A Alpine foi a última a mostrar o seu carro ao mundo. O A523 é a nova aposta da equipa francesa, este ano com uma dupla renovada.
O regresso da Renault à F1 aconteceu em 2016, a meio do processo de divórcio com a Red Bull, numa quase tentativa de mostrar que a Renault podia voltar a ser uma força inquestionável no Grande Circo. Primeiro como Lotus Renault, depois apenas como Renault e agora como Alpine, a equipa francesa foi navegando um mar de promessas incumpridas e de reestruturações. Os tempos de Cyril Abiteboul foram uma montanha-russa em que os resultados positivos nunca conseguiram compensar os menos bons, no geral, o objetivo da estrutura nunca foi conseguido: chegar ao topo por altura do novo regulamento. Os vários avanços e recuos refletem-se na classificação final nos primeiros anos. Em alguns desses anos os números não contam a verdade toda e a Renault, agora Alpine sempre deixou a desejar, face ao que prometeu.
Novos Ciclos
Nunca faltou talento, conhecimento ou recursos. Talvez tenha faltado um rumo bem definido que agora parece ter sido encontrado quando Luca de Meo (CEO da da Renault) pegou pessoalmente no dossier e Laurent Rossi (CEO da Alpine) foi apontado como responsável direto do novo projeto. Um projeto de 100 corridas para chegar ao topo, cinco anos, que começou em 2021, ano em que as cores da Alpine passaram a ser vistas na grelha. Desde então as promessas têm diminuído, mas nem por isso os resultados finais têm sido melhores. No ano passado, a Alpine igualou o seu melhor registo desde o regresso da Renault à competição (quarto lugar em 2018) muito graças à má época de Daniel Ricciardo que, se tivesse conseguido melhores performances, teria ajudado a McLaren a ficar no quarto posto. A Alpine do ano passado mostrou um ritmo prometedor, mas uma falta de fiabilidade por vezes confrangedora, o que impossibilitou a sua estrela, Fernando Alonso, de brilhar. De tal forma que Alonso bateu com a porta e foi para a Aston Martin, um pouco à semelhança do que tinha feito Ricciardo quando abandonou a Renault para ir para a McLaren, também duas épocas após a contratação.
Se a entrada na nova era não correu como inicialmente desejado, há ainda muito tempo para completar as tais 100 corridas. Vamos ainda a meio desse processo e certamente que o objetivo realista para este ano é manter o quarto lugar. O top 3 estará apenas à disponibilidade com um golpe de génio no desenho do carro deste ano, o que não tem acontecido das outras vezes. Mas a luta com a McLaren, que animou 2022 será o prato forte para 2023, este ano certamente com mais concorrência. Que Alpine para este ano? Eis a questão.
Nova dupla de pilotos
Para este ano há uma novidade. Ricciardo entrou para ser a estrela e saiu de forma surpreendente, tal como fez Alonso. Este ano a equipa optou por uma abordagem diferente e foi buscar um francês para fazer companhia a Esteban Ocon. Pierre Gasly junta-se à estrutura gaulesa, deixando finalmente o mundo Red Bull, do qual fez parte desde o início da sua carreira ao mais alto nível. É uma aposta num valor seguro, mas de risco, pois os dois “galos” já lutaram pelo mesmo poleiro no passado, com a sua relação a sofrer com isso. Os dois pilotos insistem que são águas passadas, mas as mágoas do passado raramente se esquecem completamente. Mas no papel, a dupla da Alpine é equilibrada e capaz de levar a equipa aos objetivos traçados. Para isso, ambos esperam que os problemas de fiabilidade tenham sido resolvidos durante o inverno. Sem isso será difícil à equipa assegurar o lugar.
Que Alpine teremos este ano? Uma questão que certamente motiva muitas dúvidas. Dos franceses nunca se sabe bem o que podemos esperar. E se o ano de 2023 for “apenas” de estabilidade, já se poderá considerar um progresso face ao passado. Para isso, o novo A523 terá um papel importante e a sua competitividade irá determinar muito do futuro da equipa a curto prazo. Tal como no ano passado, teremos duas decorações para os carros: uma “full-pink”, completamente rosa e a outra com o azul Alpine.









