A beleza do meio do pelotão deste ano é que é muito mais difícil perceber quem está melhor do que no topo. Nos testes a Alpine teve altos e baixos, e tanto pode estar na frente de segundo pelotão, atrás da Red Bull, Ferrari, Mercedes e McLaren, como atrás inclusivamente da AlphaTauri e Aston Martin, e muito semelhante à Alfa Romeo.
Portanto, é outra das equipas do meio tabela que procura dar o salto qualitativo e aproximar-se do topo. Mas parece ser aquela que menos condições parece ter para o fazer. E os testes deixaram isso claro.
A história da Alpine é em tudo semelhante ao que vimos na Renault. Se no começo do projeto francês vimos muitas promessas por cumprir e muitas mudanças, em dois anos de Alpine é a segunda reestruturação que acontece. Sem estabilidade é difícil atingir o sucesso. Laurent Rossi, CEO da Alpine, fez as mudanças que achava conveniente em 2021, mas depois de uma época entendeu que era preciso mudar mais e operou uma revolução. A entrada de Otmar Szafnauer e Bruno Famin dá alento, pois são nomes de peso, mas estas mudanças demoram tempo a dar resultado. Ciente disso, Rossi já avisou que é preciso mais tempo (100 corridas, o que equivale a cinco anos) para vermos a Alpine no topo.
Assim, não esperamos ver a Alpine a lutar pelos primeiros lugares. A nova unidade motriz, com arquitetura revista foi pensada para a performance em primeiro lugar, depois a fiabilidade e o novo chassis já foi idealizado pela nova estrutura técnica. O resultado destas mudanças ainda não é muito visível e para já o que se vê ainda não é muito animador. A Alpine esteve algo discreta no primeiro teste e não mostrou argumentos de equipas como a Ferrari ou McLaren. O positivo é ter uma dupla de pilotos que já deu provas que pode garantir muitos pontos e essa estabilidade é importante. Mas com tudo o resto a mudar, será surpreendente se a Alpine se destacar.













