Adrian Newey desenhou os Williams FW16 e FW16B que competiram na temporada de 1994 no mundial de Fórmula 1, marcada pela prova em Imola e os acidentes que aconteceram durante esse fatídico fim de semana, que resultaram na morte de Roland Ratzenberger e do piloto da equipa britânica, Ayrton Senna.
O agora responsável pelo departamento técnico da Red Bull admite que se arrepende do que fez nos dois carros da Williams daquele ano, acreditando que se enganou “completamente” na mudança da suspensão ativa para a suspensão passiva, o que tornou o carro “muito, muito difícil de conduzir”.
Em declarações ao podcast da F1 ‘Beyond the Grid’, Newey explicou que “os carros de 94 são dos meus maiores arrependimentos, independentemente da causa do acidente em Imola, a única coisa que se pode dizer sobre o carro é que era aerodinamicamente instável”. O britânico continuou, esclarecendo que “tivemos dois anos com suspensão ativa e, por minha culpa, estraguei completamente a aerodinâmica do regresso à suspensão passiva e a muito maior altura ao solo com que tinha de lidar. Era um carro muito, muito difícil de conduzir e quanto mais acidentado era o circuito, pior era. E, claro, Imola era um circuito bastante acidentado, por isso o que ele [Ayrton Senna] fez com aquele carro foi extraordinário, e conseguiu fazê-lo na qualificação”.
Adrian Newey lembrou ainda como foi trabalhar com o piloto brasileiro e como queria estar a par de tudo em relação ao monolugar. “Encontrava-me com ele ocasionalmente, mas nunca tinha falado com ele até ele visitar a fábrica pela primeira vez no final do que deve ter sido 1993. Fui apresentado e ele logo de seguida disse: ‘Posso ver o modelo do túnel de vento?’. Fomos até ao túnel de vento. Mais uma vez, de imediato, estava de joelhos, a olhar por baixo do carro, a querer explicações sobre o que tínhamos feito de diferente, o que era diferente neste carro em relação ao carro do ano anterior, porque é que tínhamos feito isto, etc., etc. Ele era extraordinariamente inquisitivo. Poder-se-ia argumentar que não precisava de saber isso. Mas só queria toda a informação que pudesse ter, porque isso poderia ser-lhe útil em algum momento no futuro. Acho que, provavelmente mais do que qualquer outro piloto com quem estive envolvido, é isso que considero único nele”, concluiu o britânico.











