla compreendeu há algum tempo que as equipas da Fórmula 1 obtêm receitas através dos patrocinadores e das receitas da FOM, nomeadamente as geradas pelo detentor de direitos comerciais, através da taxas de promoção de corrida, receitas de direitos televisivos, etc.
Ou seja, não correr significa que não há rendimentos para as equipas, que gastam grandes somas todos os anos. Resumidamente, a F1 precisa de voltar à ação rapidamente, não só pela legião de adeptos que move, mas pelo bem das empresas que fornecem ao desporto, desde os alimentos aos softwares utilizados.
Para além de que a Fórmula 1 está cotada na NASDAQ, a segunda maior bolsa de valores do mundo. Assim, a Liberty Media tem o dever de assegurar que os interesses dos accionistas sejam melhor servidos, o que certamente não aconteceria se a Fórmula 1 fosse simplesmente cancelada.
Resumidamente, a não ser que a COVID-19 piore, não há razões para o cancelamento duma temporada que tem várias formas de se realizar, nem que seja com corridas à porta fechada, algo que reduziria muito a possibilidade do vírus se propagar.










